07 de julho de 2026
Geral

Desemprego

Redação
| Tempo de leitura: 5 min

Emprego: o melhor presente de Natal

Emprego: o melhor presente de Natal

Devido às crises econômicas que o Brasil vem passando, existe muita família desempregada e, para elas, o melhor presente de Natal é conseguir um trabalho. Ceia, presentes e festas luxuosas, não fazem parte da realidade vivida por essas famílias. Luzia Aparecida Francisca, de 37 anos, moradora em Bauru, está desempregada desde abril deste ano. Com paralisia em uma das pernas, dois filhos adolescentes, a mãe e uma sobrinha para cuidar ela se desespera. "Ás vezes da vontade de morrer, mas penso em Deus e sei que Ele vai nos ajudar".

Ela diz sentir dores constantes nas pernas, desde quando fez uma cirurgia em 1996 devido a uma lesão no nervo ciático, que é o maior nervo do corpo humano e vai da coxa até o pé. Luzia que sempre trabalhou como empregada doméstica, operária de fábricas e faxineira afirma que não

é contratada porque as pessoas pensam que pode escorregar, cair ou ainda não conseguir fazer trabalhos físicos.

"Não há medicamentos para amenizar a dor, mas eu já acostumei e consigo fazer o trabalho sem problemas".

Leandro Aparecido de Paula, 17 anos, é o filho mais velho de Luzia. Ele, que já realizou um curso de corte e costura para trabalhar na área, precisa se alistar e por isso não consegue emprego. O outro filho de 14 anos, Alessandro Aparecido de Paula, que pretende ser fotógrafo ou policial contou que não consegue um trabalho devido a idade. "Ninguém quer contratar menor". Ele reprovou a 5.ª série porque não frequentava as aulas por falta de roupas para vestir. Luzia conta que o garoto tem apenas uma calça e um sapato. "Quando está muito sujo tem que lavar e então ele não tem o que colocar".

Como mãe, Luzia se preocupa muito com os filhos e quer conseguir um trabalho para dar uma vida melhor para eles. "Meus filhos sempre foram muito bons para mim, mas eu tenho me assustado com o comportamento deles ultimamente. Eles dizem que ser honesto não dá trabalho e isso me deixa apavorada".

O pai dos meninos oferece uma pensão de R$ 84,00 ao mês e é com essa quantia que a família está vivendo nesses últimos meses.

Há três meses, a casa de Luzia está sem energia por falta de pagamento. O valor, em média R$ 80,00 por mês, não tem como ser pago, segundo Luzia. O fornecimento de água também não está sendo pago e corre o risco de ser cortado.

Um sonho de Natal

Luzia iniciou um trabalho para construir uma lanchonete em frente de sua casa, mas não conseguiu terminar. Ela acredita que com esse empreendimento eles não passarão mais por problemas com a falta de dinheiro. "Com a lanchonete eu posso dar emprego para toda a família e assim poderemos viver melhor", afirma Luzia.

Segundo ela é necessário mais R$ 600,00 para o término da lanchonete, onde ela pretende fazer refeições, marmitex, pastéis e outras coisas que possam dar lucro para a família.

Além dos dois filhos que Luzia tem, em uma ocasião ela adotou outras duas crianças que foram abandonadas pela mãe. Hoje, eles têm 7 e 10 anos e moram na Sociedade Beneficente Cristã (antigo Paiva). O sonho de Luzia é poder levá-los de volta para casa. "Eu considero essas duas crianças como meus filhos, mas coloquei eles lá no Paiva porque aqui eu não tinha condições de cuidar. Se Deus quiser, um dia eu vou trazer eles de volta".

Luzia fez um apelo: "Eu gostaria que as pessoas, nessa época de Natal, pudessem dar mais valor para as coisas que têm e ajudassem a minha família. Eu quero emprego para mim e para meus filhos. Nós vamos passar o Natal sem luz, mas confiantes de que a luz vai brilhar em nossas vidas".

Classe média também sofre com o desenprego

Muitas famílias consideradas de classe média-alta também sofrem com as crises e a falta de emprego.

Segundo estatísticas do Centro de Pesquisas e Encaminhamento ao Trabalho (Cepet), das 8.183 pessoas cadastradas até novembro de 1999, 581 possuem nível superior. Isso demonstra que mesmo os que têm oportunidade de concluir o 3.º grau estão a espera de trabalho.

Uma família bauruense (mãe e três filhos), que prefere não ser identificada, afirma passar por problemas financeiros nos últimos dois anos. A mãe, que é decoradora, conta que o problema começou quando o pai perdeu o emprego de representante numa empresa bem conceituada no mercado, em abril desse ano. "Nosso nível de vida caiu muito. Tínhamos dois carros novos, as crianças estudavam nas melhores escolas, faziam cursos de inglês, ballet e natação. Duas empregadas e uma cozinheira nos auxiliavam com os trabalhos de casa e tínhamos outras mordomias mais. Hoje, temos apenas um Volkswagen, as crianças não fazem mais atividades extras, somente o inglês e não temos empregada. A vida mudou", afirma.

A mãe continua trabalhando como decoradora, mas, segundo ela, o que ganha não é o suficiente.

Moradores do Jardim Estoril, eles viajavam todo fim de ano ou para o litoral nordeste ou para o exterior. Esse ano, devem passar as festas numa chácara de propriedade de parentes.

O economista delegado do conselho regional Reinaldo Cafeo, explica que a solução para o desemprego não é a curto prazo. "Nessa época do ano temos um aumento sazonal de vagas no setor comercial, mas são trabalhos temporários".

Ele conta que para o próximo ano a economia brasileira pode crescer de 3 a 4%, ainda que isso é, segundo Cafeo, apenas uma pré-condição para, futuramente, minimizar o problema do desemprego. Cafeo disse ainda que esse aumento pode tirar das ruas pessoas que têm menor qualificação.

O economista afirma que as grandes geradoras de empregos são as pequenas e micro empresas, quando incentivadas pela legislação trabalhista.