Administrador da AHB diz que qualidade é o caminho
Administrador da AHB diz que qualidade é o caminho
Texto: Paulo Toledo
O novo administrador da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), Cid Santaella Redorat, 62 anos, está apostando na melhoria da qualidade para dar competitividade aos hospitais da entidade e tirá-los da crise. Ele deve apresentar, hoje, para a diretoria da entidade seu plano de trabalho. O administrador disse ainda não estar definido o cargo que vai ocupar no organograma da associação. Mas, deverá ser um cargo que responderá, apenas ao presidente Joseph Saab, ou seja, acima dos atuais gerentes e administradores. O dinheiro de ajuda do Estado só deverá chegar quando o secretário estadual de Saúde, José Guedes, visitar Bauru para dar a posse oficial a Redorat.
Ele evitou falar em valores que o Estado vai repassar para a AHB. Por outro lado, segundo informações extra-oficiais, emergencialmente, a entidade necessita de cerca de R$ 2 milhões para pagamento de honorários médicos atrasados, cobrir o banco e pagar o 13.º salário dos 1.203 trabalhadores. Joseph Saab disse que o pedido feito a Guedes foi de um repasse mensal equivalente à folha de pagamento, que é de R$ 500 mil (líquida) ou R$ 690 mil (com encargos). Saab também disse não saber qual será o valor da ajuda que o Estado destinará à entidade.
Redorat disse que tem um relatório de auditoria, que foi feito pela Secretaria Estadual de Saúde, com aval da AHB, que mostra a necessidade de alguns ajustes na estrutura organizacional da entidade. O relatório recomenda mudança nessa estrutura.
O administrador disse que é necessário ter uma visão sistêmica do hospital, na qual o hospital deve estar dentro do contexto da comunidade, regional e estadual. Evasivo, Redorat evitou detalhar que tipo de mudanças deve propor, hoje para a diretoria da AHB.
O administrador disse que teve uma excelente receptividade do presidente da AHB, Joseph Saab, e do presidente do Conselho, Moussa Tobias. Redorat disse que pretende reestruturar as atividade da entidade com base no "Plano Nacional de Qualidade 2000", elaborado pela Fundação Nacional para o Prêmio de Qualidade (FNPQ), que determina critérios de excelência no desempenho de empresas e entidades.
O médico, que é especializado em administração hospitalar pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), disse que os hospitais são empresa, porém mais complexas, pois administram conflitos internos. Redorat disse que, até agora, só conhece da AHB o relatório da auditoria que teve acesso, mas que não falou sobre. Ele disse que teve uma boa surpresa, na última sexta-feira, quando visitou pela primeira vez o Hospital de Base, pois a imagem que tinha era de um prédio muito ruim, que chamou de "casa das bruxas" que havia tido contato em 1975, quando fez uma vistoria pelo ex-Inamps.
O administrador tentou minimizar os problemas das dívidas da AHB, porém, admitiu que o maior problema é o débito com o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), que cobra da associação cerca de R$ 20 milhões, dos quais a entidade só reconhece R$ 4,2 milhões.
Para Redorat, o caminho para a AHB é trabalhar no sentido de tornar os hospitais mais competitivos no mercado, num processo de médio prazo, que ele prefere não delimitar o tempo necessário para isso. Ele disse que a proposta que está apresentando para a diretoria é séria e viável. Disse não acreditar no risco de que se possa anunciar, novamente, a paralisação do atendimento dos hospitais, como vinha sendo feito pela direção da AHB em razão de problemas financeiros.
O administrador disse que o número de 1.203 empregados
é razoável para o número de leitos oferecidos pelos três hospitais da AHB - Hospital de Base, Maternidade Santa Izabel e Hospital Manoel de Abreu. Ele disse que o Estado vai cooperar com ajuda técnica e financeira para tornar a estrutura da AHB viável por mais tempo.
Redorat disse que a quantidade de dinheiro que o Estado deve investir na associação depende do potencial de equilíbrio futuro. "Por isso, bato na tecla que, se quer provar que existe potencial é necessário ter uma estrutura organizacional compatível para que os objetivos sejam alcançados", afirmou, lembrando que, estrategicamente, a situação está bem direcionada e é muito boa.
O médico disse que não vai se mudar para Bauru, por enquanto. Ele virá de Catanduva, onde mora a família, nas segundas e voltará nas sextas feiras.
Minicipalização
Redorat, que foi o secretário da Saúde de Catanduva responsável pela municipalização, nega que sua vinda a Bauru possa ser um preparativo para se criar condições de municipalização dos hospitais da AHB.
Defensor do sistema municipalizado pleno, ele diz que, para Catanduva, a municipalização trouxe grande vantagens, tanto na área técnica quanto na área financeira. Porém, disse que a decisão de municipalizar é do prefeito e que não gostaria de discutir o assunto sobre Bauru.