Fazenda Santo Antonio é desapropriada em Piratininga
Texto: Marcos Zibordi
Decreto presidencial declarou a área de interesse social há 10 dias. Sem-terra devem retornar à fazenda em breve
A fazenda Santo Antonio, pertencente ao município de Piratininga, não é mais do proprietário. O presidente da República, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), decretou no último dia 22 de dezembro a desapropriação da área para fins de reforma agrária. Do outro lado, as cerca de 100 famílias do Movimento dos Trabalhadores Sem-terra (MST) acampadas há seis meses nas margens da rodovia Bauru-Jaú, comemoraram a boa notícia de ano novo. Eles devem reocupar a fazenda em breve, segundo informou uma liderança dos acampados.
A história da fazenda Santo Antonio, apesar de recente em relação aos outros acampamentos da região, foi escrita com capítulos dramáticos. Parte dos sem-terra que ocuparam a fazenda em maio vinham de outra ocupação, no Horto de Bauru, de onde foram retirados.
O acampamento em Piratininga durou aproximadamente um mês, até um efetivo de 380 policiais fortemente armados cumprirem a liminar de reintegração de posse. No período de acampamento, Lafayete Antonio de Oliveira, um dos líderes, foi assassinado a tiros por um integrante do próprio acampamento.
A desocupação foi tensa e a operação de retirada das famílias durou 20 horas. Os sem-terra acamparam no final da tarde da desocupação às margens da rodovia Bauru-Marília, no dia 18 de junho. No dia 19 tinham ocupado a fazenda Val de Palmas.
Nessa fazenda, que depois foi declarada como produtiva pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária
(Incra) e escapou da reforma agrária, os sem-terra foram acusados de queimar casas e objetos de valor histórico da fazenda.
Após o incidente, eles montaram acampamento às margens da rodovia Bauru-Jaú, onde estão até hoje. Ontem, o clima no acampamento era de euforia com a notícia de que a fazenda estava desapropriada. De acordo com a liderança dos acampados, eles devem retornar à fazenda Santo Antonio tão logo reúnam condições de transporte para os objetos de acampamento, lonas e paus que servem de armação para os barracos.
O decreto do presidente exclui da desapropriação os eventuais animais (bois e cavalos) que estiverem na fazenda, máquinas e implementos agrícolas, bem como as benfeitorias existentes no imóvel.
O Incra agora deve fazer a seleção das famílias, com entrevista técnica, número de filhos, estado civil, pesquisa de CPF, entre outros quesitos. Essa entrevista resulta numa classificação numérica que seleciona as famílias.
A fazenda tem 737 hectares, segundo registro no Cartório de Registro de Imóveis e Anexos da Comarca de Piratininga.