08 de julho de 2026
Geral

Ano Novo

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 4 min

Réveillon 2000 - É hora de comemorar

Réveillon 2000

É hora de comemorar

Texto: Gustavo Cândido

Existem muitas razões para acreditar que a passagem do dia 31 de dezembro para o 1º de janeiro não é uma data especial. Afinal, não é preciso fazer uma pesquisa muito extensa sobre a história do calendário moderno para perceber que a maneira como nós contamos o tempo hoje, foi mudada várias vezes em diferentes períodos, geralmente para atender propósitos particulares de grupos ou governos poderosos. O que significa o calendário então, senão apenas uma maneira de organizar as coisas? O próprio calendário ocidental não é o único que existe no mundo. Os chineses contam os anos de uma maneira diferente, assim como os judeus, entre outros povos. Mesmo assim as pessoas crescem comemorando a passagem de um ano para o outro como seu fosse uma coisa muito especial. Este ano mais ainda, pela chegada no ano 2000, que muitos vêem como um período de fascínio e mistério. Existe uma razão para isso.

A comemoração não acontece em vão, como explica a psicóloga Regina Furigo. Segundo ela, o ser humano é uma criatura cíclica, que vive várias fases durante a vida, como a infância, a adolescência, a fase adulta, até a velhice e esses ciclos são vitais para o desenvolvimento psíquico de uma pessoa. Cada fim de ciclo representa uma etapa e uma possibilidade de crescimento, onde se pode compreender coisas que antes eram incompreensíveis por falta de experiência ou maturidade.

Da mesma maneira, a natureza também é cíclica e cada estação traz um novo clima e cria um novo ambiente, renovado. E assim é a vida do ser humano em geral, regulada por fases, períodos e limites, como os que existem no calendário, por exemplo, que marca os dias, os meses, as estações do ano, as fases da lua, etc. Fases e mais fases para serem vividas.

"Toda vez que uma fase nova se inicia, existe a possibilidade de corrigir o que não ficou tão bom antes, o que está incomodando ou o que não se deu conta de fazer ou aprender na fase anterior", diz a psicóloga. Deste modo, cada passagem de ano representa a possibilidade de se começar um novo período, diferente do anterior, sempre melhor,

é claro, "tudo recomeça mas tudo tem a possibilidade de não começar da mesma forma se a pessoa aprendeu com as experiências anteriores, portanto existe uma possibilidade de crescimento", afirma Regina Furigo, "o forte do ano-novo não é passar de 1999 para 2000, o qualquer data que seja, nem a passagem do dia 31 para o dia 1º, porque as coisas não se alteram de um dia para o outro, mas sim a possibilidade de recomeçar", completa.

A festa

A comemoração, os costumes e superstições em torno da passagem de ano servem como rituais de afirmação desta idéia de renovação, que o réveillon representa. "O ritual é uma celebração em honra de alguma coisa, por isso quando alguém se veste de branco, pula sete ondas ou come lentilha na passagem de ano, mesmo que muitas vezes não tenha consciência disso, está fazendo uma celebração em possibilidade ao seu crescimento, à transformação, ao novo que pode vir", explica Regina Furigo.

De acordo com a psicóloga o ano 2000 reforça ainda mais a idéia de renovação que a passagem do ano representa, pois se trata de um ano mítico, que marca o fim de um milênio, "as pessoas têm tendência a localizar as mudanças externamente para depois processá-las em suas vidas, como se fosse o ano 2000, por exemplo, o responsável pelas coisas que vão acontecer quando na realidade cada pessoa é responsável pelo que acontece em sua vida", afirma Regina.

A psicóloga acredita que manter as tradições do fim de ano, os rituais e superstições não

é nocivo para as pessoas, pelo contrário, faz bem. Ela mesma tem seus próprios rituais, que são chupar sete caroços de romã e depois guardá-los na carteira pelo resto do ano ( a romã está associada a idéia de sucesso e união) e distribuir folhas de louro para as pessoas queridas, "o louro era o símbolo máximo de vitória para os atletas gregos da antiguidade e depois para os césares romanos, dar uma folha de louro

é desejar sucesso e vitória a alguém. Ganhar também é bom", afirma Regina Furigo.