USC é a única na região que faz taxidermia
USC é a única na região que faz taxidermia
Entre seis e nove animais mortos em estradas ou zoológicos são enviados mensalmente à Universidade para o embalsamento
Através de um trabalho de taxidermia (embalsamento) realizado USC (Universidade do Sagrado Coração), animais mortos de várias espécies estão sendo preservados e podem ser utilizados em pesquisas e também de forma didática para o aprendizado dos alunos. A USC é a única em toda a região a fazer a taxidermia, técnica ainda pouco difundida no Brasil.
Segundo a professora doutora Ana Maria Vieira, responsável pela técnica de taxidermia na USC, a Universidade recebe mensalmente uma média que varia de seis a nove animais, para serem embalsamados. Muitos desses animais são encontrados mortos em rodovias e em zoológicos. A maior parte deles
é enviada pelo Ibama.
O trabalho de taxidermia começou a ser realizado no campus há cerca de 18 meses. Nesse período, 150 animais já foram embalsamados e passaram a compor o acervo do Museu de Ciências Naturais da USC. Entre eles, há uma suçuarana Felis concolor, conhecida popularmente como onça-parda. Dra. Ana Maria afirma que a presença dessa onça em museu é algo bastante raro, devido ao fato de que ela vive de forma solitária (veja matéria nesta página).
No acervo há ainda aves exóticas, como tucanos e araras, macacos e outros animais de pequeno porte. Dos animais mortos que chegam à Universidade, cerca de 40% são enviados pelo Ibama. Zoológicos de vários lugares e a Duraflora também enviam espécies para a taxidermia. O acervo do museu é composto de animais mortos na região e também de outras localizades. É o caso da suçuarana, que morreu próximo a Ribeirão Preto.
Preservação - Dra. Ana Maria, que também
é responsável pela disciplina de zoologia da USC, diz que a taxidermia é um trabalho de extrema importância, uma vez que preserva a espécie de forma íntegra, perdendo pouco das características taxonômicas do animal (que servem para a classificação). "No Brasil, eu conheço três bons taxidermistas e eu diria que um deles presta serviços à USC", acrescenta. Trata-se de Erasmo Gonçalves, que há vários anos trabalha na área, tendo já atuado na Duraflora.
O Museu de Ciências Naturais da USC é bastante antigo, sendo que atualmente passa por uma reforma. Até porque, conforme lembra a professora, a durabilidade do animal embalsado depende muito da técnica utilizada e também da sua conservação, uma vez que os ácaros devem ser evitados. A intenção é que, no futuro, o museu seja informatizado e reaberto à visitação da comunidade em geral.
Atualmente, quem mais utiliza os animais taxidermizados são os alunos do curso de Ciências Biológicas. Além de pesquisar esses animais, os estudantes também têm a oportunidade de participar de aulas de taxidermia, incluída na disciplina de zoologia de vertebrados.
Etapas - Ao receber o animal, ele deve ser armazenado no freezer, até que o técnico comece o serviço de taxidermia. Num primeiro momento, é feita uma incisão abdominal, para a retirada da estrutura óssea e das vísceras. O técnico, então, estuda o conteúdo estomacal para avaliar do que ela se alimentava. Esses e outros dados, como a dimensão do animal e da idade (avaliada por itens como a pelagem, o peso e a dentição), são registrados em uma ficha.
Numa próxima etapa, é colocado fixador (bórax) no interior animal, trabalho esse repetido durante 24 horas. Esse produto vai evitar a desintegração do tecido. Depois,
é acrescentado material de enchimento. A sustentação interna é feita com arame. O animal é fechado e tem sua pelagem tratada. Desde que a preservação seja adequada, o trabalho chega a durar cerca de 200 anos.
Uma das preocupações do técnico em taxidermia
é reproduzir as características do animal. Para isso, ele deve conhecer o histórico do bicho, como seu habitat natural e seu comportamento. A suçuarana recebida recentemente está deitada e com os dentes aparentes, numa posição de defesa.
Onça-Parda, taxidermizada,
está no campus da Universidade
Em setembro deste ano, a USC foi notificada pelo Ibama de Bauru que uma suçuarana (Felis concolor), conhecida popularmente como puma, onça-parda, havia sido atropelada e morreu nas proximidades de Ribeirão Preto. Logo após o comunicado, técnicos da Universidade, com autorização do Ibama, fizeram o traslado do animal para que ele fosse taxidermizado.
A suçuarana tem sua distribuição nas Américas, desde o Canadá até o extremo da América do Sul. Como animal solitário, prefere viver em lugares de difícil acesso - florestas, desertos e montanhas. O comprimento do pêlo varia conforme o habitat, indo de curto a muito longo, e destaca-se em geral nas cores bege-rosado, cinza ou na cor-de-ferrugem.
Geralmente, caça ao entardecer, sendo que o carneiro selvagem, o veado e o caititu constituem suas presas preferenciais. O período de gestação é de 86 a 95 dias, com ninhada de dois a três filhotes, que abrem os olhos com dez dias de idade e ficam com a mãe até os vinte meses. Os adultos se comunicam por meio de uma espécie de silvo estridente.
Segundo a professora Dra. Ana Maria Vieira, o animal taxidermizado na USC tinha cerca de 5 anos e, possivelmente, atravessou a rodovia em busca de alimento. Ela explica que, embora a suçuarana seja agressiva, ela raramente ataca o homem, e tem tanto medo de cães que sobe em árvores para escapar deles.
O animal foi levado ao Museu de Ciências Naturais da USC e, em fevereiro de 2000, deve ficar exposto para a comunidade. A professora lembra que tratar-se de um animal bastante raro em museu, devido ao seu comportamento solitário.
Saiba mais sobre a Onça Parda
Classificação
- Filo: Chordata
- Classe: Mammalia
- Ordem: Carnívora
- Família: Felidade
Características:
- Comprimento: até 2,40 metros
- Altura, até 63 centímetros
- Peso: até 100 quilos
- Período de gestação: de 86 a 95 dias
- Ninhada: dois ou três filhotes
- Período de vida: 15 anos