Polícia captura fugitivo da Cadeião
Polícia recaptura fugitivo do Cadeião
Texto: Ieda Rodrigues
Vanderley Ribeiro Correia, 24 anos, que fugiu da Cadeia Pública de Bauru (Cadeião) no último domingo, foi recapturado anteontem à noite na Vila Industrial. Ele está condenado a 20 anos de reclusão por latrocínio e foi recapturado após figurar como testemunha de um incêndio a um carro, que teria sido criminoso, e de disparos efetuados no mesmo bairro. Correia só foi reconhecido como fugitivo na delegacia.
Policiais do Rádio Patrulhamento Padrão foram acionados para a quadra 1 da travessa Airo de Martino, onde um carro, o Chevette placas QA 7830, de Bauru, ano 74 estava em chamas, e teria havido disparos de arma de fogo. No local estavam o dono do carro, Élder Carlos da Silva, 25 anos, morador na Vila Santa Luzia, e Correia, morador na Vila Industrial, até então apenas testemunha dos fatos.
Silva disse aos policiais que o incêndio foi criminoso e o autor seria Reginaldo Félix Faria, também indicado por ele como o responsável pelos três disparos. O motivo apontado pela vítima seria vingança: há cerca de 15 dias, Faria teve R$ 12 mil furtados de sua casa por dois homens.
Dias depois, Correia e Sérgio Carlos da Silva foram presos sob a acusação de ter praticado o roubo e Silva chegou a ser suspeito de ter planejado a ação. Silva disse à polícia que, desde então, Faria passou a persegui-lo e anteontem à noite o localizou, na Vila Industrial. Faria teria chamado Silva para fora da residência, mas ele, temendo represália, não teria saído. Em seu lugar, teria saído sua namorada, a quem Faria teria feito a ameaça de incendiar o carro e mostrado uma arma.
Ainda segundo Silva, logo depois disso foram efetuados três ou quatro disparos e o carro começou a pegar fogo. Silva e Correia foram para a delegacia para registrar boletim de ocorrência, quando se descobriu, através de pesquisa em computador, que Correia era fugitivo do Cadeião.
É a segunda vez que Correia foge do Cadeião - a primeira foi em setembro. O tenente Flávio Jun Kitazume, comandante interino da 1.ª Cia, reclamou das freqüentes fugas e condições da Cadeia Pública de Bauru. Ele ressaltou que, além da superlotação, quase uma constância, devido ao fato do prédio ser pequeno para a demanda de Bauru, as condições não são adequadas.
Na opinião de Kitazume, por ser antigo, o prédio não oferece a segurança ideal para evitar fugas. Outro ponto questionado pelo tenente é o fato do Cadeião estar dentro da cidade, o que dificulta a recaptura de presos logo após as fugas - os fugitivos podem entrar nas casas ou misturarem-se entre os transeuntes. Para Kitazume, é preciso construir uma nova cadeia, com maior segurança, e em um local afastado da cidade.
Reeducando do IPA se joga de alojamento para fugir de agressão
Os agentes de segurança do Instituto Penal Agrícola
(IPA) de Bauru que estavam de plantão anteontem à noite, por volta das 22h15, depararam-se com o reeducando George Assis Lopes, 35 anos, que deveria estar no alojamento do andar superior do prédio, estendido no solo do térreo. Ele apresentava, entre outros ferimentos, fratura em uma das pernas.
Lopes foi socorrido ao Pronto-Socorro Central e retornou ao IPA após ser medicado. Ela não quis revelar detalhes, provavelmente com medo de represália, mas contou que se jogou do alojamento para o térreo fugindo de uma agressão que estaria prestes a sofrer.
Ele teria preferido os riscos da queda à agressão, mas não apontou quais seriam os reeducandos que estariam o ameaçando. O caso será investigado pelo 1.º Distrito Policial, que já instaurou inquérito policial para apurar os fatos.
Nota
Coronel Domingues morre de aneurisma
O tenente-coronel José Roberto Domingues, 50 anos, morreu ontem pela manhã em Bauru vítima de um aneurisma celebral. Ele estava internado no Hospital Beneficência Portuguesa e será enterrado hoje, às 8 horas, no cemitério de Reginópolis, sua cidade natal.
Domingues ingressou na Polícia Militar em 1968 e se aposentou no ano passado. Ele trabalhou na região de Bauru como tenente e, após ser promovido a capitão, assumiu o comando da 1.ª Cia. Depois, comandou a Cia de Presídios, em Pirajuí e a 2.ª Cia da Polícia Florestal.
Já como tenente-coronel, comandou o Batalhão Florestal de Birigui e, em seguida, foi subcomandante do CPA/I-9. Em 1997, se transferiu para Assis, onde comandou o 32.º BPM-I. No ano passado, ingressou para a reserva. O corpo de Domingues foi velado ontem na funerária Terra Branca e no final da tarde seguiu para Reginópolis, onde seria guardado toda a noite na Câmara Municipal.