Técnicos ainda não sabem como limpar represa em São Manuel
Técnicos ainda não sabem como limpar represa em São Manuel
Texto: Marcos Zibordi
Cetesb reclama da falta do equipamentos que seriam enviados pela Ferroban e que ainda não chegaram
Ainda não foi definida a forma de limpeza da estação de captação de água do Galerani, em São Manuel, que sofreu um derramamento de pelo menos 75 mil litros de óleo diesel no domingo após o descarrilamento e tombamento de seis vagões de uma composição da Ferroban. A Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental
(Cetesb) não tinha recebido até o final da tarde de ontem os equipamentos para limpeza que seriam enviados pela Ferroban. A situação é delicada, já que nada foi retirado da represa e uma chuva pode piorar as coisas.
"O quadro está estabilizado numa situação não-cômoda", avalia Helvio Aventurato, 47 anos, gerente de operações de emergência da Cetesb, para quem existe uma situação controlada no momento mas que pode se tornar descontrolada com uma chuva, principalmente.
O óleo derramado na vala paralela aos trilhos estava sendo retirado ontem. No entanto, uma grande quantidade do produto está depositada em grandes poças no terreno que divide a represa do local do acidente (mais ou menos 150 metros). A represa está repleta e ontem técnicos testavam a melhor maneira de retirar o petróleo da água. "Nós temos muito
óleo infiltrado para cima deste lago e alguma coisa para baixo. Esse lago é o pulmão do sistema operacional".
Em relação aos recursos disponíveis até ontem, "os que estão aqui são poucos e eu diria que inadequados", avaliou Aventurato. Segundo informou, a Petrobrás deve ceder um equipamento que viria de São Sebastião e chegaria em São Manuel na noite de ontem.
"A idéia é chegar e começar a operação".
O sistema de iluminação da represa, que possibilitaria o trabalho noturno, também não estava no local até ontem.
A Cetesb ainda não sabe a quantidade de óleo que atingiu a mata e a represa nem o quanto sobrou nos vagões.
"Tem bastante coisa mais não se sabe". Ontem, os trilhos foram reconstruídos no trecho do acidente para possibilitar a chegada de outro(s) vagão(s) que farão o transbordo do óleo dos vagões tombados. Somente depois disso é que poderá ser esclarecido o número de vagões que vazaram, quanto vazou e qual produto continha cada um deles. A Ferroban estuda a possibilidade de um guindaste fazer o trabalho de forma mais segura e rápida, sem precisar esvaziar os vagões para desvirá-los. Também não havia definição quanto ao procedimento que seria adotado.
Segundo a Cetesb, não é só óleo diesel que vazou. "Com certeza, pelo menos, é óleo combustível e diesel".
Algumas mantas absorventes foram testadas, junto com a turfa vegetal, capaz de agregar o óleo que seria depois recolhido com peneiras. A Cetesb ainda não havia definido o procedimento ontem.
A Cetesb está dando um ultimato para que se inicie uma operação 24 horas, "evidentemente desde que haja recurso. A Cetesb não tem recurso para este porte e a Ferroban tem que mobilizá-los".
Aventurato diz que os materiais para limpeza são responsabilidade de quem gerou o problema, a Ferroban. "Nem cabe ao Estado. Cabe ao empreendedor".
O engenheiro classifica o dano ambiental como uma ocorrência de grande porte, cujo impacto também é grande, "porque nós estamos falando de produtos inflamáveis, com toxidade ao meio ambiente, a extensão atingida é grande, inviabilizou a captação de água; portanto é uma ocorrência de grande porte".
Ontem, nenhum responsável da Ferroban que estava no local do acidente quis dar entrevista sobre o assunto. A reportagem foi informada que Maurício Magagna, coordenador regional, falaria sobre o assunto por telefone celular. Mas o telefone estava na caixa postal.