Pedidos de falência caem 3,82%
Pedidos de falência caem 3,82%
Texto: Paulo Toledo
Os pedidos de falência que deram entrada no Cartório de Ofício de Distribuição Judicial do Fórum de Bauru tiveram uma retração de 3,82% de janeiro a outubro, caindo de 157, no mesmo período do ano passado, para 151. Também houve queda de 73,33% no mês passado, em relação a outubro de 98, reduzindo de 15 para quatro pedidos. Se comparado com setembro, quando ocorreram 12 pedidos, a queda é de 75%, segundo levantamentos do diretor do Cartório, Claudemir Jair da Silva.
A retração volta a ocorrer, pelo quarto mês consecutivo, após uma alta para 21 pedidos, em julho. Porém, se a comparação for feita somente com os mesmos meses do ano passado, em seis dos dez meses ocorreu queda (veja quadro).
O número de pedidos de falência acumulados neste ano são os menores desde 1996, quando se atingiu o pico dos pedidos, após o lançamento do Plano Real, em 1994. Desde então, os números vêm em retrocesso, mas sempre próximos ao ano anterior, indicando uma queda paulatina.
Para o economista e consultor de empresas, Reinaldo César Cafeo, 38 anos, as empresas conseguiram se alicerçar mais e estão trabalhando no ponto de equilíbrio. De acordo com ele, apesar das margens extremamente apertadas, elas estão obtendo um fôlego adicional, via melhoria no crédito, proporcionada pelas decisões do governo de ampliar liquidez.
"De certa forma, isso está facilitando a vida das empresas. Claro que não houve uma disposição muito forte do banco em emprestar dinheiro. Aumentou a liquidez, mas não houve um aumento proporcional na expansão do crédito", afirmou.
Cafeo destaca, no entanto, que os bancos estão assediando mais os micro e pequenos empresários, concedendo um pouco mais de abertura na hora da avaliação de um crédito. Segundo ele, há uma maior tolerância, sem aumentar os riscos, é claro. "O sistema bancário se deu conta que é muito melhor assistir esse pessoal, verificando
"in loco" como está o comportamento no mercado, do que simplesmente negar crédito", afirmou.
O economista destaca que são as micro, pequenas e médias empresas as principais responsáveis pela elevação nas estatísticas de pedidos de falência. Para ele, mesmo com a queda do nível de atividades deste ano, através do crédito obtêm uma sobrevida.
Além disso, atribui, também, a queda ao reflexo do período anterior às dificuldades existentes atualmente. Para ele, os números têm relação com o grande número de empresas que já faliram nos últimos meses. "Chega um momento que não tem mais empresas para falir, pois as mais problemáticas já passaram por esse processo", afirma.
Para ele, a tendência é de que haja um incremento nas vendas, com a chegada das festas de final de ano. Com isso, até o início de 2000 deve haver um período de maior tranqüilidade. Segundo ele, a indústria já foi beneficiada, a partir de setembro, com a demanda do comércio para reposição de estoques, apesar das compras mais conservadoras. O comércio começa a ter seu crescimento de vendas agora, com a chegada do 13.º salário. O economista acredita que a virada para o ano 2000 provoque uma certa euforia e, com isso, ocorra um crescimento nas vendas.
Ele diz que as promoções, como a do Bauru Shopping Center, que está sorteando 10 carros, também podem colaborar para alavancar as vendas, pois atrai os consumidores.
Para Cafeo, se houver um problema econômico mais grave, como o governo continuar segurando a inflação contendo a demanda, isso vai ocorrer a partir de janeiro ou fevereiro. Ele lembra que para se chegar a uma fase de pedido de falência, demora-se cerca de seis meses.