07 de julho de 2026
Geral

Afastamento do prefeito

Redação
| Tempo de leitura: 2 min

Vice assume Prefeitura de Ourinhos

Vice assume prefeitura em Ourinhos

Prefeito afastado vai entrar com recurso no Tribunal de Justiça contra a decisão da juíza que o afastou anteontem do cargo

Ourinhos - O vice-prefeito de Ourinhos, Clóvis Chiradia

(PPS) assumiu a Prefeitura interinamente ontem às 18 horas, após aguardar durante toda manhã, a citação do prefeito Toshio Misato (PSDB) que foi afastado do cargo anteontem numa decisão da juíza substituta da 1ª Vara, Marta Rodrigues Maffeis.

Misato é acusado de omissão nas apurações de desvio de dinheiro público e de fraude em licitações. O afastamento de Misato ocorreu com base em ação de improbidade administrativa ajuizada pelo promotor de Justiça, Adelino Lorenzetti. O prefeito estava fora do município quando saiu a sentença. Ontem, a assessoria de imprensa da Prefeitura informou que Misato deve recorrer da decisão.

A promotoria passou a apurar o caso depois que a Câmara arquivou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), cujo relatório apontava envolvimento do chefe de gabinete Flávio Moraes e dos diretores Helio e Murilo Moraes em falsificação de documentos e irregularidades em licitações.

Descontente com atuação do Legislativo, o vereador José Carlos Vieira dos Santos (PSDC) enviou farta documentação ao Ministério Público comprovando esquema de corrupção.

A Engesp Engenharia e Comércio Ltda. pertencente a dois sócios "laranjas" o pedreiro Antonio Teodoro e Renilde Colombo que sequer se conheciam era controlada por assessores do prefeito. Os três também estão sendo processados. A empreiteira venceu licitações para prestar serviços de mão-de-obra à Prefeitura, na construção de quadra e reforma de escola.

Pelo menos um cheque de R$ 14.900 - repasse de verba de convênio do Ministério da Agricultura - foi depositado na conta da ex-secretária do chefe de gabinete Teresinha Borek. Após demitida do cargo, ela revelou à Promotoria o esquema de corrupção. Teresinha contou que o prefeito e sua mulher, Yoko Misato, foram informados sobre o desvio de dinheiro em maio, antes da abertura de CPI na Câmara. O prefeito pediu sigilo à funcionária por achar a denúncia muito grave.

Misato só demitiu os envolvidos depois de forte pressão política, embora tenha entrado na Justiça contra a votação do relatório da CPI que o acusava de omissão nas apurações.

A ação civil constatou falsificação de documentos públicos, de cartas-convite, de empenhos e um contrato entre a prefeitura e a empreiteira.

Misato desobedeceu em outubro à ordem judicial para suspender o pagamento à empreiteira investigada pela Justiça. O prefeito não foi encontrado ontem na cidade. O assessor de imprensa da Prefeitura Luiz Alberto de Mello informou que "O prefeito demitiu os envolvidos após a conclusão da sindicância interna. Não houve conivência", afirmou Mello. O assessor disse que o prefeito vai entrar com recurso no Tribunal de Justiça contra a decisão da juíza de Ourinhos. "Ele não teve direito de defesa. Não foi nem intimado para depor na CPI da Câmara."