08 de julho de 2026
Geral

Estacionamento

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 3 min

Câmara critica ampliação da Zona Azul

Câmara critica ampliação da Zona Azul

Texto: Josefa Cunha

A extensão da área de abrangência da Zona Azul, decretada no último sábado pelo prefeito Nilson Costa (PPS), foi duramente criticada na Câmara Municipal. A maioria dos ataques partiu dos vereadores de oposição, mas nem mesmo os situacionistas pouparam reprovações

à mudança. Na opinião dos parlamentares, a medida, tenha ela o objetivo que for, cairá na inviabilidade.

Os novos limites da Zona Azul, que na região sul da cidade vai agora até a rua Joaquim da Silva Martha, concentraram as reclamações. Inconformados, os vereadores questionavam o porquê de se estender a faixa dezenas de quarteirões distantes do comércio central. "Até a XV de Novembro estaria de bom tamanho", argumentavam. O estacionamento público será cobrado ao norte até a rua Marcondes Salgado; a leste, até a Saint Martin, e a oeste, até a Alfredo Ruiz. Geograficamente, o decreto municipal amplia expressivamente o número de vagas, mas sua utilização pelos usuários do comércio ainda é uma incógnita.

Junto com a expansão, vale destacar que a Prefeitura tem ainda a intenção de elevar em 100% a taxa da Zona Azul, que passaria de R$ 0,50 para R$ 1,00. Confirmada essa alta, o uso do estacionamento público se tornaria ainda mais inviável. O vereador tucano Rubens Spíndola, por exemplo, entende que, por R$ 1,00, os usuários tendem a preferir os estacionamentos privados, que, na média, estão cobrando R$ 1,50 por uma hora de permanência.

"Pelo mesmo preço, é lógico que as pessoas optarão pelos particulares. Além de bem localizados e mais seguros, ninguém precisará ficar rodando ruas e ruas atrás de um espaço", avaliou. Os estacionamentos particulares também poderão ser beneficiados com ampliação da Zona Azul, já que as pessoas que paravam longe e desciam a pé até a região do comércio central não terão mais a vantagem da vaga gratuita.

Já para Roberto Bueno (PTB) e João Parreira de Miranda

(PDT), a medida da Prefeitura acaba com a rotatividade no uso das vagas situadas no centro, finalidade para a qual a Zona Azul teria sido criada. "A permanência limitada possibilita o rodízio do pessoal que freqüenta o comércio. Não adianta nada levar a Zona Azul até a Joaquim

(da Silva Martha), porque ninguém vai parar lá e descer um monte de quadras. Pior ainda para quem usa aquela região do Altos da Cidade e terá de pagar. A Zona Azul não foi criada para fins de arrecadação", observou Parreira.

Os críticos ao decreto, aliás, revelaram desconhecimento sobre os reais motivos da ampliação da Zona Azul.

"Para facilitar a vida dos usuários do comércio e fomentar a receita é que não foi", ironizavam alguns vereadores, na sessão de anteontem.

Uma questão curiosa que envolve a expansão da Zona Azul foi levantada pelo petebista Roberto Bueno. Trata-se da Lei Municipal 4.338, aprovada no ano passado, que isenta do pagamento da taxa de Zona Azul os moradores que residem nas ruas abrangidas pela faixa. Até hoje, o dispositivo legal vinha despercebido porque a Zona Azul circundava uma área praticamente comercial, fato que muda com os novos limites. A faixa agora abrange regiões tradicionalmente residenciais, o que vai dificultar o controle sobre quem tem ou não direito à isenção prevista em lei. "Os moradores não vão concordar em pagar Zona Azul e, até o momento, a Prefeitura parece não ter se atinado para esse problema. Será que vai haver um sistema especial de identificação", indagou o "fiel" oposicionista de Nilson Costa.