Café transgênico é impraticável
Café transgênico é impraticável
Texto: Andréia Alevato (*)
Para se desenvolver uma cultura transgênica é necessário conhecer bem a genética molecular da espécie
A produção de café trasngênico não
é viável, por ser uma cultura perene, ou seja, que dura muito tempo, segundo a pesquisadora do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), a engenheira agrônma Mirian Peres Maluf.
Ela afirmou que uma cultura de café transgênico demoraria aproximadamente 20 anos para se consolidar. Para ela, é importante realizar pesquisas no setor e desenvolver algumas técnicas específicas de modificação genética.
Mirian contou que hoje existem dois tipos de experimentos de café transgênicos. Um na França, realizado pelo IRD, e outro no Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). Os dois, segundo ela, são diferentes em sua finalidade. O da França tem características voltadas para a resistência do café, em relação as pragas, e já está sendo desenvolvido a campo. Um gene com efeito inceticida foi introduzido no café, que já mostrou eficácia na resistência a pragas na fase laboratorial, de acordo com Mirian.
Já as pesquisas paranaenses têm como objetivo desenvolver um café com maturação uniforme, o que geraria um certo controle no amadurecimento do fruto.
A pesquisadora acredita no desenvolvimento incontrolável de vários alimentos transgênicos, porém, acha que o café não se enquadrará na nova tecnologia.
Por ser uma planta perene, de longa duração, o café transgênico não seria viável, segundo ela.
"O agricultor que comprou semente de café hoje só vai comprar de novo daqui uns 20 anos. Ao contrário do da soja e do milho, que tem que comprar todo ano", explicou.
Ela afirmou também que para desenvolver uma cultura transgênica
é preciso conhecer muito bem a genética molecular da espécie e, do café, se sabe pouco a respeito.
A pesquisadora acha que as discussões sobre os alimentos transgênicos são importantes para o desenvolvimento de novas técnicas.
"Tem que se investir muito em pesquisa, para saber o que realmente os alimentos geneticamente modificados causarão. O desenvolvimento de produtos transgênicos está ligado a quantidade de recursos disponíveis para pesquisa", disse.
Mirian defende a rotulação dos alimentos geneticamente modificados.
"O Brasil tem que produzir os dois tipos de produtos, transgênicos ou não, para não perder mercado e nem deixar a população sem escolha", concluiu.
(*) Colaborou Márcia Buzalaf
Transgênicos é solução para agricultura mundial
Transgênicos é solução para agricultura mundial?
Essa foi a pergunta da pesquisa que o Sindicato Rural de Iacanga colocou em seu site na Internet. 324 pessoas responderam ao questionário on line. Confira o resultado:
* Sim, os transgênicos reduzem custos de produção, possibilitando uma maior competitividade - 71%
* Não, ainda é cedo para saber se existem problemas
- 0%
* Não estou certo e necessário mais informações a respeito - 14%
* Sim, eu comeria um produto transgênico - 0%
* Não, eu não comeria um produto transgênico
- 14%
A CTNBio
Biossegurança é uma área científica surgida neste século e voltada para o controle, monitoramento e minimização de riscos vindos da prática de tecnologias que manipulam genes, realizadas em laboratório ou quando aplicadas ao meio ambiente.
A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança
(CTNBio) é responsável pelo controle da tecnologia do DNA recombinante no país e, entre suas competências, deve emitir parecer técnico sobre qualquer liberação de organismos geneticamente modificados no meio ambiente, bem como acompanhar o desenvolvimento e o progresso técnico e científico na Biossegurança e áreas afins.
Vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia,
é composta por 36 membros (especialistas em Biotecnologia, representantes de Ministérios, de órgão em defesa ao consumidor, de associações, de proteção
à saúde do trabalhador e empresários).
Os produtos geneticamente modificados estarão sujeitos ao controle da CNTBio, sob o aspecto biossegurança. Esses procedimentos garantirão que, ao serem colocados no mercado, esses produtos tenham as mesmas características de segurança, inocuidade e eficácia exigidas dos produtos convencionais. Desde 1.997, a Comissão aprovou mais de 640 experiências com produtos transgênicos e o número de novas solicitações continua crescendo. Em 1.998, foram 350. Acredita-se que até o final deste ano, essas solicitações cheguem a 700.