Justiça decreta nova prisão contra Izzo
Justiça decreta nova prisão contra Izzo
Texto: Josefa Cunha
O juiz da 3.ª Vara Criminal de Bauru, João Augusto Garcia, decretou ontem nova prisão preventiva de Antonio Izzo Filho. O ex-prefeito continua detido na Cadeia Pública local, mas a iminência da concessão de liberdade, esperada para o início de janeiro, determinou a atitude de Garcia.
O novo decreto refere-se ao processo que Izzo Filho responde por cobrar propina de 14 fornecedores que operavam com a Prefeitura. Na época em que o processo começou a ser instruído, o Tribunal de Justiça de São Paulo já havia determinado a prisão preventiva de Izzo em dois processos, um relativo à acusação de extorsão contra a Empresa Circular Cidade de Bauru (ECCB) e outro aos atentados
à bomba contra vereadores. No entendimento de Garcia, os decretos do TJ já garantiam a preservação da ordem pública.
Sabendo da possibilidade de relaxamento da prisão, que pode partir do TJ em julgamento de habeas-corpus ou do próprio Fórum de Bauru, Garcia resolveu agir de forma a manter o ex-prefeito atrás das grades. "Existem requisitos de custódia cautelar, pois há prova da materialidade e indícios suficientes da autoria. Por outro lado, trata-se da apuração da prática de infrações graves, que, indiscutivelmente, abalam a ordem pública e trazem insegurança à comunidade de Bauru", expõe o juiz.
O ex-prefeito vinha com a expectativa de ganhar a liberdade antes do ano novo, mas tal possibilidade já havia sido descartada antes mesmo de Garcia expedir o novo decreto de prisão. O advogado Ailton Gimenez aguardava julgamento de um pedido de liberdade provisória apresentado ao Fórum local. A solicitação foi feita no início do mês e será apreciada pelo juiz da 1.ª Vara Criminal, Benedito Okuno. A decisão poderia ter ocorrido não fosse a Promotoria ter requerido a juntada de outros processos envolvendo o ex-prefeito. No Tribunal de Justiça, a defesa também espera o julgamento de um habeas-corpus. Em ambos os pedidos de soltura, Gimenez argumenta a decorrência de prazo excessivo para a formação da culpa. Izzo está detido há 230.
Na argumentações do decreto de prisão expedido ontem, o juiz levanta dúvidas sobre as conseqüências da liberdade do ex-prefeito, não descartando, inclusive, a intenção de fuga. "Outras acusações, ainda mais graves, estão em fase final de instrução. Ele já foi fugitivo da Justiça e está ciente das possibilidades jurídicas referentes a eventuais condenações. Por certo, solto, poderá não querer esperar para ver o fim de tantos processos", considera.
Comunicado do novo decreto, o advogado Ailton Gimenez começou ontem mesmo a providenciar pedido de habeas-corpus no Tribunal de Justiça. Em comentário sobre a medida de João Augusto Garcia, Gimenez se disse surpreso e definiu a estratégia jurídica como inusitada. "Este processo sobre as propinas está há muito tempo em andamento. Essa decisão
é, no mínimo, inusitada. Além disso, o decreto traz convencimentos que nada têm a ver com o que está no processo. Em nenhum um momento os fornecedores culpam o Izzo diretamente; alguns, aliás, até o inocentaram. Avaliamos esse novo fato como mais um complicador, mas continuaremos combatendo com os recursos de direito", disse.