07 de julho de 2026
Geral

Suor e micoses

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 5 min

Suor serve de alimento para micróbios

Suor serve de alimento para micróbios

Texto: Sabrina Magalhães

Quando higiene, talcos e desodorantes não funcionam,

é preciso fazer um tratamento para matar fungos e bactérias

O mau cheiro do suor que aparece nas axilas e nos pés também cria situações embaraçosas no dia-a-dia de muitas pessoas. Isso acontece porque o suor serve de comida para fungos e bactérias que se instalam na superfície da pele. E é o excremento desses microorganismos que exala odores desagradáveis. Ou seja, o mau cheiro não

é necessariamente do suor, mas do cocô dos micróbios que se alimentam dele.

Na verdade, o suor é composto por 99% de água e o restante por substâncias que variam de pessoa para pessoa.

É graças a essa diferença que os animais podem, por exemplo, reconhecer seu dono. Só que esse cheiro

é muito sutil e não é percebido pelos humanos, a não ser quando há contato corporal.

No entanto, algumas condições fazem com que o cheiro do suor torne-se desagradável. "Principalmente em função de algumas doenças", explica o dermatologista Cláudio Tonello Sampaio. "É o caso do diabetes, da insuficiência renal, da insuficiência hepática e do alcoolismo. Existem também algumas drogas (remédios) que são eliminados pelo suor, então a pessoa fica com cheiro de remédio. Inclusive, alguns pescadores costumam tomar complexo B, que, eliminado pelo suor, funciona como repelente de insetos. Isso acontece também com determinados alimentos, como orégano, por exemplo."

Axilas

Mas segundo o médico, é nas axilas que o suor pode apresentar cheiro mais desagradável e geralmente não

é pelo suor, mas em função das bactérias e fungos que ali habitam. "Existem alguns fungos que vivem nos pêlos das axilas e que junto com a umidade do suor podem provocar cheiros bastante fortes. E isso pode acontecer com qualquer pessoa saudável, evidentemente com maior incidência naquelas que não fazem uma higienização correta das axilas. Mas também pode acometer aquelas que cuidam bem da higiene axilar."

Nestes casos, além da higiene normal, o indivíduo precisa usar um sabonete anti-séptico e adotar substâncias antibióticas e antifúngicas para aplicação no local, geralmente com fórmulas manipuladas. "Quando o paciente é homem, nós recomendamos também que ele raspe os pêlos, onde vivem os microorganismos. Isso facilita a aplicação dos remédios e permite que os pêlos novos nasçam sem os fungos."

Tonello chama a atenção ainda para o fato de que algumas bactérias além de causar cheiro forte, podem

"colorir" o suor, resultando em manchas nas roupas. Essa mancha pode ser amarela, marrom ou até azulada. E algumas vezes, as bactérias só mancham, mas não causam o mau cheiro. Também é preciso tratar.

Dica

"No dia-a-dia, o uso de sabonete comum e de desodorantes, que contêm álcool ou outra substância que mata bactérias, é suficiente. Havendo cheiro forte, recomenda-se tratar. Mas para pessoas que têm suor abundante, mas sem cheiro, uma dica bem simples e barata é passar o leite de magnésia Phillips, que ajuda a matar bactéria e diminui a quantidade de suor. Na hora em que passa, o local fica branco, mas ele seca rápido e forma um pó que não mancha a roupa."

O vilão dos pés

No caso do chulé, o processo do mau cheiro é praticamente o mesmo das axilas. Com a diferença de que nos pés, as bactérias e os fungos ainda ficam protegidas por sapatos fechados. "Quanto mais sapato fechado o indivíduo usa, maior a propensão a ter mau cheiro nos pés. Por isso o chulé é mais comum em homens do que em mulheres, que geralmente usam mais sandálias", comenta Tonello.

Ele explica que nesse caso, é preciso tratar tanto os pés quanto os sapatos. E a primeira orientação é: quem usa sapatos fechados diariamente, jamais deve usá-los sem meias. As meias ajudam a absorver o suor, deixando menos alimento para os micróbios. Ao tirar os sapatos, deve-se borrifá-los com formol ou lisofórmio spray, substâncias que matam os germes. E mais: Não usar o mesmo sapato por dois dias seguidos; o tênis que foi usado hoje, deve ficar no sol amanhã e só ser usado novamente no terceiro dia. O sol também mata os germes.

"Então é hora de tratar os pés. E uma das causas mais comuns do mau cheiro nos pés é a micose conhecida como 'pé de atleta'. É aquela micose que as pessoas, erroneamente, chamam de ácido úrico, quando os pés descamam, formam bolhinhas de água. Vale lembrar que isso não é ácido úrico, pois o aumento do ácido úrico no organismo só causa dores nas juntas, a gota. E não reflete em nada na pele. Então, a descamação, as frieiras, o descolamento de unhas são micoses. E quando elas existem, não adiante enxugar bem os pés. É preciso tratá-los, com antimicóticos ou antifúngicos."

No entanto, há pessoas que têm o pé absolutamente sadio, mas apresenta mau cheiro. Nestes casos, o odor é proveniente do uso regular de sapatos fechados ou do excesso de transpiração nos pés. "Aí não há doença, mas os próprios micróbios que moram na pele dos pés acabam se alimentando daquele suor e produzindo o mau cheiro." Para essas pessoas, o médico sugere a aplicação nos pés, depois do banho, de uma substância desinfetante - álcool a 70 graus, vinagre diluído em água (para imersão), permanganato de potássio, formol (diluído a 5%), de forma que os microorganismos sejam eliminados do local.

Talcos

Questionado a respeito do uso de talcos para os pés, o dermatologista explicou que eles funcionam muito bem no inverno,

"mas no verão, se a pessoa sua muito no pé, o talco e o suor vão formar uma 'meleca' desagradável. Então, eu prefiro indicar o álcool, o formol, substâncias líquidas que ressecam a pele e esterilizam".