Em busca da paz
Em busca da paz
Texto: Roberta Mathias
Paz é uma palavra conhecida de todo mundo, mas na verdade a gente nem sabe direito o que é viver em paz. Uns acham que para se ter paz é preciso estar de bem com Deus; outros acham que para se ter paz é só acabar com as guerras; há quem acredite que ter paz é ter um prato de comida. Talvez todas essas coisas juntas e mais alguns ingredientes possam realmente representar a paz, o bem-estar desejado pelas pessoas. Hoje, o planeta vive um período muito distante da paz, com a destruição da natureza, as guerras, a fome, a miséria e, até, brigas entre famílias. Encontrar paz está um pouco difícil, não
é? Mas em meio a tantas confusões, há também a preocupação em se buscar essa tão falada paz. Em Bauru, foi criado pelo Departamento de Ciências Humanas da Unesp/Faac, no dia 16 de novembro, o Núcleo de Tolerância para uma Cultura de Paz na América Latina e no Caribe, coordenado pelo professor de filosofia Clodoaldo Meneguello Cardoso, que pretende desenvolver estudos, pesquisas, documentação e divulgação em torno da tolerância e dos direitos humanos. O Núcleo vem atender às recomendações da Unesco, uma entidade mundial, que foi criada em 16 de novembro de 1945, para promover a paz e os direitos humanos com base na "solidariedade intelectual e moral da humanidade". Então, o Núcleo vai levar informações e idéias para que as pessoas comecem a se preocupar um pouquinho mais com o mundo onde vivem. E, é claro, a criança é peça fundamental desse processo. A meninada também estará fazendo parte dessas discussões, de uma forma mais interessante, e realizando ações que modifiquem o mundo. A tolerância
é o primeiro princípio para se alcançar a paz. Por isso, em 1995, Ano Internacional da Tolerância, iniciou-se essa campanha que pretende fazer do ano 2000 realmente o Ano Internacional da Paz. Para você entender na prática como pode estar colaborando, leia atentamente e sem pressa o Manifesto 2000 (no boxe ao lado) e comece a prestar bastante atenção na sua vida. As pessoas não precisam mudar a sua cultura, aliás, respeitar as crenças de outros povos é fundamental, não esquecendo de valorizar a sua própria cultura. Isso é chamado de pluralidade. Hoje vivemos a riqueza da pluralidade. Você tem amiguinhos de religião diferente da sua? Então, isso é um exemplo de pluralidade. E acontece em todos os aspectos. O professor Clodoaldo explica:
"É importante valorizar os outros povos, outras culturas, sem esquecer as suas raízes. É um processo de mão dupla e ninguém é melhor que ninguém". O professor conta que, há dois anos, a Unesco reuniu crianças do mundo todo em Paris (capital da França) para conversar, cantar e brincar. Elas fizeram trabalhos e mostraram como é possível viver na diversidade. Apesar das culturas diferentes, todas as crianças gostam de brincar. O que deve ter acontecido
é que algumas tinham brincadeiras conhecidas, outras mostraram novas brincadeiras. Houve uma troca muito grande de informações, o que é muito interessante!
Abaixo-assinado
Uma idéia muito legal que está sendo colocada em prática em Bauru é o abaixo-assinado das crianças. Em vários países, inclusive no Brasil, está sendo feito o abaixo-assinado dos adultos. A pessoa lê o manifesto e, se concordar, assina uma lista que é enviada para a Unesco. Em Bauru, o Núcleo pela Tolerância está fazendo o abaixo-assinado das crianças e dos adultos. As escolas que tiverem interesse em participar podem solicitar o impresso para o Núcleo, que acompanha o texto do Manifesto 2000 (o mesmo que está no boxe). O abaixo-assinado terá o nome da criança, a data de nascimento, o telefone e o e-mail (se tiver). Depois de assinado, as folhas serão enviadas para a Unesco. É importante que você tenha o texto em casa para que acompanhar o que está escrito. Não vale assinar e esquecer! O professor Clodoaldo está
à disposição dos interessados para que todos possam ter acesso ao material e desenvolvam projetos que visem um mundo de paz em 2000. O momento especial de toda a campanha deve ser no dia 14 de setembro, Dia Internacional da Paz. Quem sabe, até lá, muita coisa já tenha melhorado em nosso planeta e as pessoas estejam mais solidárias, respeitando a natureza e outros povos.