07 de julho de 2026
Geral

Bilogia molecular

Por Ana Maria Ferreira | Andréia Alevat
| Tempo de leitura: 4 min

Laboratório do Biologia Molecular vai identificar genes causadores de malformações craniofaciais

Laboratório de Biologia Molecular vai identificar genes causadores de malformações craniofaciais

Texto: Ana Maria Ferreira/Andréia Alevato

No último dia 6 de novembro foi inaugurado um dos mais bem equipados laboratórios de genética molecular do País, resultado do estabelecimento de convênios entre o Centrinho e as mais importantes entidades mundiais da

área. A Funcraf, mantenedora do Centrinho, e a Fundação Lucentis, da Unesp de Botucatu, e mais três entidades internacionais

(duas dos Estados Unidos e uma do Vaticano), somaram esforços técnicos e financeiros para a concretização deste laboratório, que irá realizar pesquisas de DNA buscando identificar os genes causadores das anomalias craniofaciais. De acordo com os dados divulgados pelo Centrinho, 5% da população mundial sofre de algum tipo de anomalia genética, e dos 45 mil pacientes cadastrados aqui em Bauru, aproximadamente 30% deles apresentam malformações craniofaciais.

Segundo o coordenador do laboratório, o geneticista Danilo Moretti Ferreira, o primeiro passo será montar um banco com amostras de DNA coletando o sangue dos próprios pacientes do Centrinho." Acredito que em um ano teremos em torno de 3 a 4 mil amostras de DNA, e a partir daí, é que daremos início as pesquisas propriamente ditas, no sentido de buscar identificar os genes específicos causadores de cada tipo de anomalia. Todo o trabalho será voltado para o tratamento e prevenção dessas anomalias, mas principalmente a prevenção".

Hoje estão em Bauru os professores Jeff Murray e Bryan Bjork, da Iowa University, para fazer o treinamento inicial dos pesquisadores do laboratório, uma equipe de três pós-graduandos. Para o professor Murray está é uma oportunidade maravilhosa de troca de conhecimento, "eu estou aprendendo muito aqui com os pesquisadores, mais até do que eles comigo, eu creio".

Numa entrevista concedida à imprensa o professor Murray e o coordenador do laboratório, Danilo Moretti Ferreira, falam do trabalho de pesquisa e dos planos futuros.

Jornal da Cidade - Quais são as perspectivas da biologia molecular ligada as malformações?

Professor Jeff Murray - Será possível aprender mais sobre quais são as fases mais específicas das malformações craniofacias e dos genes, e a medida em que forem descobrindo as causas poderemos tratar as crianças de forma mais eficiente. É claro que nessas malformações existem fatores genéticos e ambientais que estão envolvidos e queremos estudar isso bem de perto.

JC - Sabemos que existem genes que provocam as malformações, mas a forma de atuação deles é conhecida?

Murray - Sabe-se que geralmente esses genes vão afetar o embrião precoce e que eles podem interagir entre si ou com fatores ambientais. E é nisso que queremos nos aprofundar.

JC - Que tipo de fatores ambientais?

Murray - Os mais importantes são os fatores nutricionais. A falta de vitaminas. Há suspeitas de que a exposição a alguns tipos de agentes químicos também pode ser responsável por um certo número de casos, mas ainda não temos certeza. Finalmente o álcool e o fumo durante a gravidez também podem provocar esses distúrbios.

JC - Daqui para frente há perspectivas de se fazer descobertas efetivas quanto as malformações?

Murray - Sim, eu acredito que dentro de alguns anos será possível, só que primeiro vamos descobrir quais são as causas e isso vai permitir saber qual o melhor tipo de tratamento para os problemas, se cirurgia ou terapias. Com o tempo será possível fazer terapia gênica, intervir no processo para que não apareça malformação, para que depois possamos interferir na fisiologia dele. Para dar um exemplo, há 50 anos se conhece a causa da anemia, já sabemos como tratá-la, mas ainda não temos como curá-la.

JC - Como o laboratório de genética vai trabalhar?

Danilo Moretti - Nós temos um projeto a longo prazo. A primeira parte do projeto é criar um banco de DNA, utilizando amostras de pacientes do próprio Centrinho. O DNA é o material que está dentro do núcleo de uma célula, no caso a mais fácil é a sangüínea, tiramos o núcleo da célula e o DNA e armazenamos congelado. Depois é que vamos dividir o material dos pacientes por suas patologias: fissura labial, fissura labiopalatal, e os síndrômicos, que além da fissura labiopalatal também tem outras anomalias. Em cada um desses grupos vamos procurar quais os genes responsáveis pelas anomalias. O primeiro passo é estocar material. O nosso laboratório irá trabalhar em convênio com os maiores laboratórios de biologia molecular do mundo.

JC - Quantas pessoas integram a equipe de pesquisadores?

Danilo Moretti - Nosso laboratório é muito aberto, inicialmente eu sou o coordenador, temos uma equipe de pós-graduandos, que terão e já têm acesso a universidades fora do País e com oso convênios firmados os alunos de lá também virão para cá. O intercâmbio será constante. Eu gosto sempre de dizer que nós não estamos competindo, nós estamos juntando forças com os maiores centros mundiais para a solução dos problemas dos menos favorecidos pela natureza. Nós não queremos a competição, queremos o máximo de resultados no menor tempo possível, para podermos disponibilizar isso a população brasileira, começando pela população do Centrinho e se estendendo para a população brasileira.