07 de julho de 2026
Geral

Desvio de passes

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Ex-funcionário do Nirh é indiciado no "caso dos passes"

Texto: Ieda Rodrigues

Ricardo Palmeiro, ex-funcionário do Núcleo Integrado de Reabilitação e Habilitação (Nirh) da Fundação para o Estudo de Tratamento das Deformidades Crânio-faciais (Funcraf) vai responder pelo desvio e venda irregular de passes de ônibus ocorrido na Fundação no ano passado. Ele responderá o processo em liberdade e, se condenado pelos três artigos pelos quais foi indiciado, poderá pegar até 14 anos de prisão.

O delegado Dinair José da Silva, que conduz o inquérito do "caso dos passes", confirmou que Palmeiro foi indiciado por apropriação indébita (suspeito de ter ficado com dinheiro da venda de passes), falsidade ideológica

(suspeito de ter incluído pessoas não deficientes em programa destinado exclusivamente a deficientes) e corrupção de menores (suspeito de usar um menor para vender os passes).

O inquérito, que já dura quase dois meses, ouviu mais de cem pessoas e está no sétimo volume, ainda não foi encerrado. O delegado afirmou que mais pessoas podem ser indiciadas, pois está claro que Palmeiro é apenas um dos envolvidos no caso. Silva explicou que Palmeiro, demitido da Funcraf por justa causa, foi indiciado porque a polícia dispõe de provas e indícios bastante fortes que apontam para o envolvimento dele no caso. O valor exato desviado da Funcraf ainda está sendo levantado, mas chegaria a R$ 10 mil. O delegado ressaltou que os cofres públicos terão que ser ressarcidos.

Palmeiro foi reconhecido por um funcionário do banco como sendo a pessoa que tentou descontar o cheque que havia sido dado como pagamento por passes adquiridos pela Funcraf e que foram comprados pelo vereador José Carlos Batata no mercado paralelo em novembro do ano passado. Uma funcionária do fliperama, onde os passes haviam sido vendidos, disse à polícia que Palmeiro, após não conseguir descontar o cheque

- que havia sido sustado -, foi ao estabelecimento e reclamou de não ter conseguido retirar o dinheiro.

Ele teria, inclusive, esperado que mais passes fossem vendidos e arrecadado o dinheiro. Um cheque, dado em pagamento de passes por uma das pessoas ouvidas por Silva, foi apreendido. O cheque estava com um taxista, que disse tê-lo recebido de Palmeiro. Silva apreendeu um bilhete, cuja assinatura seria de Palmeiro, que tratava da venda de passes.

Outra irregularidade apurada pelo inquérito é a inclusão de pessoas não deficientes no programa do Nirh destinado apenas a deficientes. O responsável pela inclusão dessas pessoas no programa seria Palmeiro. Ontem, ele, acompanhado por dois advogados, foi ouvido por Silva por cerca de três horas e negou as três acusações atribuídas a ele.

Investigações continuam

O delegado Dinair da Silva afirmou que será instaurado inquérito policial para apurar onde está o dinheiro pago pelas pessoas que fizeram um curso de libra (linguagem dos sinais para surdos-mudos) realizado na Funcraf no ano passado e cujo responsável pelas inscrições seria Palmeiro. Apenas uma pequena parcela do dinheiro foi depositada para a fundação e o professor não teria recebido o valor combinado.

Outras denúncias de irregularidades, incluindo a de desvio da ajuda social oferecida aos deficientes contratados como treinandos da Funcraf, estão sendo investigadas pela polícia. O menor, que vendeu os passes ao vereador, foi sindicado e deverá ser apresentado ao Juizado da Vara da Infância e Juventude.