Qualidade de serviços preocupa eletricitários
Texto: Luciano Augusto
A privatização das empresas do setor elétrico pode, a curto prazo, significar piora no serviço de fornecimento de energia elétrica prestados à população. O alerta é dado pelo Sindicato dos Empregados na Geração, Transmissão e Distribuição de Eletricidade de Bauru (Sindluz).
O sindicato, que é ligado à Central Geral dos Trabalhadores
(CGT) e atua nas regiões de Bauru, Lins, Marília e Botucatu, explica que a reestruturação promovida pelas empresas compradoras das estatais do setor acabam, via de regra, em demissões, reduções salariais e desmantelamento do patrimônio público. "O empresário privado quer o lucro, com custos (de produção) menores. Com isso, a qualidade (dos serviços) começa a cair", argumenta o presidente do Sindluz, Luiz Cássio Delisi Moura.
Para diminuir os custos, o caminho mais curto é o corte de pessoal. As empresas demitem funcionários em áreas específicas e contratam pessoal terceirizado, "rebaixando salários" e contratando outros, muitas vezes sem o grau de treinamento necessário. Dos que não conseguem ser recolocados nas empresas terceirizadas, muitos migram para a economia informal, "aumentando o caos social", perpetuando os problemas.
Diante desta "reestruturação" pós-privatização, Moura e o diretor sindical, José Carlos Moraes, explicam que o papel do sindicato é conversar com os novos donos, esclarecendo que esse modelo de setor elétrico privatizado
é relativamente recente no País e carente de discussões
à respeito. Além disso e das questões salariais, consta da pauta sindical de 2000 a realização de eleição de um trabalhador para integrar os conselhos administrativo, gestor e curador do fundo de pensão de um dos braços da antiga Companhia Energética de São Paulo (Cesp). "Vamos apoiar nomes que tenham responsabilidades para com o trabalhador e não com entidades sindicais", adiantou o presidente do Sindluz.
Outro ponto bastante controverso em 2000 deve ser a privatização de uma terceira parte da Cesp, de geração de energia, marcado para ocorrer entre março e abril. Com a privatização, estão previstos remanejamentos de pessoal para Presidente Prudente, a um custo de mais de R$ 800 mil, "que sai do bolso do contribuinte". Outro ponto de luta é a previsão de fechamento da central de atendimento ao público da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) e a transferência do "call center" para Campinas. Existe uma liminar que, por enquanto, protela o fechamento pois obriga a empresa a discutir a transferência previamente com o sindicato. A multinacional Siemens deve assumir a operação do sistema para a companhia de força e luz.
Órgão internacional
Foi criado em novembro do ano passado, em El Salvador, na América Central, a Coordenadoria do Setor Elétrico Americano (Cosea). O organismo internacional visa a troca de informações entre as nações americanas sobre a atuação dos grandes grupos multinacionais, "mostrando que o objetivo
é o mesmo: lucro".
Além disso, justifica Moura, membro da Cosea, ela "pretende evitar a perda de soberania dos Governos", principalmente nos controle de tarifas e qualidade dos serviços prestados. Outra discussão da Cosea deve ser a atuação
"combatendo" o Fundo Monetário Internacional
(FMI) e sua política de dominação econômica, principalmente sobre países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil.