07 de julho de 2026
Geral

ONG

Andréia Alevato
| Tempo de leitura: 4 min

Proerd terá ONG em 2000

Proerd terá ONG em 2000

Texto: Andréia Alevato

A partir do ano que vem, Bauru contará com uma Organização Não Governamental (ONG) mantenedora do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência

(Proerd). Essa ONG, que foi lançada ontem, no I Fórum Regional do Proerd, que discutiu, entre outros assuntos, a política de aplicação do Programa em Bauru, no ano 2000. Segundo o tenente Wladimir Borges de Freitas a ONG será formada por instrutores do Proerd e por pessoas que queiram colaborar significativamente com a melhora da sociedade. Para ele, esta ONG será um marco na história do Programa.

"Essa ONG é um marco fundamental na história do Programa, porque será a primeira ONG que cuidará da manutenção dos trabalhos realizados pela polícia", afirmou o tenente Borges.

Por enquanto, a ONG atenderá apenas Bauru, mas a meta é de que, no futuro, ela passe a atender o Estado e todo Brasil.

"Essa ONG irá desenvolver trabalhos de prevenção

às drogas e doenças sexualmente transmissíveis, e fazendo o encaminhamento de jovens que já tiveram contato com drogas para entidades que o tratem", disse o tenente.

O tenente Borges informou que atualmente, o Proerd atinge 100% do ensino estadual em Bauru, e que a meta é atingir 100% de todo ensino em Bauru e cidades da região.

O Proerd foi lançado em Bauru, em 1997, com três policiais. Hoje, já são 20 policiais instrutores, sendo dois mentores do projeto. Os resultados são considerados positivos. Segundo o tenente Borges, nas escolas que já têm o Proerd desde o primeiro ano, houve redução de 60% do potencial violento dos alunos e de 28% de atos de vandalismo. E, na sociedade bauruense em geral, a redução do consumo de drogas, entre jovens, foi de 13%.

Movimento Paz e Justiça

Um dos palestrantes presentes no I Fórum Regional do Proerd foi Masataka Ota, presidente do Movimento Paz e Justiça

"Ives Ota". O tema de sua palestra foi "Violência, nós realmente precisamos disto?".

Ota afirmou que apesar de ter perdido seu filho, ele não se revoltou, porque com seu filho, ele aprendeu a amar, perdoar, respeitar e ser respeitado.

"O primeiro ato de um pai que perde o filho é a revolta e o ódio. Comigo também aconteceu isso. Só que nossos filhos vieram neste mundo para nos ensinar, como o Ives me ensinou a amar, perdoar e respeitar. O Ives foi um grande mestre para mim. Hoje, tenho certeza que ele está feliz com meus atos e mostrando para os amiguinhos dele, os anjinhos, que ele cumpriu sua missão e seu pai está fazendo o mesmo. Graças ao Ives, sou um homem respeitado. Onde eu vou, em palestras, é porque sou convidado. Eu peço para outros pais que consigam perdoar outras pessoas que fazem mal para seus filhos. Deus me recompensou por eu não ter me revoltado", disse Ota.

Para o presidente do Movimento Paz e Justiça "Ives Ota", apenas uma parte da violência é conseqüência da questão social do País. A outra não.

"Uma parte dos atos de violência são consequência da questão social do país, outra não. A outra parte é maldade mesmo. Muitos sequestradores carregam ódio no coração", afirmou.

Ota já colheu 2,5 milhões de assinaturas e entregou em Brasília, pedindo a aprovação da lei para que crimes hediondos sejam punidos com prisão perpétua com trabalho. Ota é favorável a prisão perpétua com trabalho, mas não a pena de morte.

"Sou totalmente contra a pena de morte, porque precisamos ver a nossa Justiça, porque se houver alguma falha, é fácil tirar um indivíduo da prisão e colocá-lo de volta na sociedade. Agora, se ele estiver morto, isso é impossível", completou.

Ota disse que mesmo depois que a lei for aprovada ele continuará lutando contra a violência.

"Depois que eu conseguir que essa lei seja aprovada, minha missão vai continuar. Vou continuar lutando contra a violência. Minha missão só vai acabar no fim da minha vida", comentou.

Ives Ota foi seqüestrado em 29/08/97 e morto no dia 30, por dois policiais militares e um civil. Todos foram condenados há mais de 40 anos de prisão.

"Nem por isso, eu acho que a polícia não presta. Participo junto com ela e ajudo no que eu posso", concluiu Masataka Ota.