Apiterapia tem boa tolerância e é barata
Apiterapia tem boa tolerância e é barata
Texto: Sabrina Magalhães
Enquanto o veneno das abelhas combate reumatismos e artrite, o pólen previne o aparecimento de rugas, usado em cosméticos
De acordo com o naturolista Osni Facchini, a Apiterapia é uma alternativa de saúde que tem muitas vantagens: são produtos naturais e, portanto, têm boa tolerância; são de fácil administração, principalmente para crianças; custam bem menos que um tratamento alopático convencional; e são eficazes. Mas faz parte da chamada medicina alternativa e requer cuidados.
"Um deles é que cada pessoa é uma pessoa. Então,
é preciso fazer uma avaliação de cada paciente antes de determinar a dose ideal para cada caso. Apesar de serem produtos naturais e praticamente sem risco, podem causar reações alérgicas em determinadas pessoas. Então, recomenda-se fazer um acompanhamento, avaliando os resultados. E suspender o uso imediatamente caso haja uma reação."
Facchini explica que a Apiterapia já existe há cerca de 40 anos e é adotada por muitos países, entre eles Cuba (onde os avanços na área da saúde são mundialmente reconhecidos) e China (onde saúde
é sinônimo de equilíbrio e predominam os tratamentos alternativos).
Tendo participado de diversos cursos e congressos, há alguns anos o naturolista iniciou um trabalho em apiprofilaxia, ou seja, prevenção à base de produtos das abelhas. Ele garante que o uso regular dos apiterápicos reorganiza o metabolismo, fortalecendo o sistema imunológico e garantindo mais qualidade de vida.
Serviço
Facchini oferece cursos para a formação de apiterapeutas, direcionados principalmente para apicultores e médicos. Ele também faz consultas em consultório e à distância. Informações pelo telefone (11) 6455-1075
Pólen atua como desintoxicante natural
"A principal função das abelhas na vida talvez seja a polinização", afirma Nivaldo Vitte Guion, presidente da Associação Bauruense de Apicultores. Enquanto voam de flor em flor para sugar o néctar e produzir o mel, os insetos carregam consigo grãos de pólen. Ao voar, esse pólen cai em outros lugares, podendo dar origem a outra planta. "É um trabalho absolutamente involuntário, mas o mais importante que elas realizam. Para se ter uma idéia, as estatísticas americanas mostram que para cada um dólar produzido em mel, elas produzem oito dólares em semente."
Parte desse pólen acaba sendo levado para dentro da colméia e serve de alimento para elas. Segundo Osni Facchini, quando coletado pode ser usado pelo ser humano, sendo um desintoxicante natural, bio-estimulante e harmonizador das funções vitais.
"É o grande medicamento dos intestinos, pois combate, curiosamente, a flora intestinal estranha, sem interferir na flora intestinal natural." Além disso, o uso do pólen vem sendo estudado também no combate à anemia e aos problemas de próstata (inflamações e hipertrofia), sempre com resultados muito bons e a curtíssimo prazo. "Ao ponto de já termos tratado um paciente que estava com sonda, pronto para a cirurgia, e a cirurgia foi descartada."
Guerra às rugas
"O pólen ainda é um excelente nutriente para a pele e vem sendo usado em cosméticos por algumas indústrias para combater rugas. Além disso, a pessoa que ingere pólen com regularidade melhora o funcionamento do intestino e, conseqüentemente, garante uma pele mais bonita e saudável." Facchini sugere, como preventiva, a ingestão de uma colher de chá de pólen duas vezes ao dia, preferencialmente com o estômago vazio, por exemplo, meia hora antes do almoço e imediatamente antes de dormir. Sempre respeitando o limite individual e observando possíveis reações alérgicas.
Cera e veneno também são remédios
Para armazenar o mel e para abrigar os ovos da rainha, as abelhas operárias "constroem" um ninho simetricamente dividido, os alvéolos, mais conhecidos como favo. Quando estão cheios, os apicultores centrifugam esses alvéolos para retirar o mel. E o que sobra é cera. Muitas vezes essa cera é jogada no mato para as próprias abelhas. Alguns apicultores mandam fundir esta cera, que será aproveitada para se iniciar uma nova colméia.
O apicultor José Eufrazino dos Santos é um dos poucos em Bauru que faz esse trabalho, transformando a cera bruta em
"folhas", que serão presas aos quadros e colocadas nas caixas de abelha. As folhas são passadas por um cilindro e ganham alvéolos, a partir dos quais as abelhas iniciam novo favo, que vão encher de mel.
Já para a Apiterapia, a cera é usada ainda com mel: Facchini recomenda colocar um pedaço de favo na boca, chupar o mel e mascar a cera por 20 a 30 minutos. Além de ajudar no processo digestivo, ela atua como descongestionante nasal, alivia rapidamente a sinusite e ajuda a soltar o tártaro dos dentes.
Veneno
Quando se sente ameaçada, a abelha ferroa seu agressor, perdendo ali seu ferrão (ela perde também parte do intestino e morre em poucas horas). A vítima recebe uma pequena quantidade de veneno. Dizem os mais velhos que quem leva várias picadas está "vacinado" contra as dores do reumatismo. Facchini confirma: já existem no mercado comprimidos feitos com veneno de abelha. "É um analgésico potentíssimo, usado no tratamento de reumatismos, artrites, dores de coluna, sinusite e muitas outras." Mas cuidado: algumas pessoas são hiperalérgicas a ele e podem até morrer.