Juiz Eleitoral oferece apoio para a conquista dos 200 mil eleitores
Texto: Josefa Cunha
A proposta de se organizar uma campanha para a conquista do segundo turno em Bauru, possível se o colégio atingir a marca dos 200 mil eleitores, tem garantido o apoio do juiz eleitoral Horácio Furquim Guanaes. Caso a campanha venha mesmo a ser deflagrada pelos partidos políticos e sociedade organizada, ele promete oferecer meios para facilitar o processo de alistamento dos potenciais votantes.
O debate sobre a possibilidade do segundo turno foi levantada por cidadãos comuns, políticos e pelo Jornal da Cidade, que desde já apóia uma eventual campanha. Nas eleições de 1998, Bauru contava com 184.887 eleitores. Numericamente, faltariam pouco mais de 15 mil novos inscritos para levar a decisão das urnas em duas etapas. Se considerada a movimentação nos dois cartórios entre janeiro a dezembro de 1999, quando 11 mil procedimentos foram realizados, a quantidade necessária para atingir os 200 mil seria ainda menor.
O problema é que nesse volume registrado nos cartórios ao longo do último ano não estão apenas novas inscrições, mas também requisição de segundas vias, transferências e revisões de títulos. Há ainda a indefinição quanto ao número de documentos cancelados por conta de ausências não justificadas nos últimos três pleitos. Preliminarmente, seriam cinco mil títulos em vias de anulação, mas o Tribunal Superior Eleitoral ainda não confirmou o contingente oficial de cancelamentos. Por conta de todas essas variantes, não se sabe ao certo a quantidade de votantes existente hoje em Bauru.
Perto ou não de se conquistar o segundo turno, Horácio Furquim Guanaes acha importante trabalhar em prol do alistamento eleitoral de todas as pessoas que possuem condições de retirar o título. "O voto no Brasil é obrigatório. Portanto, quem está apto a votar deveria se inscrever, independente ou não de uma campanha pelo segundo turno", considerou.
Benefícios democráticos à parte, a conquista do segundo turno refletiria em melhorias para a Justiça Eleitoral. Segundo Guanaes, o aumento do colégio poderia abrir caminho para a criação de uma terceira zona eleitoral em Bauru - e o conseqüente desafogo dos serviços hoje concentrados em apenas dois cartórios - e elevar o município a uma condição privilegiada em termos de Justiça Eleitoral. Um projeto de lei que já tramita na Assembléia Legislativa prevê modificações no sistema eleitoral das cidades que possuem 200 mil ou mais eleitores.
Motivada por esses interesses, a Justiça Eleitoral de Bauru tem razões de sobra para colaborar com uma eventual campanha pró segundo turno. Guanaes destaca que o aval do TRE seria indispensável para a atuação conjunta, mas acredita que não haveria nenhum obstáculo por parte da instância superior. A contribuição poderia vir com a disponibilização de postos volantes de inscrição e de pessoal para visitas a empresas e, principalmente, a escolas, onde se concentram os maiores de 16 anos com plenas condições de exercer o voto.