08 de julho de 2026
Geral

Pesca esportiva

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 4 min

Black bass: o imigrante esportivo

Black bass: o imigrante esportivo

Texto: Roberta Mathias

Quem busca esportividade e emoção pode se satisfazer com o valente black bass, um peixe que chegou ao Brasil modestamente e, hoje, já conquista muitos pescadores.

Muito procurado por sua esportividade e até por ser um peixe polêmico, o black bass tem encontrado admiradores em todos os cantos, porém, uma certa dúvida paira com relação ao seu apetite. Como o tucunaré, o black bass é carnívoro, que se alimenta de pequenos peixes, insetos, larvas e rãs e, acreditam alguns, poderia estar se alimentando de peixes típicos dos rios brasileiros.

Talvez exista um certo "preconceito" por ser o black bass um peixe estrangeiro. Ele é de água doce, possui uma coloração esverdeada e foi introduzido no Brasil, em 1922, por Jair Lins, em Minas Gerais. Apesar de muita discussão a respeito do assunto, o fato é que o black bass está deixando muitos pescadores brasileiros interessados em sua esportividade e já pode ser encontrado em São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

O black bass (Micropterus salmoides) é originário do Canadá, mas é nos Estados Unidos onde faz mais sucesso e conquistando espaço na maioria dos campeonatos. Esportivo, a espécie é também uma das preferidas dos adeptos das iscas artificiais. Com um ataque ofensivo, o black bass oferece aventura nas águas mansas da represa.

Às vezes, é possível atraí-lo para a superfície, mas o ataque é mais garantido com as iscas de meia água. Como o tucunaré, nosso embaixador, tocos, galhos submersos e até pilares de pontes não devem ser desprezados pelos pescadores como possível esconderijo do black bass.

A desova do black bass, no Brasil, ocorre de setembro a dezembro, ou seja, no auge da primavera. Cuidadosa com a sua cria, a fêmea prepara um ninho, que pode chegar a um metro de diâmetro, no fundo da represa, e lá deposita cerca de quatro mil ovos. Após a eclosão, o macho cuida dos filhotes como um cão de guarda por aproximadamente 30 a 40 dias.

Para quem pretende iniciar na pescaria do black bass, seja no Brasil ou nos Estados Unidos, há estímulo ainda maior. O pescador que quebrar o recorde de 10.092 kg receberá, dos inúmeros fabricantes de material de pesca dos Estados Unidos, a quantia de 1 milhão de dólares e mais 1 milhão da empresa Berkley se o peixe capturado tiver sido atraído por uma de suas iscas artificiais. Não

é uma tarefa fácil, mas pode ser um bom desafio.

O recorde brasileiro de black bass é um exemplar de 2.550 kg capturado por Roald Andretta, na Represa de Capivari, no Estado do Paraná. Nos Estados Unidos, o recorde é um exemplar de 10.092 kg capturado por George Washington Perry, no Lago Montgomery, no Estado da Georgia em 2 de junho de 1932.

A polêmica

Para quem acredita que o black bass e outros peixes com as mesmas características poderiam atrapalhar o desenvolvimento da vida aquática, vale lembrar que antes mesmo desses peixes

(o tucunaré é um deles) habitarem as represas, as espécies nativas estavam impedidas de se reproduzir devido a construção de barragens. Essas grandes barreiras, que estão em muitos pontos dos rios brasileiros, impedem que os peixes de piracema como o dourado, o lambari, a piraputanga e outras espécies possam subir o rio para reproduzir. O ritual da procriação não pôde mais ser realizado em diversos rios importantes.

A solução encontrada foi a implantação de pisciculturas que acompanham as espécies de cada região e repovoam os rios. Uma alternativa artificial, mas que vem povoando nossas águas. Uma proposta são as escadas para peixes. Mas as poucas que existem no País ainda insuficientes.

A barragem de Porto Primavera, por exemplo, tem uma escada para peixes construída após muita pressão de ambientalistas. Mesmo assim, a escada possui apenas 5 metros. Segundo um dos maiores especialistas no assunto, o biólogo Manuel Pereira de Godoy, existem 36 escadas ou passagens para peixe construídas no Brasil, mas menos de 1/3 delas têm adequação perfeita.

Dessa forma, fica difícil saber o que está errado, a colocação de peixes nas represas, que podem se reproduzir e revitalizar o local, inclusive estimulando a pesca esportiva e o turismo, ou insistir na idéia de que esses peixes poderiam estar acabando com as espécies nativas, que já foram impedidas de viver em seu habitat devido às barragens, assoreamento e poluição. Fica a questão para o futuro.