Presos fogem da Cadeia Pública em Bauru
Presos fogem da cadeia pública de Bauru
Texto: Rita de Cássia Cornélio
Quatro presos da Cadeia Pública de Bauru conseguiram fugir do presídio na tarde de domingo. Eles serraram a grade da cela e do pátio e ganharam a rua. Nenhum deles foi recapturado até o início da noite de ontem.
O plano de fuga foi colocado em prática, pela primeira vez no sábado, segundo o delegado diretor da cadeia, Ronaldo Divino. "Na sexta-feira, fizemos uma blitz em todas as celas. Não encontramos nada além de pedacinhos de serras", relatou.
Na madrugada de sábado o carcereiro de plantão, de acordo com o delegado, percebeu que os presos do xadrez número seis estavam se movimentando."Eles haviam serrado a grade da janela. A fuga foi impedida e os presos transferidos para o
"x-3", até que a grade fosse reparada.
Após o conserto, os presos retornaram para o xadrez seis. Na manhã de sábado, os funcionários encontraram pequenos pedaços de serra no pátio da cadeia. "As grades foram checadas e não havia nenhuma serrada."
No início da tarde de domingo, por volta das 14 horas, os funcionários ouviram um barulho anormal no pátio e perceberam que os quatro presos do "x-6" estavam fugindo.
"Eles serraram a grade da cela foram para o pátio e subiram, com escada humana, até a tela de proteção superior do pátio. Danificando-a, eles conseguiram a liberdade."
O delegado pede para que a população ajude a recapturar os presos. "Qualquer informação sobre o paradeiro deles pode ser passada para o telefone 190 ou 147."
Nova tentativa
Na madrugada de segunda-feira, os presos da cela número 8 tentaram fugir. Segundo o boletim de ocorrência, eles serraram a grade da janela.
A fuga foi impedida pelos funcionários da cadeia, que através do circuito interno de televisão viram um preso no pátio. Ao retornarem o preso para a cela, notaram que a grade estava serrada e que, provavelmente, os 12 presos fugiriam pela abertura.
Superlotação
Com capacidade para acolher 72 presos, a Cadeia Pública de Bauru está com 150, o que influencia na acomodação deles. Só em Bauru há dois presídios da Coespe.
De acordo com o diretor da cadeia, em média, a Coespe concede cinco vagas. "Estamos pleiteando vagas no sistema penitenciário. Estamos tentando conseguir cerca de 30 vagas para amenizar a situação."
Festas natalinas
O Carnaval e as festas de final de ano são consideradas críticas para as cadeias e presídios. É neste período que os presos mais tentam fugir, segundo Divino.
"Acho que bate o desespero, eles ficam agitados e querem fugir."
A psicóloga Angélica Christiano acredita que, para uma pessoa que está há muito tempo no cárcere, a sensação de vazio e abandono é muito forte.
"A fuga é o resultado de uma conjunto de insatisfações", explicou.
Dentre as insatisfações do preso, a psicóloga destaca: "Nesta época do ano, todo ser humano fica com alguns sentimentos aguçados. Querem ficar com a família e resgatar valores. Percebem que não podem fazer nada disso e pensam e praticam a fuga."
O desejo de liberdade é tão intenso em que está privado dela, segundo Christiano, que supera o medo. "Eles não sofrem o medo na mesma intensidade que a gente, porque já passaram por muitas situações perigosas. Desejam tanto a liberdade que, para eles, o perigo é praticamente nulo."
A psicóloga lembra que mesmo os presos que são beneficiados e podem passar as festas com a família, podem não querer retornar. "Lógico que quando eles tem a perspectiva de passar um tempo com a família é melhor. Só que ele vai querer prolongar esse tempo. O que pode levar a pessoa a não voltar ao presídio".
Fugiram
* Vanderley Ribeiro Correia,
condenado a 20 anos de reclusão por latrocínio em regime fechado.
* Jean Carlos Miotto, sem sentença, aguarda julgamento. Responde por roubo.
* Élio Gonçalves Ferreira, conhecido por "Nezão", aguarda sentença, responde por tráfico.
* Josenildo de Oliveira Gonçalves, condenado por tráfico a 4 anos de reclusão em regime fechado.
Indulto de Natal
Os presos do Instituto Penal, beneficiados com o indulto de Natal, serão liberados no dia 23 de dezembro e terão de retornar ao presídio no dia 5 de janeiro. O diretor do presídio, Edilson Neves Araújo Valim, ainda não tem o número de presos que serão beneficiados. "Todos os anos, de 10 a 15% deles ficam, os demais são beneficiados. Hoje, temos 735 presos."
Valim frisa que a maior parte dos presos são da Capital.
"Eles viajam com o dinheiro que a família manda, o Estado não paga as passagens", finalisou.