08 de julho de 2026
Geral

Recuperação escolar

Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Mais de 7 mil alunos fazem recuperação de férias

Mais de 7 mil alunos fazem recuperação de férias

O número de alunos indicados para a recuperação de férias aumentou em relação ao ano passado. Esse ano são 7.228 estudantes de 1.ª a 4.ª série, de 5.ª a 8.ª e ensino médio que estarão, no mês de janeiro, se recuperando para o início do ano letivo. No ano passado, foram cinco mil alunos.

A recuperação de férias da rede estadual de ensino, que faz parte do programa de progressão continuada, mais conhecido como "repetência zero", tem início no próximo dia 3 de janeiro e vai até o dia 28 do mesmo mês. Os alunos indicados são os que não alcançaram, durante o ano, uma média 5,0, ou seja, nota C.

Segundo a dirigente de ensino, Edinéa Sitta Cucci, o número de alunos de recuperação aumentou porque, "provavelmente faltou um entendimento por parte da direção da escola ou dos professores que indicaram os alunos". Ednéa explicou que a recuperação de férias é para trabalhar o analfabetismo em alunos de 1.ª a 4.ª série e o letramento de 5.ª a 8.ª série.

"Outras deficiências, consideradas mínimas devem ser sanadas durante a recuperação paralela, que o aluno pode fazer durante todo o ano", disse Ednéa.

Para a preparação do programa de recuperação de férias foram contratados, em Bauru, 200 professores que estão durante toda essa semana fazendo um curso de reciclagem. O objetivo, segundo Ednéa, é treinar os professores para que atendam exatamente as dificuldades de cada aluno.

Professores estão insatisfeitos

Os professores da rede pública de Bauru acreditam que o sistema de aprovação automática não

é bom para o aluno e beneficia somente o governo que, antes, tinha um gasto muito alto, cerca de R$ 600 milhões ao ano, com alunos repetentes.

Os professores Sérgio Vital da Silva, Carla Cristina Azevedo Silva e Rose Alves concordam que o programa de progressão continuada, que segue a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, de 1996, iniciado na rede pública do estado de São Paulo no ano passado, é viável só para o estado. "Esse sistema é prejudicial para os alunos de um modo geral. Os que não acompanham prejudicam toda a sala", disse Silva.

Ele explicou que pode acontecer a discriminação do aluno que necessita uma atenção maior do professor porque não está no nível da série que freqüenta e os que estão num nível mais elevados podem ser prejudicados. "É perigoso trabalhar com a classe desuniforme em termos de conhecimentos", falou Silva.

A professora Rose disse que os professores não são mais respeitados pelos alunos. "Estamos desmoralizados. Eles sabem que tendo presença são promovidos, por isso já não querem mais estudar. O nosso trabalho se tornou impossível", falou.

Para ela não há um futuro do ensino no Brasil. Segundo Rose, os alunos saem da escola com o diploma na mão, mas não preparados para o mercado de trabalho. "O futuro não dá nem para enxergar, de tão escuro", concluiu Rose.

Para a dirigente de ensino Ednéa Sitta Cucci, o programa

"repetência zero" dá a oportunidade ao aluno para aprender no seu ritmo. "Ele tem oito anos para realizar o ensino fundamental", disse.

Ela acredita que os professores têm que adquirir o respeito dos alunos pela competência de cada um. "Antes, o professor usava a avaliação como uma arma e, na verdade, deve ser um diagnóstico para saber como está a evolução do aluno. O respeito se conquista no trato com os alunos e não fazendo com que eles tenham medo", explicou.