08 de julho de 2026
Geral

Reforma agrária

Marcos Zibordi
| Tempo de leitura: 3 min

Sábado, MST de Iaras ocupa terra

Sábado, MST de Iaras ocupa terra

Texto: Marcos Zibordi

Para pressionar Incra, outras ações podem ocorrer nas estradas, pedágios ou em depósito de alimentos em Bauru

Iaras - Cerca de 600 famílias de sem-terra dos assentamentos Nova Canudos e Madre Cristina, em Iaras, iniciarão uma mega-ocupação de terra de 85 mil hectares na manhã deste sábado. A ocupação deve durar 15 dias e, segundo o MST, é a resposta dos acampados à série de promessas que não vem sendo cumpridas pelo Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra). O Instituto nega que tenha responsabilidade sobre a não distribuição de cestas-básicas aos acampados e não soube informar a situação atual de um Centro de Capacitação que seria construído.

Em Iaras, 54 famílias do acampamento Zumbi foram assentadas há 15 dias. No entanto, 120 famílias do acampamento Madre Cristina que estão acampados há 2 anos, mais 450 famílias do acampamento Canudos, em Iaras há 1 mês, farão juntas a ocupação da área pertencente ao grupo Monções.

Segundo o MST, as 450 famílias do acampamento Canudos vieram de Limeira com a promessa do Incra de que seriam assentados num Centro de Capacitação Profissional. O pré-projeto de assentamento seria construído em 100 alqueires e teria centro cultural, esportivo, viveiro de mudas, máquinas, fruticultura, agropecuária e centros experimentais de agricultura. O acampamento Canudos também está sem cesta-básica há um mês.

O Incra rebate, alegando que os acampados se recusaram a preencher o cadastro da cesta-básica. "Eles não quiseram de jeito nenhum, nunca", alega Rose Beltrão, chefe da divisão de recursos fundiários do Incra.

Perguntada se admite que a promessa do Centro de Formação não foi cumprida, Beltrão disse que "eu não admito absolutamente nada. A proposta é do movimento social".

Ela disse que neste final de semana (enquanto os sem-terra estarão ocupando a área) haverá uma reunião com Maria de Araújo, que trata em Brasília da operacionalização de um possível centro de treinamento. "Além de fazer funcionar, tem que ter a previsão legal, que é orçamentária".

A mesma Maria de Oliveira, devia ter participado ontem de uma reunião com os sem-terra de Iaras no acampamento, mas não compareceu.

"No primeiro assentamento, Zumbi, saiu trinta por cento da

área. É terra do governo federal que foi grilada", diz Marcos Marin, 37 anos, da coordenação do acampamento.

"Nós vamos ocupar todas essas áreas que ainda restam".

Saques, paralisação e pedágios

"Se não sair a cesta básica nós vamos fazer atos". Os atos em pauta são três: os sem-terra podem paralisar a rodovia Castelo Branco ou interditarem o pedágio da mesma rodovia na altura de Iaras ou, ainda, virem para Bauru em busca das cestas no depósito da Conab.

"Se for em Bauru, nós vamos onde tem comida. Seria o órgão do governo, Conab".

Marin alega que os outros acampados já retiraram suas cestas-básicas e só os acampados de Canudos estão sem. "Nós estamos fazendo isso em caso desesperador. Se já estava difícil para 120 famílias, imagine para duas mil pessoas".

Segundo o Incra, o problema da não distribuição das cestas-básicas é nacional. "Elas vem do Comunidade Solidária e está parado desde agosto".

Acampados vieram de Porto Feliz

Os componentes do acampamento Canudos, em Iaras, já percorreram boa parte do Estado em busca de terra. No começo, em Porto Feliz, eram 1.200 famílias. O perfil era de desempregados e moradores de rua de São Paulo, que foram arregimentados pelo MST junto ao Movimento dos Sem-Teto.

Após algumas ações como fechamento de estrada e saques à caminhões de alimentos, eles foram para Anhembi. A cidade, muito pequena, não tinha condições de abrigar os sem-terra. Segundo o Incra, nesta oportunidade foi oferecido aos sem-terra a oportunidade de fazer o cadastro da cesta-básica, mas eles não teriam aceito. O governador Mário Covas (PSDB), que esteve pessoalmente no acampamento, prometeu um levantamento das terras devolutas do Estado em 60 dias, mas não o fez.

De Anhembi, os sem-terra foram para Limeira numa pequena área pertencente do Banco do Brasil para, agora, estarem em Iaras. As 1.200 famílias se transformaram nas 450 que farão a mega-ocupação de área neste fim de semana.