08 de julho de 2026
Geral

Malha ferroviária

Luciano Augusto
| Tempo de leitura: 4 min

Ferroban: Estado é "Piauí" das ferrovias

Ferroban: Estado é "Piauí" das ferrovias

Texto: Luciano Augusto

Depois de pouco mais de um ano após o leilão de privatização da malha ferroviária, o presidente das Ferrovias Bandeirantes S.A. (antiga Fepasa), José Carlos Nunes Marreco, afirma que "São Paulo é o Piauí das Ferrovias", tamanha é a discrepância entre a sua participação no total de linhas férreas brasileiras (16,3% do total) e o total de carga transportada no Estado (apenas 4,3%). "Estamos abaixo do que é considerado ruim", complementou Marreco, e por isso a comparação com Piauí, "que embora seja um Estado lindo, é também muito pobre". Ele também descartou novos processos de demissão.

Para Marreco, esse fraco desempenho significa "capacidade de crescimento". "Em uma empresa como estava a Fepasa, as coisas não acontecem da noite para o dia", completou. A empresa admite que 99 "foi um ano bastante duro, mas que está marcando uma virada da Fepasa para a Ferroban".

Marreco ponderou que depois de pouco mais de um ano da malha ferroviária ser privatizada, os problemas ainda são muitos. Sucateamento das locomotivas, má qualidade de trilhos e dormentes e queda na quantidade de toneladas úteis transportadas (em 1985, foram 25 milhões de toneladas úteis ao passo que em 1998 foram apenas 10 milhões). "Conheço os problemas, mas acredito na empresa", comentou o homem forte da Ferroban.

Tentando melhorar os números e sair do vermelho (a Ferroban trabalha com um "buraco" mensal que em novembro foi de R$ 2 milhões, sendo que já foi bem maior), o diretor-presidente da empresa disse que 99 "foi um ano de maturação dos investimentos e os resultados virão durante o ano de 2000". Num ano em que a empresa investiu cerca de R$ 46 milhões, perto de R$ 10 milhões foram gastos na recuperação de oito locomotivas que estavam abandonadas.

O plano de negócios da empresa trabalha com uma projeção de transportar 10,5 milhões de toneladas úteis neste ano, apenas 500 mil quilos a mais que em 98. Para o ano que vem,

"ainda mantendo uma média modesta", a previsão da Ferroban é transportar 14 milhões de toneladas

úteis e em 2001, a meta da empresa é atingir 23 milhões de toneladas úteis, chegando ao topo de 33 milhões em 2003. Para atingir tal produtividade, a empresa aposta em algumas soluções de gerenciamento para melhorar o desempenho. Um deles é apurar a captação de recursos de longo prazo em 2000. A Ferroban quer atingir em 2003, R$ 600 milhões em investimentos na sua malha. O diretor-presidente da Ferroban não informou quando será gasto na malha da Ferroban na região de Bauru. Considerou apenas que por se tratar de um entroncamento importante será "olhado com muito carinho e vai receber uma atenção especial".

Do total investido, cerca de R$ 150 milhões devem ser de investimentos terceirizados, outro ponto que será incrementado, segundo o próprio Marreco. Mesmo que, na maioria das vezes, a contratação de terceiros por parte das empresas signifique mais demissões, a Ferroban afirmou que estas não são mais previstas pela empresa. A terceirização deverá ocorrer somente em serviços sazonais, como a troca de dormentes que só ocorre em época de seca.

"Temos que manter uma massa crítica de inteligência própria", adiantou Marreco. "O nosso plano de demissão acabou, não tem mais nenhum processo de demissão unilateral ou de demissão voluntário". A empresa, que antes da privatização mantinha mais de 6 mil trabalhadores em seus quadros, hoje opera com pouco mais de três mil empregados.

Novo plano de previdência

Aproveitando a visita de ontem à sede da Ferroban em Bauru, o diretor-presidente da empresa, José Carlos Marreco, expôs a proposta de previdência privada da empresa que pretende substituir o plano unilateral e a cláusula 449 do contrato coletivo para cerca de 40 empregados. Durante a visita, "a primeira de outras", Marreco expôs aos funcionários as garantias estabelecidas na nova proposta e o porquê da necessidade de mudança.

A cláusula 449 e o plano unilateral prevêem quantias

"impagáveis" de indenizações nos casos de demissão sem justa causa, "além de fazer mau ao passivo da empresa".

A proposta da Ferroban é a criação de um novo plano de cargos e salários e a instituição de um plano de previdência privada. "A saída

é a criação de um plano privado, pagando 1 para 5 (quando a previdência oficial paga 1 para 1), por causa da cláusula 449", adiantou Marréco.

Junto com o novo plano seria criado também um novo plano de cargos e salários, baseado no modelo americano de carreira em Y. este modelo desvincula o salário recebido pelo empregado

à sua função.

As garantias para o trabalhador que migrar para o novo plano são: um ano de garantia de emprego mais a permanência no fundo de pensão por um período de cinco anos. O saldo será corrigido por, "no mínimo a correção da poupança". Após o período de carência, o trabalhador poderá sacar o dinheiro. O "medo" maior dos trabalhadores, expresso durante a conversa com o presidente da empresa, é a volta das demissões após o término da garantia de emprego.