Pesqueiro faz campeonato e divulga culinária de pesca
Pesqueiro faz campeonato e divulga culinária da pesca
Texto: Roberta Mathias
Pescar é muito bom. Traz paz, emoção e alegria ao fisgar um grande exemplar. Mas consumir o rico produto da pescaria também traz muitos benefícios.
O primeiro pesque e pague de Bauru, inaugurado há 5 anos, acredita no turismo e investe cada vez mais no bem-estar do pescador e sua família. O engenheiro agrônomo, com especialização em piscicultura, Sérgio Sakai é o proprietário do Pesqueiro Sakai, fruto de um trabalho desenvolvido pelo pai, imigrante, que há mais de 20 anos possui lagoas para a pesca. Naturalmente o filho foi aprendendo e transformando o lugar no pesque e pague como é conhecido hoje.
Tilápias, pacus, matrinxãs, pintados, traíras, piauçus fazem parte da grande diversidade de peixes que pode ser encontrada em seus tanques. Dividido em duas partes, o Pesqueiro Sakai possui uma área com dois tanques, um específico para tilápia, e em uma outra região fica localizada a grande lagoa, com 35 mil metros quadrados. A lagoa está sendo adequada com infra-estrutura para receber o pescador mais experiente.
Sakai explica: "Desde 95, começamos a ter problemas com enxurrada que estava assoreando a lagoa. Em épocas de chuva, a água corria e levava tudo. Agora, construímos um duto para a enxurrada e a lagoa ficou livre deste problema". Além dos pacus, piauçus, tilápias, corimbatás, carpas (algumas que chegam a 25 quilos) e muitos lambaris, a lagoa abriga trairões há mais de 9 anos e está recebendo os esportivos matrinxãs. "O lugar exige um pouco mais do pescador. Os peixes estão lá, mas
é preciso técnica e habilidade para a pescaria."
Na lagoa, o pescador paga e pesca. A taxa é de R$ 5,00 e o visitante leva todos os peixes que fisgar e não precisa pesar. Sakai explica que no próximo ano estarão investindo na parte paisagística do lugar. As idéias de Sérgio vão longe e chegam ao turismo rural, na valorização da cultura japonesa, que sempre esteve presente na região. "Meu pai mora aqui há quase 50 anos. Este lugar era colônia da fazenda Val de Palmas, importante marco na história do café brasileiro." Com seus conhecimentos nesta área, Sérgio também tornou-se consultor do Sebrae na área de turismo rural e agronegócio, ministrando palestras e oferecendo vários cursos específicos, inclusive para o desenvolvimento da pesca.
Ele acredita que a região de Bauru possui consumidores para todos os pesqueiros que, unidos, poderiam desenvolver muitos projetos e promoções. "Comprar peixes, equipamentos, desenvolver atividades em conjunto é muito mais fácil e produtivo. Já convidei diversos pesqueiros para que pudéssemos fazer um grande campeonato de pesca, por exemplo, mas não obtive retorno", conta Sakai.
Entusiasta, Sakai acredita na possibilidade de crescimento do setor, porém é duro ao avaliar as condições atuais. "Hoje as pessoas abrem pesqueiro sem fazer pesquisa, sem conhecer o básico da área, espera lucro imediato, faz investimentos desnecessários e, muitas vezes, acaba fechando. O brasileiro precisa ter visão empresarial e trabalhar com planejamento." Mesmo com experiência na área, Sérgio é cauteloso e não deixa de investir em sua propriedade.
Em outra parte, o pesqueiro possui dois tanques: um específico para tilápias e outro com pintados, matrinxãs, pacus, piraputangas e piauçus. Esses tanques são mais procurados e estão próximos à lanchonete, que oferece uma grande variedade de pratos a base de peixes do local. "Sempre busquei alternativas para tornar o peixe um prato gostoso de se consumir, apesar do brasileiro não ser muito habituado", conta. O filé de tilápia é o carro-chefe do Pesqueiro e é oferecido em pratos diferentes. "Temos o sashimi, que é feito com filé de tilápia pescada no dia; há o filé à parmegiana; isca de tilápia frita; que custam R$ 5,00 a porção."
Outra vedete do Pesqueiro é o piauçu desossado e recheado. Para quem não quer ficar tirando espinhos do peixe, é uma boa pedida. A última novidade é a salga de piauçu. "Fazemos um 'bacalhau' de piauçu e fica muito bom", explica Sérgio, que conta com o apoio da esposa Regina na administração do pesqueiro.
"É preciso buscar idéias para colocar o peixe no cardápio da família. A salga de piauçu também é desossada", o que facilita o consumo."
Campeonato para as crianças
Nos dias 11, 12 e 18 de dezembro, a pescaria é para a garotada. O Pesqueiro Sakai programou o "Fisgando fortes emoções", um campeonato que pretende não só despertar a meninada para a pesca, mas principalmente despertar o espírito de solidariedade, pois a taxa de inscrição é um (ou mais) brinquedo usado em bom estado de conservação. A idéia é procurar mostrar aos pequeninos a importância do saber dividir. "Os brinquedos arrecadados serão doados às crianças do orfanato da Sociedade de Proteção
à Maternidade e à Criança (Paiva)."
Mas a turminha também ganha. Além da premiação com troféus para os 10 primeiros colocados, haverá sorteio de brindes e, no último dia, uma bela bicicleta com 18 marchas. Para participar, é só fazer a inscrição no Pesqueiro Sakai (pode ser no dia do campeonato) de acordo com a modalidade: até 9 anos e de 10 a 13 anos.
O critério para verificar os vencedores será pelo peso total dos peixes fisgados. Em caso de empate, será decidido entre quem pegar o primeiro peixe em um prazo de 10 minutos. Ah! É importante lembrar que será permitido apenas um equipamento de pesca (vara de bambu ou caniço), com um único anzol. Os pais poderão auxiliar somente na iscagem e na retirada do anzol da boca do peixe. A criança
é quem deverá fisgar. Cada dia será um novo torneio, com premiações independentes, é claro que aqueles apaixonados pela pesca vão querer participar todos os dias. O sorteio da bicicleta será no último dia e todos os participantes vão concorrer.
Dias 11 e 18 (sábados) - das 15 h às 16h30; e dia 12 (domingo) - das 10 às 11h30.
Apoio: Rotary International - Parque das Nações, Falcão Gravações, Nadart, Arapesca Art. para Pesca, Náutica e Camping e Bike e Cia.
O Pesqueiro Sakai fica na rodovia Bauru-Marília, Km 350, telefone (14) 972-9010. Taxa para a pesca é R$ 2,00 com direito a vara, isca e samburá. O quilo do peixe sai por R$ 3,80 a tilápia; R$ 4,50 o pacu e o piauçu; R$ 5,90 o matrinxã e a piraputanga; e R$ 12,00 o pintado.
*************História de pescador**********************************
Pescaria de estilingue
Caros amigos pescadores e simpatizantes deste seleto caderno que,
às quintas-feiras, ansiosos às vezes nem olhamos a "capa" do jornal, e vamos direto ao JC Turismo, tamanha a vontade de vermos e, por que não rir, das "histórias verdadeiras" aqui contadas. Pois então vamos a ela!
Conversando com meu tio Mário, mais contador de histórias do que pescador, ele me relatou que, juntamente com seus companheiros, em uma pescaria em Jupiá, numa noite de lua crescente, calorenta, passeava pela margem do rio, pois estava cansado de ficar no acampamento ouvindo o zumbido de pernilongos e os "roncos" da "companheirada", que com o cair da noite e um belo dia de pescaria, estava, depois do jantar, deitada de qualquer jeito, esticando os esqueletos.
Voltemos então ao tio Mário, andando na beira do rio, quando de repente um vulto sai de dentro d'água e entra novamente. Enquanto ele anda pela margem, o vulto o acompanha, saindo e entrando dentro d'água, lembrando as evoluções que um golfinho faz quando acompanha um barco. Depois da trigésima vez, saindo e entrando dentro d'água, e após percorrer uns cinco quilômetros atrás do "vulto", o sr. Mário, jogador de futebol que diz ter sido, e dos bons, sacou de um estilingue que sempre o acompanhava nessas aventuras e, num desses lances de sorte, acabou acertando bem no olho daquele
"vulto", no momento em que saía fora d'água, fazendo com que o "bicho" pulasse até a margem se debatendo em sua direção, obrigando o "caçador-pescador", num salto, cair em uma moita de cipó que estava ao lado.
Quando se levantou, viu na penumbra daquela noite que tinha acertado nada mais nada menos do que um belo jaú, de mais ou menos 67 Kg. Com o cipó perto, envolveu o peixão e daí foi fácil caminhar os cinco quilômetros, em "alguns minutos", até o acampamento com o "troféu" nas costas.
Os amigos não acreditaram no modo como ele, com uma simples
"estilingada", conseguiu acertar no olho do peixe, à noite e dentro d'água, mas foi o que aconteceu, diz o tio Mário. Resumindo, tiveram que voltar, pois não havia lugar para guardar o peixe, que limpo pesou 57 Kg.
Detalhe: O mesmo disse que não foi pedra e sim bolota de
"mamona", que estava em seu bolso, naquela noite em que soltou a "estilingada" em cima do peixe.
Se alguém não acredita nesta história, por favor não me comprometa, fale com o sr. Mário Garcia, o pescador que pesca com estilingue!
Até a próxima!
Fernando Alvarez
Mais conta histórias dos outros do que pesca, assim não dá!
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