Câmara livra Persin de Processante
Câmara livra Persin de Processante
Texto: Marcos Zibordi
Vereadores nem quiserem apurar a autenticidade da gravação e recusaram e denúncia de propina
Piratininga - Os vereadores de Piratininga frustraram anteontem a expectativa dos cerca de 50 cidadãos que compareceram
à última sessão legislativa do ano. Por sete votos, eles recusaram a aceitação da fita gravada e livraram o prefeito Armando Persin (PSDB) de uma Comissão Processante que investigaria a declaração de um empreiteiro que dizia pagar propina para o prefeito.
A denúncia estava protocolada há sete dias. Minutos antes do início da sessão, os vereadores ouviram a gravação numa sala reservada. Na pauta do dia, além do protocolo da fita, um ofício do prefeito relacionando todas as empresas pretadoras de serviço. Ela pedia para a Câmara aceitar aquilo como suficiente para o não prossegimento das investigações. "Arquive-se", determinou a presidente Maria do Carmo Soares Mendes (PDT).
Quando foi aberta a discussão sobre a aceitação ou não da fita-denúncia, o vereador Argemiro Parizoto
(PMDB) foi o primeiro a se manifestar. Ele defendeu veementemente o prefeito e acusou o contador afastado Claudinei Geraldo de estar caluniando, entre outras acusações mais sérias que constaram em ata. "Eu estou investigando (na CPI já instaurada) e provavelmente peço para o prefeito processá-lo". Ele disse ter também um ofício do chefe de fiscalização do INSS sobre possíveis irregularidades cometidas por Geraldo.
"A gente deve rejeitar este pedido", disse, em relação
à fita que nem ouviu. "Eu não ouvi essa fita nenhuma vez e nem me interessou ouvir".
O vereador José da Graça Oliveira (PFL), que protocolou a gravação na Câmara Municipal e no Ministério Público, naturalmente defendeu a aceitação da fita sob o argumento de que não se tratava de acusação prévia, mas sim de averigação, obrigação dos vereadores e função para os quais são pagos.
O terceiro e último vereador a se pronunciar foi Antonio Alves Rodrigues (PFL), que pediu um novo laudo sobre a gravação para tomar qualquer atitude. Mas seu pedido não encontrou eco no ouvido dos outros colegas que preferiram ignorar a denúncia e arquivar o pedido.
Por sete votos contrários, rejeitaram o material. O denunciante não votou por ter sido o autor do protocolo e outro foi favorável. São nove vereadores.
No mesmo minuto em que foi rejeitado o pedido, os presentes começaram gritar "queremos CPI, queremos CPI". Mas a presidente da Câmara explicou didatica e educadamente (ela é professora) que eles podiam sim assistir, mas não se manifestar. Eles então se calaram. Acabou assim a última sessão legislativa do ano em Piratininga.
CPI conclui investigação em 15 dias
O relator da CPI, vereador Argemiro Parizoto, após uma tentativa frustrada de barganhar informação com a reportagem, decidiu informar sobre os trabalhos da CPI que investiga: endividamento da prefeitura em cerca de R$ 1 milhão em um ano; horário de funcionários do primeiro escalão; retirada para despesa de viajem pelo prefeito e dívida junto ao Caixa Previdenciário da ordem de R$ 150 mil.
Num primeiro momento, o vereador se negou a prestar informações sobre a CPI caso o repórter não transformasse em matéria a acusação do vereador José da Graça de Oliveira, que disse possuir cartas-denúncia contra a administração. Parizoto pediu para que a acusação constasse em ata durante a sessão. Sem conseguir, ao final da sessão, após a reportagem procurar a presidência da Câmara, ele decidiu falar. Segundo ele, a CPI não irá investigar o endividamento da prefeitura. "Nós estamos colhendo as provas documentais, vamos fazer as conclusões e no prazo de dez, 15 dias, a gente dá o relatório final".
Para Parizoto, não será necessário ouvir o depoimento de nenhuma pessoa, porque considera que os documentos recolhidos até agora são suficientes para concluir a investigação.
O vereador Argemiro Parizoto (PMDB) é o relator da CPI, Joaquim Carlos de Matos (PDT) é presidente e Francisco Silvestre Filho (PFL) é o membro.