Poluição do rio Baur ultrapassa limite máximo
Poluição do Rio Bauru ultrapassa limite máximo
Texto: Andréia Alevato
Bioquímica do DAE concluiu em sua pesquisa que o Rio Bauru está morto, como o Tietê na cidade de São Paulo
A poluição do Rio Bauru ultrapassa o limite máximo permitido pela Lei Estadual 997/76, que determina os números de poluição de um rio, e o decreto 10755/77, que classifica as águas, conforme seu nível de poluição. Por isso, ele é um rio morto, sem nenhuma forma de vida, como o Rio Tietê, na cidade de São Paulo, porém, com menos odor.
Essa é a conclusão da pesquisa "Análise Quantitativa da Poluição do Rio Bauru", desenvolvida pela bioquímica Giselda Passos Giafferis, diretora do Serviço de Tratamento de Esgoto do Departamento de Água e Esgoto
(DAE) de Bauru.
Ela contou que há quatros anos, teve a idéia de desenvolver um trabalho em que obtivesse dados oficiais sobre o Rio Bauru, porque sabia que iria usa-los para a implantação do sistema de tratamento de esgoto.
"Esses dados oficiais não existiam, por isso, pensei em desenvolver um trabalho para obter esses dados sobre o Rio Bauru, porque eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, iria usá-los para o tratamento de esgoto", contou Giselda.
Os objetivos da pesquisa da bioquímica eram comparar os valores máximos de poluição permitido pela Lei 997/76 com os valores obtidos em amostras do Rio Bauru, medidas através de análises químicas Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO), Demanda Química de Oxigênio
(DQO) e Oxigênio Dissolvido (OD), e contaminação bacteriológica, e avaliar a qual classe pertence o Rio Bauru, de acordo com o decreto 10755/77.
No início de sua pesquisa, Giselda foi conhecer toda a extensão do Rio Bauru e todos os seus afluentes. Depois, coletou água em 19 pontos, incluindo os afluentes para saber a quantidade da poluição. Essas primeiras análises foram feitas em em maio de 1.997, no laboratório do DAE. Também fez um levantamento biográfico, onde consta toda parte de clima, topografia e rede de esgoto da cidade, toda a parte que engloba poluição e tratamento de esgoto.
Na segunda etapa do projeto, depois das análises, novas coletas de água do Rio Bauru foram feitas, em pontos já realizados, pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), para que Giselda pudesse fazer uma comparação com as coletas de 97.
Os resultados mostram que apenas três, dos 19 pontos de amostragem estão abaixo dos Valores Máximos Permissíveis
(VMP), determinados na Lei Estadual). Ela também confirmou que o Rio Bauru é altamente poluído, pertence à Classe 4, desde a sua formação até o encontro com o Ribeirão Grande, e à Classe 3, do encontro com o Ribeirão Grande até seu final, quando deságua no Tietê, em Pederneiras.
"Com a minha pesquisa, conclui que o Rio Bauru é altamente poluído, está morto, como o Rio Tietê na cidade de São Paulo, e pertence a Classe 4. A partir do encontro do Ribeirão Grande até Pederneiras, onde deságua no Tietê, o Rio Bauru é Classe 3, mas isso não significa que ele não continua sendo poluído. Ele
é menos poluído, porque tem vida, tem peixes, mas isso não significa que não é perigoso. Essa poluição causa vários problemas para a saúde. Também pude constatar que todos os resultados das amostras deram acima do permitido pela legislação, ou seja, a poluição do Rio Bauru ultrapassa o limite máximo permitido por lei", afirmou a bioquímica.
Amostras dos afluentes do Rio Bauru também foram coletadas, tanto antes de cada um encontrar com o Rio como no encontro. Resultado: todos os afluentes são contaminados.
"Também foram coletadas amostras dos afluentes, antes de cada um encontrar com o Rio e no encontro dele. Todos afluentes são poluídos, uns mais outros menos, dependendo do quanto de esgoto que ele recebe", disse.
Um dos pontos mais contaminados do Rio Bauru é na avenida Nuno de Assis, atrás do Terminal Rodoviário. ali, o Rio recebe cinco afluentes, todos contaminados.
"O Córrego da Grama, que passa embaixo do Complexo Viário também é outro ponto bastante contaminado", comentou.
Para Giselda, a única saída para despoluir o Rio Bauru é o tratamento do esgoto. Ela não soube dizer quanto tempo demorará para voltar a vida da fauna e flora no Rio depois que o sistema de tratamento de esgoto for implantado, mas disse que a despoluição começará já na implantação, porque o esgoto não será mais jogado no Rio.
"A partir do momento em que se parar de jogar o esgoto no Rio, o tempo de despoluição é rápido", disse.
Giselda afirmou ainda que esses foram os primeiros dados, e que a partir de agora, as análises serão feitas periodicamente, para que se tenha dados suficientes para a instalação do sistema de tratamento de esgoto.
"Esses são os primeiros dados. Agora, estou providenciando que estas análises sejam feitas periodicamente, para que nós tenhamos dados suficientes para se levantar qual seria o processo de tratamento de esgoto mais adequado para Bauru", concluiu.
O que é?
Interceptores: são as tubulações, que ficam em baixo da terra, por onde o esgoto caminha, ao invés de cair no rio.
DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio): é a degradação da matéria orgânica, onde se reproduz os fenômenos que ocorreram no rio ao receber o lançamento do despejo sob condições padronizadas. Ou seja, é a sujeira do Rio;
DQO (Demanda Química de Oxigênio): é a demanda do consumo de oxigênio provocado pela oxidação da matéria orgânica presente na amostra em meio ácido sob condições padronizadas;
OD (Oxigênio Dissolvido): teste no controle da poluição da água no controle de processos de tratamento de águas residuárias. É o oxigênio na água.
* Para detectar a poluição do Rio Bauru, Giselda Passos Giafferis comparou os Valores Máximos Permissíveis
(VMP) permitidos pela Lei Estadual 997/76, com os números das amostras de acordo com o DBO, DQO e DO.
Lei
A Lei Estadual 997/76 determina os números de poluição de um rio. O decreto 10755/77 classifica as águas, conforme seu nível de poluição.
Classe 1: águas destinadas ao abastecimento doméstico, sem tratamento prévio ou com simples desinfecção. O rio é praticamente puro.
Classe 2: águas destinadas ao abastecimento doméstico, após tratamento convencional, à irrigação de hortaliças ou plantas frutíferas e àrecreação de contato primário (natação, esqui-aquático e mergulho).
Classe 3: águas destinadas ao abastecimento doméstico, após tratamento convencional, à reservação de peixes em geral e de outros elementos da fauna e da flora e
à dessedentação de animais.
Classe 4: águas destinadas ao abastecimento doméstico, após tratamento avançado, ou à navegação,
à harmonia paisagística, ao abastecimento industrial,
à irrigação e a usos menos exigentes.