Cesta Básica subiu mais do que a inflação em Bauru
Cesta básica subiu mais do que a inflação em Bauru
Texto: Paulo Toledo
O valor pago pela cesta básica, em Bauru, de julho a novembro, teve um reajuste de 6,48%, saltando de R$ 133,44 para R$ 142,09, ou seja, 2,55 pontos percentuais acima da inflação registrada pelo Índice de preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), da USP, no mesmo período, que foi de 4,1%. A conclusão é da pesquisa da cesta básica, que vem sendo realizada desde julho, pela Faculdade de Ciências Econômicas da Instituição Toledo de Ensino (ITE).
A pesquisa, coordenada pelos professores Jacques Vervier e Reinaldo César Cafeo está sendo realizada em 10 supermercados de diversas regiões da cidade, sem que ocorra repetição de dois da mesma rede. Estão incluído 31 produtos, das marcas mais consumidas em Bauru, de acordo com pesquisa realizada anteriormente.
Uma das principais conclusões da pesquisa comprova a velha tese de que o consumidor deve estar muito atento na hora de comprar, pois entre os preços mínimos e máximos dos mesmos produtos há diferenças de até 294%, como é o caso da batata. Mas, não
é só isso, a cebola apresentou 252,63% de diferença entre o preço mínimo e máximo; o feijão 218,63%, uma marca de extrato de tomate 158,9%; uma marca de sabonete 116,67%. As diferenças são variáveis e a mínima é de 2,95%. "Isso mostra que o consumidor deve estar atento ao preço dos produtos. Pesquisar ainda
é o melhor caminho", aconselha Cafeo, que também
é delegado regional do Conselho Regional de Economia (Corecon).
Vervier explica que o valor base adotado
é o da segunda semana do mês, no caso de novembro, mesmo critério utilizado pelo Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Sócio-Econômicas
(Dieese). Ele ressalta que a cesta do Dieese é bastante generosa; 15 Kg de arroz, 4 Kg de feijão e 10 sabonetes por mês para 4 pessoas.
A metodologia adotada pela ITE é a mesma usada para apuração da cesta básica na Capital, por meio de um convênio entre o Dieese e o Procon. Isso faz com que se tenha, inclusive, uma base de comparação. Em São Paulo, por exemplo, o valor mínimo dos mesmos produtos pesquisados, na segunda semana de novembro, era de R$ 133,03, ou seja, em Bauru o valor estava 6,81% maior. Porém, Vervier disse que isso é normal, em razão de algumas interferências como o frete, que fazem alguns produtos ter preços mais altos.
Ele lembra que o valor total da cesta em Bauru é a soma dos menores preços encontrados nos 10 supermercados. Isso não significa que o consumidor vai conseguir encontrar esse total se comprar em apenas um estabelecimento.
"Para obter esse preço o bauruense tem que percorrer os 10 supermercados e escolher em cada um o que tem de mais barato", afirmou.
Aumentos
Levando em conta os valores da segunda semana de novembro, a alimentação (+ 7,76%) - que tem o maior peso no levantamento - e a higiene pessoal (+ 17,77) são as maiores responsáveis pelo aumento, ao passo que os itens de limpeza doméstica praticamente estagnaram (- 1%). Na grande SP, a cesta encareceu em 9,74% (Dieese). Na quarta semana de novembro, a cesta valia R$ 135,60 na Capital (apenas 40 centavos abaixo do mínimo) contra R$ 144,80 em Bauru, ou seja, 6,47% mais que o mínimo. É na alimentação que se encontram as maiores discrepância de preços entre supermercados.
Um ponto que chama a atenção
é que na última semana do mês, quando a maioria das pessoas não tem dinheiro, os preços dos produtos da cesta básica apresentam uma leve queda nos supermercados.
Até dezembro, as pesquisas continuarão a ser feitas semanalmente. O esquema para o ano 2000 ainda será definido. Há possibilidade, inclusive, de se definir uma cesta básica específica para a cidade de Bauru.
Metodologia
Para definir a cesta básica, foi utilizada a lista de produtos de alimentação, limpeza doméstica e produtos de higiene pessoal definida pela pesquisa do Dieese-Procon para Grande São Paulo; para o cálculo dos índices, foi utilizada a fórmula de Laspeyre com ponderações fixas de médias das marcas mais freqüentemente consumidas aqui em Bauru, em preços absolutos (reais correntes); utilizou-se o mesmo Questionário de Levantamento de Preços e o mesmo Manual do Pesquisador, elaborados pelo Dieese e Procon, já mencionados.
De acordo com os critérios do Dieese, o valor final da cesta básica é a soma ponderada dos menores preços encontrados nos diversos supermercados. Quem quiser comprar a cesta nesse preço deverá percorrer todos os estabelecimentos para comprar o que cada um oferece no melhor preço. Os resultados serão apresentados mensalmente através de tabelas. Cesta faz parte do trabalho do Data-ITE
O levantamento dos preços da cesta básica faz parte do banco de dados da Faculdade de Ciências Econômicas da ITE, o Data-ITE. De acordo com Reinaldo César Cafeo, a primeira fase do banco de dados foi realizadas com as estatísticas disponíveis na cidade e, a partir delas houve a transformação em formas gráficas com comentários.
A pesquisa da cesta básica é a primeira iniciativa de geração de informação própria, para criar um conceito em relação
às pesquisas, para posteriormente alçar vôos maiores, como o levantamento do Índice de Custo de vida
(ICV) de Bauru. "Nosso objetivo, agora, é aperfeiçoar a coleta de informações, aprimorar a metodologia da cesta básica, mas já usar dessa experiência para chegar a outras pesquisas que a cidade necessite e a instituição entenda que deva realizar", afirmou Cafeo.