07 de julho de 2026
Geral

Oftalmologia

Erika de Lima
| Tempo de leitura: 6 min

Próteses oculares são pintadas com novo recurso

Texto: Erika de Lima

A área Oftálmica, em Bauru, teve grande evolução no que diz respeito a produção de próteses oculares. Atualmente, as próteses de olhos são necessárias por uma questão estética, servindo como olho artificial e também tem importância anatômica, quando se trata de casos com crianças.

O Hospital de Olhos da Beneficência Portuguesa da cidade, há três anos está trabalhando com laboratório próprio e utilizando um recurso que pinta a prótese ocular através de sistema computadorizado. Esse novo método

é pouco divulgado e causa certa polêmica entre os cirurgiões da cidade.

O novo recurso usa câmeras digitais, computador e programas de fotografia e pintura como o Corel Draw e o Adobe Fotoshop. A tecnologia é usada para melhorar o padrão dos olhos artificiais. São utilizadas tintas especiais automotivas associadas à fotografia digital microscópica.

A câmera digital fotografa o olho que está perfeito, para se obter uma imagem da cor da prótese mais próxima da real. Depois é tirada uma impressão de acordo com o tamanho da íris (parte colorida dos olhos) do paciente. Após isso, o protético pega a fotografia e pinta a íris diretamente no computador com uma caneta específica para esse tipo de trabalho ou mesmo com o mouse.

As principais vantagens do novo recurso são: agilização do processo e a qualidade. O oftalmologista Raul Gonçalves Paula, que trabalha com o método, afirma que o novo recurso reduz o tempo de fabricação da prótese. E enfatiza: "Com o método antigo fazíamos uma prótese em um dia inteiro, hoje com três horas e meia já fica pronta".

A rapidez do processo se dá também conforme a quantidade de cores de olhos existentes no banco de dados. Cada cor de íris pintada na tela do micro é também armazenada em sua memória. Gonçalves explica que quanto mais cores de íris houver para se escolher, menor será o tempo para fabricar a prótese. E conclui: "A cor armazenada pode ser utilizada em outro paciente que tenha a mesma, sem perder tempo para pintar outra prótese".

Uma das motivações para se criar o laboratório e fabricar as próteses foi o trabalho com as crianças, disse Gonçalves. "A ausência do olho na criança compromete muito a sua estrutura óssea facial. Os ossos da face do lado que não tem olho não se desenvolvem, o que provoca um defeito estético ainda maior", explica.

Ele teve que pesquisar em muitos arquivos para encontrar estudos sobre o novo método e reclamou sobre a falta de informações que há no Brasil. "Consegui mais informações fora do País do que dentro. Através da Internet encontrei muito material", ressalta.

É fato que as próteses oculares, independente de serem feitas com novos ou antigos recursos, são importantes tanto para a estética e quanto para a autoestima do paciente.

Entretanto, alguns médicos preferem utilizar os recursos antigos por acreditarem que a qualidade da prótese possa ser comprometida. Normalmente são enviadas para São Paulo, onde são fabricadas. O oftalmologista Sérgio Passerotti, é um dos cirurgiões que encaminha o molde da peça artificial para a Capital. Em sua opinião, ainda é melhor o trabalho feito manualmente. "Por melhor que seja um computador, penso que na prática, deve sempre existir um artista para pintar um olho, porque tem que ter a exatidão da cor. Não há micro que saiba acertar isso", argumenta.

O oftalmologista Josmar Sabage também concorda com a argumentação. E acrescenta: "A nossa escola é mais de artista e menos de mercado. Nós adaptamos a prótese e não a vendemos, os pacientes pagam diretamente para o protético".

Surgem problemas na inovação

Mesmo esse recurso sendo uma inovação na área oftalmológica, há ainda algumas dificuldades a serem enfrentadas. Segundo Gonçalves, a maior dificuldade encontrada por ele e a esposa Ercília Mortari Paula, protética de olhos, foi e está sendo imprimir as cores da íris com resolução no papel.

A impressora não consegue imprimir a cor exata que está na tela do computador para o papel. "Estamos recorrendo às grandes gráficas para conseguir a impressão ideal e por vezes, repetí-la para chegar no ponto certo", frisa.

Outro fator que preocupava o novo laboratório do hospital, era a tinta da prótese, que acabava descolorindo antes do tempo pré-determinado, por causa dos raios ultravioletas. Mas, de acordo com Gonçalves, esse problema já está resolvido. Ele disse que os pacientes colocam nos óculos escuros lentes com filtro solar, para que a prótese ocular tenha maior durabilidade.

Próteses elevam a autoestima

De acordo com os oftalmologistas, o uso da prótese no paciente eleva a sua autoestima. Para eles, muitas pessoas que lá chegam para colocar prótese saem com a esperança renovada.

As próteses são aplicadas em pacientes que já nascem com problemas no olho, alguns porque tiveram tumores, outros devido a ausência deste (por ser congênita) outros ainda por acidentes de trânsito, que no Brasil, é a causa mais comum.

Há vários casos em que se precisa colocar próteses. Um deles é o de bebês que nascem com tumor como o retinoblastoma. Se a prótese ocular não é colocada logo no início, o bebê pode ficar com a estética comprometida impossibilitando até o uso de uma prótese futuramente. Anaflora Lauris, 5 anos, teve essa doença, mas com dois anos já estava fazendo cirurgia e aplicando a primeira prótese. Sua mãe, Lúcia Ercília Lauris, 48 anos, disse que não sabia do tumor, mas que quando Anaflora era bebê percebeu que tinha algo estranho em seu olho, porém, bem sutil. Mesmo assim, foi ao oftalmologista para saber o que a filha tinha e então foi confirmado o retinoblastoma.

Lúcia afirma que a filha continua alegre, esperta e, por estar há quase cinco anos com a prótese já se acostumou. "Anaflora vive bem e às vezes, até solta piadinhas sobre seu olho artificial, porque ela convive com a situação desde pequena", completa.

Quem perdeu o olho em acidente só tem a autoestima elevada quando coloca a prótese. O oftalmologista Josmar Sabage disse que os pacientes só conseguem arrumar emprego depois de aplicarem o olho artificial. E finaliza: "O paciente tem uma melhora psicológica depois que coloca a prótese".

Implante de olhos já foi de vidro

O implante de olhos assim como outros tipos de enxertos tem sua história. Ao longo do tempo o implante foi sendo desenvolvido com diferentes fomatos e materiais, indo do vidro ao polietileno.

As informações sobre a origem do olho artificial são diversas, mas sabe-se que o primeiro material utilizado para implante ocular foi o vidro, criado em países como Itália, França e Alemanha. Nos Estados Unidos teve início por volta de 1850.

Décadas depois o vidro foi substituído pelo plástico, um tipo de resina acrílica de alta qualidade, usada atualmente na confecção de próteses e também dentaduras. Além desses, já existiram outros tipos de implantes de olhos como ferro, os associados a imãs, os de acrílico e os de hidroxiapatita e polietileno, estes

últimos utilizados hoje.

O formato do implante é semelhante a uma bolinha de gude que é colocada no lugar do olho retirado e vai com o tempo, interagindo com o organismo. Em cima dessa bolinha, na parte externa do olho, é que é colocada a prótese.