07 de julho de 2026
Geral

Show

Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Milton Nascimento nos bailes da vida

Milton Nascimento nos bailes da vida

Cantor mineiro apresenta o show "Crooner" sábado na Cervejaria dos Monges

Neste final de milênio, nesta troca de datas tão simbólica, Milton Nascimento finalmente faz justiça a si mesmo e deixa-se subjugar pelo menino e "crooner" Bituca, o garotão magricela dos anos sessenta, tocador de contrabaixo e cantador de músicas mais requisitadas, nos velhos bailes da vida. Este é o espírito do show "Crooner", que Milton apresenta sábado (18) na Cervejaria dos Monges.

Numa singular volta ao passado, o cantor mineiro dono de um dos falsetes mais bonitos do mundo promete um bailão de Réveillon do Ano 2000. Nada de grandes ou sequer pequenas considerações político-ideológicas. Nada de sutis ou mesmo grosseiros matizes sócio-ecológicos. Muito menos revelações místico-religiosas de qualquer tipo ou tamanho. Apenas boa e velha música de dançar juntinho.

Coisas que ele começou a cantar nos anos 50, nos tempos da sanfoninha de 4 baixos, que não tinha os acidentes musicais e o obrigava a emitir as notas faltantes com a boca. Atrás da moita, o garoto Wagner Tiso ouvia tudo e planejava: - ainda vou levar esse cara pros meus bailes... Um dia, cumpriu o prometido e lá se foram, menores de idade, tocar profissionalmente, escondidos do Juizado. Quando pintava batida dos homens da lei, pianista e "crooner" mirins se escondiam na cozinha,

ótimo lugar, reduto de guaranás e salgadinhos.

Pois bem. Hoje Bituca quer e precisa homenagear, antes de mais nada, apenas e tão somente este seu próprio passado, a longitude e longevidade de sua própria trajetória longa. Quer ressaltar que, sendo outro, ainda é aquele mesmo menino de calças curtas, que certa vez viu no Tijuca Tênis Clube um espetáculo de Márcio Mascarenhas e quase morreu de emoção quando aqueles quinhentos acordeons começaram a tocar.

Bituca teve seu primeiro contato com músicos profissionais de cidade grande em Belo Horizonte, na Boate Berimbau, Edifício Maletta, lugar onde o pessoal se apresentava e tocava músicas que ele e Wagner costumavam tocar, mas de uma maneira totalmente diferente da deles. O garotão Bituca ficou desesperado. Falou: "Pô! Tenho que aprender tudo de novo!" Nessa época ele tocava com Marilton, meu irmão. Falou pra ele: "tenho que mudar tudo, tenho que aprender tudo de novo", aí o Marilton falou: "você está louco! Tem que tocar desse jeito aí".

Melhor que o original

"Acabei ficando amigo dos outros músicos de Belo Horizonte e a atitude era igual a essa do Marilton, né. O pessoal ficava louco com as coisas que a gente tocava. Por exemplo, o

"Blue Moon", que todo mundo tocava de um jeito, o Wagner chegou tocando de outro, parecia que estava tocando a música de trás para frente, porque "Blue Moon" é em maior e ele tocava numa seqüência menor. No Rio de Janeiro ele ficou conhecido como o pianista do Blue Moon.

Quem fala assim, é aquele Bituca dos tempos em que cantava

"Aqueles Olhos Verdes", de olhos fechados, música que aprendeu com D. Lilia, sua mãe, a quem homenageia agora neste trabalho.

Este show é a cara dele. Sua livre e total escolha. A homenagem de Bituca, músico anônimo, aos milhares de músicos anônimos que um dia sonharam ser um Milton Nascimento. Nem precisava dizer, mas não custa nada: imperdível!

Serviço

Show "Crooner", de Milton Nascimento na Cervejaria dos Monges. Sábado (18/12). Preços: não divulgados. A Cervejaria fica na avenida Getúlio Vargas, 7-50. Informações: 234-7773.