13 de março de 2026
Geral

Gasoduto

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 5 min

Bauru pleiteia gasoduto para a região

Bauru pleiteia vinda de gasoduto para a região

Texto: Patrícia Zamboni

Com o apoio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico

(SMDE), através do Departamento de Indústria e Serviços, uma equipe da Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil

(TBG) esteve ontem em Bauru proferindo uma série de três palestras. O objetivo era falar sobre o projeto da empresa a empresários e dirigentes municipais interessados na implantação do gás natural, produto com o qual a TBG trabalha fazendo a distribuição para diversas cidades e Estados brasileiros. O evento foi realizado no auditório do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP).

Os três palestrantes foram André Lima Cordeiro (diretor-superintendente da TBG), Walter Liegel (gerente da Divisão Leste da TBG) e Maria das Graças da Silva (gerente de Desenvolvimento de Mercado da TBG). Na abertura do evento, Roberto Rufino, secretário de Desenvolvimento Econômico da Prefeitura de Bauru, falou sobre o interesse em trazer o projeto do gasoduto até Bauru.

"Bauru, por sua posição geográfica, tem muito interesse no gasoduto, que poderia atender e beneficiar toda a região", disse o secretário.

De acordo com André Cordeiro, o gasoduto Bolívia-Brasil tem uma extensão total de 3.150 km, e atravessa 135 municípios ao longo de todo o trajeto que segue no Brasil. O gasoduto entra no País através de Corumbá (MS), e existem três divisões, em Campo Grande (MS), Campinas (SP) e Florianópolis (SC) que permitem que o gás natural chegue até o Rio Grande do Sul. A capacidade de transporte

é de 30 milhões de metros cúbicos por dia. A expectativa da TBG, segundo Cordeiro, é chegar ao volume de 134 milhões de metros cúbicos em dez anos. A grande âncora do sistema no Brasil é São Paulo, devido ao seu extenso parque industrial.

Entre os benefícios oferecidos pelo gás natural, destacados por Cordeiro durante a palestra, estão o aumento da disponibilidade de combustível, estímulo à instalação de novas indústrias, combustível menos poluente, aumento da oferta de empregos, aumento da demanda por bens e serviços, maior vida útil para os equipamentos, menor custo de manutenção e melhoria dos padrões ambientais. "O gás natural é bem menos poluente do que os outros combustíveis existentes hoje e também evita o corte de árvores em matas naturais para obtenção de lenha. Além disso, oferece maior segurança em casos de vazamento, já que o gás natural, por ser mais leve que o ar, se dissipa na atmosfera. O gas que nós chamamos de pesado, se vazar há risco para o homem e para os animais, porque ele é mais pesado que o ar e não se dissipa. Até mesmo o transporte do gás pesado

é mais difícil, perigoso e complexo, porque é transportado em bujões por rodovias e ferrovias. Já o gasoduto é totalmente subterrâneo. Fica enterrado a cerca de um metro e meio e só vem à superfície quando há necessidade de instalação de válvulas que regulam o transporte do produto", observou André Lima Cordeiro.

Existe também uma série de vantagens econômicas no uso do gás natural, já que não exige frete nem gasto de energia com o aquecimento para a queima, elimina o custo financeiro de estocagem, reduz o seguro por não estocar combustível inflamável, diminui os custos de manutenção, retarda os investimentos em troca de equipamentos, é pago após a utilização, não necessita de aquecimento no inverno e possibilita a utilização da rede existente. De acordo com Cordeiro, atualmente apenas 3% da energia consumida no Brasil é de gás natural. A meta da TBG é chegar ao ano 2010 com uma participação de 12%.

São vários os setores que podem ser beneficiados com a utilização do gás natural no sentido de aumentar a produtividade, como o setor elétrico, alimentício, de vidros e cristais, químico/farmacêutico, papel e celulose, siderúrgico/metalúrgico, cerâmico, plástico, eletrônico, de bebidas, residencial, automotivo, comércio, hospitais, hotéis, termoelétricas/co-geração de energia. No caso do setor elétrico, a maior disponibilidade de gás natural estimula a instalação de um mercado composto por fabricantes de tubulações, queimadores, válvulas de controle e sistemas de queima em geral. Em consequência, atraem-se empresas de serviços para instalação e manutenção desses equipamentos. A indústria de eletrodomésticos também ganha alternativas até então desconhecidas para o mercado brasileiro.

De acordo com o secretário da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Roberto Rufino, o encontro de ontem foi muito produtivo. A Agip, empresa que ganhou a concorrência para a distribuição do gás natural para a região Noroeste do Estado de São Paulo, está fazendo um estudo sobre a região de Bauru para avaliar a viabilidade da instalação do gasoduto aqui. "A Agip vai investir duzentos e setenta milhões de reais na região para poder preparar um estudo de consulta de demanda, porque qualquer extensão do traçado vai depender muito da demanda. Existem outras cidades da região Noroeste que estão pleiteando a instalação de uma unidade da Agip, além de Bauru. Mas pelo estudo que o próprio Ciesp local está realizando já é possível saber que existe uma grande possibilidade dessa unidade distribuidora da Agip ser instalada aqui em Bauru", disse Rufino. Segundo o secretário, em breve será realizado um outro encontro, desta vez com os diretores da TBG, também promovido pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Prefeitura. Para Rufino, é muito importante substiuir, o mais rápido possível, a energia convencionalmente utilizada pelo gás natural, que tem custos mais baixos, oferece mais segurança

(inclusive ambiental) e mais qualidade aos usuários.

Participação societária da TBG

Gaspetro - 51%

BBPP-Holdings British Gas (9,66%), BHP (9,66%) e El Paso Energy

(9,66%) - 29% (total)

Transredes Fundos de Pensão Bolivianos (6%), Shell (3%) e Enron (3%) - 12% (total)

Enron - 4%

Shell - 4%

Financiamentos

. Banco Mundial (Bird)

. Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID)

. Corporación Andina de Fomentos (CAF)

. Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)

. Banco Europeu de Investimentos (BEI)

. Agências de Crédito à Exportação