07 de julho de 2026
Geral

Preço dos combustíveis

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 4 min

Álcool varia 32% em Bauru

Álcool varia 32% em Bauru

Texto: Márcia Buzalaf

O preço do litro do álcool nos postos de Bauru está variando entre R$ 0,67 e R$ 0,889. Apesar da atual diferença de 32% entre uma revenda e outra, o litro do combustível pode ficar mais caro já na próxima semana. Para o diretor-presidente da Flag Distribuidora de Petróleo, Francisco Simões Barbosa, os preços devem se estabilizar entre R$ 0,85 e R$ 0,90.

Os recentes reajustes no preço do álcool, além de influenciarem o valor cobrado pelo litro da gasolina, estão sendo chamados de motivadores da elevação do índice de inflação em outubro deste ano.

Barbosa afirma que o controle que o governo está fazendo dos estoques excedentes de álcool é injusto porque prejudica a livre negociação entre usinas e distribuidoras. Agora, quem faz a comercialização do combustível para as distribuidoras são estas entidades.

A Bolsa Brasileira de Álcool (BBA), criada em maio deste ano, e a Brasil Álcool, fundada em fevereiro, estão sendo avaliadas pela Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda (Seae) e pelo Cade pela possível formação de cartel, já que as duas entidades concentram 75% e 82% de toda a produção do Centro Sul.

O preço do combustível hidratado sem a incidência do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviço

(ICMS), previsto pela Brasil Álcool para dezembro, é de R$ 0,41 e, o litro do álcool anidro, deve ser comercializado por R$ 0,48.

Isso significa que as distribuidoras devem pagar este preço pelo litro do combustível para o próximo mês. A este preço, também devem ser somados os impostos que incidem sobre o combustível. Em cima deste valor, são adicionados 25% do ICMS da operação de venda e o ICMS sobre a diferença entre o preço pago e o preço de venda da distribuidora. O valor terá a incidência de 25% relativo ao ICMS do posto de revenda.

Barbosa diz que, atualmente, a soma de todos os impostos sem a margem de lucro da distribuidora e do posto resulta em um preço médio de R$ 0,68. "Este preço é sem lucratividade nenhuma", explica.

No final de agosto, quando um acordo estadual foi assinado para incentivar a produção e a venda de carros a álcool, o próprio diretor-presidente da empresa afirmou que a diferença entre a gasolina e o álcool - que na época era de 155% - deveria ser reduzida logo. E foi. Naquele período, o litro do álcool custava R$ 0,49 para o consumidor final, uma diferença de mais de 81% em menos de três meses.

Atualmente, o preço do álcool hidratado nos postos pode ser encontrado por R$ 0,67, R$ 0,699, R$ 0,87, R$ 0,889. Para Barbosa, o preço deve chegar a R$ 0,85 já na próxima semana.

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Revendedores de Petróleo (SincoPetro), Davilço Graminha, não quis se pronunciar a respeito do assunto quando procurado pela reportagem.

Concessionárias não vendem nem 10% de carro a álcool

O acordo feito para reativar a produção e venda de carros a álcool fechado em agosto com o Estado de São Paulo - que prevê isenção do IPVA para os carros novos a álcool mais uma cota de mil litros do combustível

- frustrou as concessionárias de Bauru. Os novos modelos a álcool não chegam a representar 10% da demanda.

Para grande parte das concessionárias, o maior vilão desta história é o aumento do preço do litro do álcool. A GM não voltou a produzir o carro a

álcool; a Fiat, a Volkswagen e a Ford, mantiveram a produção.

Ruy Karg, 38 anos, supervisor de vendas da Meta Veículos, acredita que a credibilidade do governo está abalada e, por isso, a falta de resposta da população ao acordo.

"A credibilidade das ações do governo é que prejudicaram as vendas", diz.

A expectativa das concessionárias era de crescimento das vendas do carro a álcool, mas elas quase se mantiveram estáveis. Segundo Carlos Cachoni, gerente de vendas da Baurucar, não houve o "estouro" de vendas esperado pelo setor. Para ele, a venda não aumentou porque o preço dos combustíveis foi consecutivamente reajustado desde então. Os responsáveis pela venda de carros a álcool afirmam também que a qualidade do veículo melhorou muito nos últimos anos e nada mais se difere dos modelos a gasolina.

Do outro lado, estão os consumidores que compraram o veículo a álcool. Muitos deles se sentem lesados por terem comprado o carro para aumentar a economia quando, na verdade, a diferença entre os dois tipos de combustível está diminuindo cada vez mais.

Um dos consumidores que procurou o jornal para reclamar da situação comprou um Uno a álcool para economizar nas viagens a trabalho quando o acordo foi fechado. Como ele anda 6 mil Km por mês, seu gasto com gasolina era de R$ 567,70 (com o carro fazendo 13 Km por litro). Com o carro a álcool, que faz aproximadamente 9 Km por litro, o gasto seria de R$ 466,70. A diferença entre encher o tanque com os dois combustíveis seria de R$ 101,00. "Agora, já não compensa mais", garante um consumidor.