Tuga não consegue apoio de Roque Ferreira
A conversa teria sido boa, regada com um saboroso churrasco, mas concluída da mesma forma que o futebol do pano de fundo
(Corinthians x Real Madrid, na última sexta-feira): empatada e sem evoluções. No papel principal estavam o ex-deputado Tuga Angerami (PSB), possível candidato a prefeito numa coligação com o PDT, e o sindicalista Roque Ferreira, que não abre mão de candidaturas próprias do PT na atual conjuntura política.
Para o PSB, o PT figura como um aliado preferencial no aspecto ideológico, sem falar de sua importância eleitoral
- a legenda dos trabalhadores em Bauru costuma ter uma das melhores perfórmances do Estado em números de votos. Um apoio, portanto, viria como um reforço pesado na pretendida frente de esquerda liderada pelo PSB e PDT.
As posições de Roque Ferreira e seu grupo, porém, parecem não convergir quando o assunto é a forma de enfrentamento dos problemas locais. "As nossas apreciações quanto à forma com que as eleições podem responder aos anseios da população são diferentes. Os interesses quando se existe uma composição pluriclassista são antagônicos. Nós entendemos que o PT tem sua responsabilidade política e que é o único partido com grau de independência para oferecer novos rumos ao setor mais explorado da sociedade", expôs Ferreira.
É por conta dessa visão que o sindicalista, ao contrário do que pregam seus opositores internos - leia-se o vereador José Carlos Batata -, entende que todos os esforços devem ser feitos para o lançamento de uma candidatura própria. Roque Ferreira sabe que sua postura é minoria dentro da máquina partidária, como também sabe que pode ser vencido definitivamente se o vereador Batata ganhar as eleições do diretório municipal no próximo dia 23. Caso o parlamentar obtenha o apoio da maioria da militância petista, a legenda caminhará para coligações
- o mistério é com quem fechará alianças.
Na opinião de Roque Ferreira, o PT não pode se coligar com partidos que mantenham conexão - direta ou não
- com as políticas dos governos federal e estadual. "Bauru
é uma árvore, mas em qual floresta está?
É impossível discutir a solução dos problemas locais sem considerar a base política nacional e estadual. A aliança política deve estar sustentada em princípios políticos e, particularmente, acho que nenhum partido que não esteja rompido com política FHC tem condições de desenvolver um programa que realmente atenda a classe trabalhadora. Não podemos compactuar com programas de governo que vendem ilusões. É nesse ponto que nossas visões não convergem", argumentou.
Em nível nacional, o Partido dos Trabalhadores ampliou as possibilidades de coligação. Além das legendas de esquerda como PSB, PC do B e PC, a cúpula petista autorizou aproximações com setores do PMDB, PSDB e PPS. Em Bauru, esse leque bastante flexível tem o apoio do vereador José Carlos Batata.