08 de julho de 2026
Geral

Arte em madeira

Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Marchetaria: arte&ecologia

Marchetaria: arte & ecologia

Designer radicado em Bauru cria objetos fazendo ponte entre arte e ecologia. Com a técnica milenar da marchetaria, ele dá nova vida a sobras de madeira-de-lei ameaçadas de extinção

Pau-brasil, jatobá, embúia, pau-peixe, esses são nomes bastante presentes no dia-a-dia do designer Luiz Fernando Leite Jr, radicado em Bauru. Com sobras de madeiras coletadas em marcenarias, achadas na rua ou até mesmo no lixo e fogueiras, ele cria objetos de arte reciclando o precioso material que seria jogado fora.

Para dar nova vida aos inúmeros pedaços de madeira que acumula em seu ateliê, ele emprega a técnica milenar oriental da marchetaria. A técnica consiste na incrustação materiais para formação de uma única peça.

No caso de Luiz Fernando, o trabalho é produzido com madeira e cola branca comum de papelaria, com acabamento feito com seladora e cera de carnaúba.

O resultado pode ser apreciado em pequenas caixas porta-objetos como canetas, charutos, CDs, além de luminárias e peças artísticas para decoração de interiores.

Rico em detalhes, os trabalhos feitos com a técnica da marchetaria chamam a atenção pela beleza e variedade de texturas, proporcionada pelas diferentes espécies de madeira utilizadas. "Minhas referências na arte são Kandinsky e Miró, pela fragmentação, mistura de tons e texturas e a alegria das cores", afirma. E como objeto de arte, vale dizer que tratam-se de peças únicas.

O trabalho de Luiz Fernando no momento está em exposição em três locais em Bauru: na Chocolate & Companhia (av. Duque de Caxias, 5-21, inf: 234-5455), na Fundamental Presentes e Decorações (rua Saint Martin, 28-48, inf: 234-1087) e, a partir da próxima sexta-feira, dia 17, na DS Personal

(av. Duque de Caxias, 9-27, inf: 223-9121). Em Botucatu, no espaço Fazendo Arte (rua João Passos, 240, inf: 821-8520).

No próximo ano, em março, Luiz Fernando vai promover uma oficina de marchetaria no Sesc Bauru. Em abril, ele expõe no Centro Cultural. Contatos com o designer podem ser feitos pelo telefone 227-8821.

Preservação é base do trabalho

A preocupação ecológica é a base do trabalho do designer formado pela Unesp Bauru. "O Brasil possui a maior e mais variada cobertura vegetal do planeta. No entanto, em vez de preservação, o que assistimos há 500 anos é o desmatamento inconseqüente", e acrescenta, "em países desenvolvidos, empresas com o certificado ISO 14002 não recebem importações de madeiras ameaçadas de extinção".

Sua pesquisa propõe um desenvolvimento sustentável das matas nativas. "Os designers também são responsáveis por esse desmatamento, pois projetam móveis e outros objetos utilizando-se de madeira. Minha proposta é que se recicle a madeira que já foi tirada da mata, aproveitando o material ao máximo. Assim, evita-se o desperdício e garante-se a sobrevivência da mata no futuro", defende.

Em suas caminhadas em busca de sobras de madeira, ele diz ter encontrado casos de extrema irresponsabilidade, como os restos de pau-brasil achados na fogueira de uma marcenaria. A madeira foi utilizada por um fazendeiro para construir cômodos inteiros de sua casa.

"O marceneiro que me forneceu a madeira contou que o pau-brasil veio de uma grande fazenda da região, transportada clandestinamente como se fosse jatobá, que também está em extinção. As árvores foram retiradas de sua propriedade, isso mostra qual é a mentalidade que impera no País em relação a sua mata nativa", afirma.

Para ele, o trabalho de marchetaria também contribui para que se conheça mais sobre as espécies de madeira existentes no Brasil. "As espécies podem ser reconhecidas pela cor, textura e cheiro e eu tento esclarecer isso às pessoas que se interessam pelo meu trabalho. Quem conhece não destrói".