07 de julho de 2026
Geral

Natal

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 6 min

O que é o Natal para você?

O que é o Natal para você?

Texto: Gustavo Cândido

Durante os séculos um grande número de costumes e tradições tem surgido para fazer com que o Natal seja a época mais colorida e festiva do ano. Provavelmente o mais difundido costume seja a troca de presentes, freqüentemente associada com a figura de Papai Noel o que deu à festa, a maior do cristianismo, um ar comercial. Outros costumes são a árvore de natal, as luzes, a troca de cartões, boa e farta mesa de comida e bebida e as canções natalinas. Mas a festa que comemora o nascimento de Jesus, tem, na prática, diferentes significados para as pessoas. Para alguns representa um momento de confraternização, para outros é uma data apenas comercial ou um feriado a mais para poder descansar em casa, como seu fosse Dia do Trabalho, por exemplo.

"O Natal já não mais o mesmo", declara a dona de casa Maria do Carmo Santana, 51 anos, com certo desapontamento. Para ela a festa às vésperas de um novo milênio adquiriu um tom completamente comercial, onde tudo o que interessa são os presentes e a comilança. "Antes parece que as pessoas deixavam o clima de confraternização entrar nos seus corações... isso era mais bonito, tinha uma felicidade no ar", conta.

As jovens Cláudia Mendes, 15 anos, e Catarina Rodrigues de Moraes, 18,

reforçam o grupo de pessoas que acham que o Natal perdeu o seu principal significado. "As pessoas se esqueceram que essa data é a comemoração do nascimento de Jesus, e que nós deveríamos estar felizes por isso. Tudo mundo só pensa em ganhar presentes", diz a estudante Cláudia. Catarina, auxiliar de vendas, diz que hoje em dia o Natal quase não representa para ela pois a parte comercial do feriado superou a parte espiritual, que deveria ser mais importante, "é uma falsidade, a pessoa fica os 365 dias do ano sem olhar para a sua cara mas no Natal finge que se importa com você para depois voltar ao normal", afirma.

O que mais incomoda as pessoas quando o assunto é Natal

é que o lado comercial da festa tenha crescido tanto com o passar do anos, em detrimento da comemoração religiosa,

"acho até que é porque as pessoas são menos religiosas hoje em dia do que eram antes", diz Maria do Carmo Santana.

Na opinião da dona de casa, Geni Barbosa Pacheco, 46 anos, o problema é que o clima que impera nesta época do ano não é o mesmo do resto: "as pessoas brigam o ano todo e depois no Natal dão beijinhos, trocam presentes, pedem perdão... esse clima deveria existir o ano todo não precisava ser só no Natal", justifica.

Feriado e confraternização

Para o motorista Ademir Souza, 34 anos, o Natal não é nem uma data religiosa, nem comercial, mas um dia para descansar.

"Eu respeito quem acredita em alguma coisa, mas para mim o Natal só serve para as lojas venderem mais, como eu não compro muito, também não faz diferença. A

única coisa boa é a folga que eu tenho nesse dia", diz. O frentista Ademario Aparecido Lima, 25, também acredita que o Natal é um feriado normal embora lembre que é uma data importante de união para as famílias, um momento de fraternidade e festa, "mas como eu trabalho, acabo não aproveitando muito", conta.

O período de confraternização e solidariedade que o natal representa são lembrados pelo aposentado Antonio Carneiro e pelo empresário Cássio Carvalho, segundo Carneiro, 72, apesar da tradição dos presentes, que deixou a festa comercial demais, o Natal ainda é o período mais bonito do ano, quando as pessoas refletem mais sobre a vida e tudo de bom que podem realizar para elas mesmas e para os outros. Carvalho, 45, tem a mesma opinião sobre a comemoração do nascimento de Cristo e acredita que a festa nunca perde o seu valor, mesmo com o passar do anos,

"quando se é criança existe a figura do Papai Noel, a alegria pela festa, pelos presentes... conforme o tempo passa e as pessoas crescem, a ilusão se perde mas o encanto da data continua", diz.

A história do dia de Natal

A palavra christmas (como o Natal é chamado nos países de língua inglesa) deriva da expressão "Christ's mass", nome de uma antiga missa que era realizada em 25 de dezembro comemorando o aniversário de nascimento de Jesus Cristo.

Durante muitos séculos as igrejas cristãs deram pouca atenção a celebração do nascimento de Cristo. A maior festividade era a Páscoa, dia de sua ressurreição. Com o passar dos anos estas igrejas desenvolveram uma data para comemorar o mais importante evento da vida de Jesus Cristo: o seu nascimento. Apesar de ser reconhecida como palco deste evento a pequena cidade de Belém, a poucas milhas ao sul de Jerusalém, são desencontradas as informações sobre a data e o ano. Um dos motivos desta incerteza é que os relatos descritos no Novo Testamento

(livros de São Mateus e São Lucas) não especificaram datas.

Nos primeiros séculos, algumas correntes religiosas, entre elas a Igreja Católica Romana, comemoravam o dia 6 de janeiro. Este dia era chamado de Epifania, palavra de origem grega que significava a manifestação ou revelação da divindade a seus fiéis. Já a Western Churchil, baseada em Roma, comemorava o dia 25 de dezembro, baseado em antigos relatos romanos que apontavam esta data como o nascimento de Cristo.

A data atual foi fixada no ano de 440, a fim de estabelecer um ponto comum entre as correntes religiosas da época e também cristianizar grandes festas pagãs realizadas neste período: a festa mitraíca (religião persa que rivalizava com o Cristianismo nos primeiros séculos), que celebrava o Natalis Invicti Solis ("Nascimento do Vitorioso Sol") e várias outras festividades decorrentes do solstício de inverno, como a Saturnália em Roma e os cultos solares entre os celtas e os germânicos. A idéia central destas comemorações e também da própria

"Christ's mass" revela claramente esta origem: as noites eram mais longas e frias no hemisfério Norte, pelo que se suplicava pelo retorno da luz. A liturgia natalina retoma esta idéia e identifica Cristo como a verdadeira luz do mundo.

Ficou estabelecido, então, que as comemorações teriam um período de 12 dias iniciando-se em 25 de dezembro

(suposto nascimento de Jesus Cristo) e terminando em 06 de janeiro

(data da Epifania).

A troca de presentes

Um dos mais antigos costumes associados com o Natal tem sua origem em antigas festas pagãs. Os romanos, por exemplo, celebravam a Saturnália em 17 de dezembro com uma troca de presentes. Duas semanas mais tarde, no Ano Novo Romano (01 de janeiro), as casas eram decoradas com grinaldas e luzes e presentes eram distribuídos para crianças pobres. As tribos germânicas da Europa ao se converterem ao Cristianismo, passaram a comemorar o Natal com a troca de presentes. Em alguns países como a Itália e a Espanha, as crianças tradicionalmente recebem presentes no dia 05 de janeiro (véspera da Epifania) e não em 25 de dezembro. Em muitas nações norte européias, os presentes são dados em 06 de dezembro, durante as comemorações da Festa de São Nicolau ( Papai Noel ), patrono das crianças. Existem muitas origens para este símbolo. Uma delas conta que São Nicolau, um anônimo benfeitor presenteava

às pessoas no período natalino. Outra tradição mais antiga, lembra os três reis magos que presentearam Jesus. O dia e o motivo de dar e receber presentes varia de país para país:

* 6 de dezembro: em memória de São Nicolau

* 24 de dezembro: véspera de Natal

* 25 de dezembro: aniversário de Jesus

* 1º de janeiro: dia de Ano Novo

* 6 de janeiro: dia dos 3 reis magos.

Fonte: www.malhete.com.br