08 de julho de 2026
Geral

Entidade assistencial

Adriana Rota
| Tempo de leitura: 5 min

Casa do Garoto comemora 50 anos de atividades filantrópicas

Casa do Garoto comemora 50 anos de atividade filantrópica

Texto: Adriana Rota

A Casa do Garoto, entidade localizada no Parque Vista Alegre e ligada aos padres rogacionistas, está comemorando 50 anos de fundação em Bauru. Aumentando o leque de atividades prestadas, a Casa do Garoto vai lançar, amanhã, o movimento "Cristo te Ama", que visa a recuperação de dependentes químicos.

O padre Antonio Carlos da Silva, que está à frente do projeto, trouxe a idéia do Estado do Paraná, onde trabalhou por um tempo, submetendo-a ao bispo dom Aloysio Leal Penna, que apoiou a iniciativa. No dia do lançamento

- que contará com a presença do bispo e autoridades, além de representantes de movimentos da Igreja que compõem a Pastoral Social - três ex-dependentes que foram para Londrina

(PR) receber treinamento e que coordenarão os trabalhos serão apresentados, bem como suas linhas de atuação.

O padre considera a proposta inovadora, já que descarta o internamento, trabalhando somente com grupos de mútua ajuda de, no máximo, 30 pessoas. O treinamento recebido pelos monitores permite que não haja a necessidade de outros profissionais, o que encareceria o trabalho. Outra vantagem é que deve se espalhar pelas comunidades da periferia da cidade, facilitando o acesso dos interessados. Pessoas participantes dos primeiros grupos receberão o treinamento quando estiverem aptas, dando continuidade.

Os encontros ocorrerão uma vez por semana e poderão ser feitos em salões paroquiais, centros comunitários ou residências. Da Casa do Garoto deve seguir um grupo para o Núcleo Gasparini, na Comunidade São Brás, outro na região do Mary Dota e assim por diante. Os interessados podem procurar o Willian (239-3850) a partir da próxima segunda-feira.

Atualmente, 150 crianças e adolescentes carentes de Bauru e região recebem ensino regular, assistência social, atendimento religioso, orientação vocacional, dentre outros. As famílias também são assistidas, passando por um acompanhamento periódico feito por equipes de voluntários da área de Promoção Humana. Ontem começam as festividades, com uma missa e a formatura dos alunos.

Mas as comemorações não páram por aí. Durante todo ano 2000 serão realizadas festas, serestas, quermesse, vigílias, Semana Vocacional, encontro com ex-alunos, Caminhada da Amizade, Semana Jubilar dos Rogacionistas e Semana Cultural. As atividades serão encerradas, novamente, em 15 de dezembro do ano que vem, com uma nova missa solene.

Toda essa estrutura é mantida, basicamente, através de doações da comunidade. Existem, também, os convênios em dinheiro, como de organizações internacionais através do qual as crianças são

"adotadas" (chegando a receber US$ 500,00 por mês, cada uma) e o da Prefeitura de Bauru, que fornece R$ 1.300,00. A Universidade do Sagrado Coração (USC) e a Universidade de São Paulo (USP) prestam serviços de Odontologia, Fonoaudiologia e Psicologia, através de estagiários.

Os garotos são atendidos em regime de semi-internato (das 6h30 às 18 horas), sendo abertas cerca de 40 vagas a cada ano, após comprovação de baixa renda. A maior parte dos garotos, no entanto, chegam à instituição por indicação das entidades que lidam com menores em Bauru, seja por carência financeira, afetiva, maus-tratos ou prática de infrações.

Os planos para o próximo ano são de prestar atendimento de orientação educacional, através de oficinas, no período contrário ao da escola. Dessa forma muitas vagas seriam abertas, "enxugando-se" os custos de manutenção pelo menos da área escolar. Isso porque, durante todo o período que passam na instituição, os alunos recebem alimentos e toda a assistência necessária. Quanto à demanda, o padre Raulino Coan, diretor da entidade, filosofa: "Quem não tem dinheiro faz projetos e sonha. Se abrirmos 1.500 vagas, tenho certeza de que as completo em uma semana".

Serviço

Quem quiser conhecer o trabalho da Casa do Garoto pode ir até a alameda Cônego Aníbal Di Frância, 10-4, Parque Vista Alegre. Os telefones são 239-2424 e 239-2066. Donativos podem ser feitos pelas contas correntes 098446-9, agência 13 do Bradesco, ou 04-001209-1, agência 0033-7, da Nossa Caixa.

Dificuldade financeira

Os problemas financeiros, segundo o padre Raulino, seriam minorados caso a Prefeitura Municipal cumprisse um acordo firmado em 1995,

época do governo Tidei de Lima, quando 12 lotes da Casa do Garoto foram desapropriados para o prolongamento da avenida Jânio Quadros (que está abandonada), gerando uma dívida que, atualmente, gira em torno de R$ 130 mil. A diretoria aguarda uma providência do prefeito Nilson Costa, que teria solicitado um tempo para analisar a situação. Caso o impasse não seja resolvido, a entidade entrará na Justiça.

Promover a cidadania e criar instrumentos de transformação da realidade são os maiores objetivos dos profissionais e religiosos ligados à Casa do Garoto, que procura promover e integrar crianças e adolescentes ao meio social no qual vivem e aproveitam a oportunidade para agradecer aos colaboradores da obra.

O padre Aníbal Maria Di Frância, nascido em Messina, Itália, foi o idealizador da obra realizada hoje. Em Bauru, a Casa do Garoto abriu as portas em 25 de dezembro de 1949, atendendo a 21 garotos. Hoje, são 150, e a intenção

é dobrar esse número num futuro próximo. Em 50 anos, de acordo com o padre, cerca de 7 mil crianças passaram por lá.

Ele classifica a obra como "insistencial", dadas as dificuldades de manutenção. "Ela está completando 50 anos, subexistindo entre montanhas de guerras e tempestades, mas sempre salvando vidas", disse. O padre fez um paralelo com a época em que a Casa do Garoto surgiu, dizendo que a quantidade de habitantes era bem menor que a de hoje, fazendo com que as vagas fossem quase totalmente preenchidas por crianças de outras cidades. O perfil também era diferente: quase todas órfãs. "Hoje é pior. Existe um grande problema de desestrutura familiar", destacou. A Casa do garoto existe em outras seis cidades brasileiras e três argentinas.