07 de julho de 2026
Geral

CPI

Marcos Zibordi
| Tempo de leitura: 3 min

Prefeito de defende e acusa contador

Persin se defende e acusa contador

Texto: Marcos Zibordi

Administração do prefeito está sendo investigada por Comissão Parlamentar de Inquérito instaurada neste mês

Piratininga - O prefeito de Piratininga, Armando Persin

(PSDB), critica a instauração da CPI pela Câmara Municipal e acusa o ex-contador da Prefeitura, Claudinei Geraldo, pivô das acusações, de ter 'armado' a situação que pode responsabilizá-lo na Comissão. Em carta enviada à redação, Persin afirma que Cladinei Geraldo foi admitido através de concurso público para ser contador da Prefeitura Municipal no dia 1 de junho de 1998. Persin acusa Geraldo de ter pedido sua aposentadoria pouco depois de dois meses no exercício do cargo. Essa teria sido a razão de sua exoneração, em 4 de junho de 1998. Conforme a carta, no entanto, não existe um espaço de tempo de dois meses, como alega o prefeito, entre a admissão e a primeira exoneração.

Por força de recurso judicial, Geraldo foi readmitido no cargo em 23 de outubro de 1998. Em 19 de abril 1999, o tesoureiro, voltando de férias, acusou a falta de R$ 2 mil no erário municipal, constatada entre os boletins do caixa e da contabilidade, do dia 8 de abril de 1999. Segundo o prefeito, "o desvio de dinheiro teria sido obra do próprio contador, Claudinei Geraldo", e um levantamento teria comprovado o fato. Diante da impossibilidade de abrir processo administrativo, foi registrado um Boletim do Ocorrência. "Em virtude desse processo, o contador foi afastado do seu cargo por ordem judicial em 12 de agosto de 1999. De onde se pode concluir que, em nenhum momento houve contra o contador perseguição política".

Persin alega que fez sim uma retirada de R$ 1,5 mil, em 16 de novembro de 1998, para viajar até a capital Federal. "Mas, somente agora, pelo jornal, fiquei sabendo que meu ato foi irregular". O prefeito joga a responsabilidade para o contador, alegando que este foi quem autorizou a retirada. "Devia ter me alertado, na ocasião, sobre a impossibilidade do meu pedido". Para Persin, esta atitude foi tomada com vistas a prejudicá-lo, demonstrando "o maquiavélico espírito do contador-pastor".

O prefeito alega que gastou apenas R$ 441,51, não ultrapassando o limite de retirada que é de R$ 450. Ele diz também que viajou de ônibus e se hospedou em casa de amigos; tudo pensando na economia para a municipalidade.

Em relação a acusação que também será averiguada pela CPI, de que a dívida municipal chegaria perto de R$ 1 milhão na sua administração, o prefeito se defende apresentando outros gastos. Pela ordem: pagamento do décimo-terceiro relativo a 98, num total de R$ 104 mil; pagamento de precatório do espólio da família Cunha Castro, herdado de ex-prefeitos, no valor de R$ 288 mil; reforma da Santa Casa de Misericórdia para instalação do Pronto Atendimento Médico Municipal, no valor de R$ 96 mil; compra de terreno para regularização do sistema de lixo urbano, gastando até agora R$ 30 mil; perda de 15% da arrecadação pela não municipalização do ensino, calculado em R$ 433 mil, de 98 até junho de 99; gastos com folha de pagamento, incluída na dívida segundo o prefeito, que corresponde ao valor médio de R$ 232 mil.

O prefeito nega também que tenha sido convocado pelo Sindicato dos Servidores Municipais e pelo Ministério Público para regularizar o problema do caixa previdenciário. "Eu não fui convocado por nenhuma das entidades para nada. Isso não quer dizer que tal fato não possa ocorrer no futuro". Persin alega que a verba "emprestada" junto ao caixa previdenciário foi para pagar o décimo-terceiro de 98.

Quanto aos horários praticados por funcionários de confiança do prefeito, ele diz que regularizou os horários de todos os funcionários, deixando-os equivalentes. Alega também que os funcionários de confiança trabalham em casa e em horários que muitas vezes extrapolam a quantidade de horas que deveriam cumprir.