07 de julho de 2026
Geral

Agronegócios

Luciano Augusto
| Tempo de leitura: 3 min

Agricultor está melhor hoje, diz BB

Texto: Luciano Augusto

Na avaliação do diretor de negócios rurais, agroindustriais e com o Governo do Banco do Brasil, Ricardo Alves da Conceição, a situação do agricultor brasileiro hoje está melhor do que antes do Plano Real.

"No passado, tínhamos aquelas indexações horrorosas, onde ninguém sabia para que lado ir. Agora, estamos com números civilizados de inflação, as taxas de juros estão decrescendo, o mercado está se abrindo, os mecanismos novos estão aparecendo para o produtor, os créditos, dentro das possibilidades, têm saído com regularidade, torcemos para que os preços se sustentem no mercado, sendo que, lamentavelmente, os preços baixaram em 99 e queremos que subam ficando em níveis razoáveis para poder remunerar melhor o agricultor", explicou Conceição, que esteve na última sexta-feira, em Bauru, participando da cerimônia da sessão, em comodato, do prédio do BB (que funcionava como Centro de Processamento de Dados - Cesec), à Justiça do Trabalho.

O diretor afirmou que o BB tem hoje mais de R$ 25 bilhões aplicados no setor agrícola, a maior parte a longo prazo, em função das prorrogações das dívidas. O banco, segundo Conceição, tem procurado ampliar essa participação, mas "isso depende diretamente de programas que o Governo estabelece".

O diretor também fez uma comparação entre as safras de 98/99 e de 99/2000. Ele informou que para a safra deste ano foram aplicadas mais 10% em relação

à safra anterior. O total de recursos chega perto dos R$ 5 bilhões este ano contra cerca de R$ 4 bilhões da safra de 98. As taxas de juros para os produtores também melhoraram. O banco trabalha atualmente com uma taxa de 8,75% para os grandes produtores e de 5,75%, fixa, para os pequenos e médios agricultores.

Para ele, a massa de recursos não tem sido reduzida e sim ampliada. Mesmo assim, afirmou, "é claro que podemos dizer que precisaria que os recursos fossem maiores, porque a demanda é muito grande, principalmente com esta taxa mais baixa".

De acordo com o BB, o Governo Federal vem anunciando o repasse de recursos para o agricultor. Em junho, aponta o diretor, o banco destinou cerca de R$ 12 bilhões, levando em consideração todo o sistema financeiro. A participação do Banco do Brasil foi de R$ 7 bilhões.

Somente na região de Bauru, foram aplicados perto de R$ 65 milhões em 99.

Outro fator que auxiliou o produtor, na opinião de Conceição, foram as alternativas de pagamento disponibilizadas pelo banco, como a securitização e o Plano Pesa (onde o Banco aceita receber papéis do Governo, por 20 anos).

Os produtores com dívidas de até R$ 15 mil, pagam prestações de 10% desse valor e os outros 90% são prorrogados. O banco está aceitando receber estes 10% até o dia 17 de janeiro. Depois deste prazo, o agricultor vai ter que "pagar integralmente a parcela, ou então, vai ficar inadimplente", porque o banco não vai prorrogar o prazo.

A dívida em securitização, revela Conceição, é de R$ 7 bilhões, em todo o País. Do Plano Pesa, são outros R$ 3 bilhões e em empréstimos correntes é de R$ 10 bilhões. Mesmo devedores, há agricultores que se beneficiam com as linhas de financiamento oferecidas pelo banco.

Outra linha bastante festejada pelo diretor de agronegócios do BB é a Cédula do Produtor Rural (CPR), "um papel já aprovado pelo mercado e pelos agricultores". Já foram feitos em torno de cinco mil CPRs, com um resultado de mais R$ 5 milhões em recursos.

O banco está simplificando o procedimento para o homem do campo. "O agricultor precisa conhecer melhor esse instrumento, porque é excelente para dar proteção aos agricultores, vender hoje e entregar depois, se aproveitar do preço futuro, porque é (uma operação) transparente", financiando-se no mercado e se beneficiando com a venda do estoque.