07 de julho de 2026
Geral

Atendimento a gestantes

Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Médicos defendem a presença de pediatra nos partos

Por unanimidade, 16 médicos pediatras consultados pelo JC, defenderam a presença desse profissional durante os partos. Segundo eles, é um direito da população e essencial para o bom atendimento ao recém-nascido. A desempregada Andréia Pereira Barbosa foi vítima de um problema com seu filho que, segundo ela, foi ocasionado pela falta do pediatra durante seu parto feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na Maternidade Santa Isabel.

Andréia conta ter enfrentado um drama no dia do nascimento do seu filho, que tem seqüelas até hoje. Ele, que já tem 1 ano e nove meses, sofre com crises convulsivas e tem edema cerebral.

O parto de Andréia foi feito no dia 7 de abril de 1998 e ela disse não ter denunciado antes por medo de seu filho, que necessita de um acompanhamento médico, não ser bem tratado no seu tratamento. "Eu fui internada às 10 horas e fiquei 16 horas na sala de pré-parto esperando por atendimento", contou.

A equipe de parto, segundo Andréia contava com dois médicos obstetras e uma auxiliar de enfermagem. Ela disse que foi necessário o uso de um fórceps para retirar o bebê e esse instrumento machucou a cabeça da criança deixando um hematoma. Depois de nascido, o bebê ficou sem respirar e foi reanimado duas vezes com massagens no tórax por um dos obstetras, já que não havia um pediatra na equipe, segundo Andréia.

A mãe pretende entrar com uma ação contra os médicos que a atenderam no Conselho Regional de Medicina

(CRM).

Os pediatras, apesar de não acharem justo o pagamento do SUS por acompanhamento de parto, afirmam a importância dessa função. A pediatra Maria Luiza Cury afirmou que quando está de plantão, fica as 24 horas dentro da Maternidade. "Eu não acho correto estar fora e correr o risco de aparecer algum caso de emergência, por isso prefiro ficar no hospital", disse.

Partos sem pediatras

Os partos realizados na Maternidade Santa Isabel não têm acompanhamento de médico pediatra. Esse profissional só

é chamado quando há algum problema com o recém-nascido. O JC está acompanhando o problema desde a semana passada, quando um bebê nasceu impossibilitado de respirar e não havia pediatra no hospital. O médico, que chegou alguns minutos depois, conseguiu salvar a criança.

A falta do acompanhamento de um pediatra durante o parto ocorre pelo baixo valor pago pelo SUS, R$ 14,88, a esse profissional.

Depois de desencadeado o problema, o Conselho Municipal da Condição Feminina, através da presidente, Estela Almagro, realizou uma reunião com representantes da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), Maternidade Santa Isabel e Secretaria Municipal da Saúde para cobrar a presença do pediatra no parto.

O Ministério Público também já interviu no caso oficiando todos os envolvidos pedindo um esclarecimento.

Conselho da Saúde responsabiliza o SUS

O Conselho Municipal da Saúde acredita que o único responsável pela falta do pediatra nos partos é do Sistema Único de Saúde. "Eles deveriam aumentar o valor do pagamento para esses médicos", afirmou a presidente do Conselho, Maria José Jandreice.

Ela afirmou que o pediatra é um direito da mãe e da criança, mas que esse não é o único problema da Saúde e sim apenas um ponto de uma problemática que existe nesse setor.

Segundo o membro do Conselho da Saúde, Antônio Carlos Pinto de Arruda, numa conferência realizada em abril de 1999 pelo Conselho, esse assunto da falta dos pediatras nos partos já havia sido discutido.

A presidente do Conselho Majô, afirma que sempre lutou na tentativa de melhoria do SUS. "Nós enquanto conselheiros somos defensores do SUS, porque entendemos que o SUS é um caminho e temos feitos todas as ações para defender e cobrar soluções das gestões competentes", disse.