Campanha pelo 2.º turno pode ser deflagrada esta semana
Texto: Josefa Cunha
A comentada campanha em busca da instituição do 2.º turno eleitoral em Bauru, possível com a conquista de 200 mil eleitores - o colégio local computa pouco mais de 187 mil -, pode ser deflagrada ainda esta semana. O anúncio foi feito ontem pelo tucano Natan Chaves, que pretende agendar uma reunião entre amanhã e depois com todos os apoiadores da causa. Uma comissão efetiva foi nomeada pelo PSDB com a missão de organizar o início do movimento.
Os tucanos foram os primeiros militantes políticos organizados a abraçar a idéia, sugerida e também apoiada pelo Jornal da Cidade. Outras agremiações se manifestaram favoravelmente, mas a colaboração correu mais em nível "moral". De pronto, sabe-se que PT, PV, PMDB, PTB, alguns membros do PDT e Justiça Eleitoral têm intenção de contribuir efetivamente na busca de potenciais eleitores no município. Outros partidos, como PPB e PFL, declararam apoio, mas não assumiram, pelo menos até o momento, compromisso de ingressar no movimento. Há, ainda, agremiações que não deliberaram sobre a questão, como é o caso do PPS e o PSB.
Estes últimos, aliás, não demonstraram ânimo quanto à conquista do segundo turno. O prefeito Nilson Costa, líder do PPS e candidato à reeleição, declarou recentemente que o instituto do segundo turno é
"uma faca de dois gumes, com vantagens e desvantagens", deixando claro seus pensamentos em relação à campanha. Tuga, expressão máxima dentro do PSB atualmente, foi outro que também não se entusiasmou com a idéia. Posições compreensíveis, já que o turno extra costuma reduzir os níveis de favoritismo.
Há também quem seja assumidamente contrário ao segundo turno, como é o caso do presidente da Câmara Municipal, Paulo Madureira. Em sua opinião, o instrumento aumenta o custo das eleições e os riscos de ingovernabilidade.
"Quando se tem o segundo turno, sempre ocorrem acertos pesados para viabilizar a eleição de um ou outro. Por conta disso, o que sai ganhando acaba tendo que cumprir os acordos pré-estabelecidos, como a distribuição de cargos àqueles que apoiaram a campanha. O resultado é a ingovernabilidade e acho que Bauru não pode correr esse risco", avaliou.
"Essa, porém, é uma opinião particular, porque o PPB certamente apoiaria uma campanha dessas", ressalvou.
O petista Roque Ferreira é outro que receia conchavos, apesar de não ter nada contra o segundo turno. "Acho que quanto maior o número de alistados, melhor, mas entendo também que um sistema que obrigue a escolha conserva posições ditatoriais. O segundo turno contribui muito para a despolitização do eleitorado, ao mesmo tempo que reforça os conchavos de gabinete. No final, vemos projetos distintos se compondo em busca de resultados", argumentou, lembrando que, nas eleições de 1998, defendeu o voto nulo quando a disputa recaiu entre Mário Covas e Paulo Maluf no segundo turno.
O presidente do PFL de Bauru, Dudu Ranieri, colocou-se à disposição da campanha pelos 200 mil eleitores, mas considera a "barganha" um ponto negativo do sistema.
"Quando chega no segundo turno, a oferta de vantagens e troca de favores acontece mesmo. Este é um ponto importante a ser levado em conta. Fora isso, trata-se de um instrumento mais democrático, mas que também é indiferente em termos de status para a cidade", opinou.
As declarações diversas das lideranças deixam claro que, apesar de uma ou outra discordância pessoal, a campanha pelo segundo turno vingará no setor político. A Justiça Eleitoral já manifestou disposição de contribuir através de cartórios itinerantes e pessoal treinado para realizar o alistamento, sem falar de vários cidadãos que estão particularmente empenhados desde que o JC lançou o debate sobre o assunto à sociedade. Os jovens maiores de 16 anos e os residentes da cidade que possuem domicílio eleitoral em outros municípios são os alvos da iminente campanha, que terá menos de cinco meses para o alistamento de aproximadamente 15 mil pessoas. Mãos à obra.