08 de julho de 2026
Geral

Tratamento de esgoto

Andréia Alevato
| Tempo de leitura: 3 min

Abes tem alternativa para tratamento de esgoto

Abes tem alternativa para tratamento de esgoto

Texto: Andréia Alevato

Projeto une dois métodos de tratamento de esgoto em uma única Estação de Tratamento de Esgoto, que poderia ser instalada atrás do Distrito Industrial

Entre março e dezembro deste ano, a Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes) de Bauru realizou o Curso de Especialização em Engenharia de Controle da Poluição Ambiental. Desse curso surgiu a pesquisa sobre Alternativas para o Tratamento de Esgotos de Bauru, que une dois métodos de tratamento e a construção de uma única Estação de Tratamento de Esgoto

(ETE).

Na pesquisa, desenvolvida por Carlos Alberto Ferreira Rino, Nilton José Saggioro, Eduardo Lincoln Lofiego e José Aparecido de Siqueira Campos, o grupo fez uma análise técnica sobre os impactos ambientais que poderiam ser causados com a construção de uma ETE, levando em conta a legislação, que classifica o Rio Bauru hoje, como Classe 4.

Nilton Saggioro disse que uma das preocupações iniciais do grupo foi definir uma metodologia para se escolher o sistema mais adequado para o tratamento de esgoto de Bauru.

"Nós adotamos alguns critérios para serem seguidos, como eficiência, área e custo operacional, que está diretamente ligado com a qualidade de água do rio. Queremos não só atender a legislação atual e sim melhorar suas condições, para que no futuro ele volte a ter vida. Com essa decisão inicial e o estudo de impacto ambiental, eliminamos várias alternativas", disse Saggioro.

"Se o Rio Bauru passar a ser Classe 3, ele voltará a ter peixe, a água pode ser usada para irrigação, desde que a água não tenha contato direto com a planta. Se o rio passar a ser Classe 2, já se pode nadar no rio, pode irrigar hortaliças. Classe 1, dá até para beber a água, desde que ela seja clorada um pouco", completou Rino.

O grupo analisou nove tipos de tratamentos de esgoto. A forma de tratamento escolhida une dois sistema, o Reator Anaeróbico de Manta de Lodo (UASB) mais o Lodo Ativado com Aeração Prolongada. Juntos, os sistemas conseguem atingir 94,4% de eficiência, transformando o Rio Bauru, classificado como Classe 4, em Classe 3, que exige, no mínimo, 93,5% de eficiência. Nesse sistema, seria construída apenas uma Estação de Tratamento de Esgoto, que ficaria localizada atrás do Distrito Industrial. Essa ETE trataria 100% do esgoto da cidade.

"O UASB tem 75,3% de eficiência. Sozinho, esse sistema não serve. Com o Lodo Ativado com Aeração Prolongada, a eficiência será de 94,4%. O Rio Bauru, que é Classe 4, passará a ser Classe 3", disse Saggioro.

Ele explicou que o sistema escolhido não foi o de lagoas anaeróbicas, que tem custo operacional muito baixo, porque para tratar todo esgoto de Bauru seriam necessárias cinco lagoas, cada uma medindo 150m x 850m. Seria preciso desapropriar uma área muito grande, o que acabaria ficando caro para a Prefeitura.

Saggioro disse que se os interceptores fossem instalados já a partir do ano 2000, em dois anos, a Estação de Tratamento de Esgoto, que pode ser construída por módulos, estaria pronta.

"A partir do momento que a ETE está em operação, tecnicamente o Rio estará limpo. Aí, levará um tempo para que volte a ter vida nele, mas limpo ele já estará", comentou Saggioro.