Bauru é uma das cidades que mais cresceu no Brasil
Texto: Márcia Buzalaf
Dentre os 5.507 municípios do Brasil, Bauru é o 31.º em termos de crescimento da população, da arrecadação e do poder econômico, figurando como uma das cidades mais dinâmicas na pesquisa realizada pela empresa Florenzano Marketing para o Atlas do Mercado Brasileiro, da Gazeta Mercantil publicado esta semana. Em 99, a cidade consumiu o equivalente a R$ 2,16 bilhões, 0,357% do total do consumo brasileiro, estimado em R$ 605 bilhões.
A pesquisa mostra que a cidade está acima da média nacional dos municípios mais dinâmicos, levando em conta o crescimento no número de residências entre 1991 e 1999, na população, no depósito bancário per capita, na arrecadação municipal per capita e na arrecadação do Imposto sobre Operação Financeira (IOF) per capita nos últimos sete anos.
A posição de Bauru entre os 50 municípios mais dinâmicos do Brasil é um privilégio, na opinião do diretor-fundador da Florenzano Marketing, Vanderlei Florenzano, 55 anos. A cidade está à frente de Florianópolis, Piracicaba, São José do Rio Preto e Franca, entre os que possuem o mesmo porte de Bauru, mas abaixo de 17 outras cidades do Estado de São Paulo.
"Nós vemos pesquisas mostrando as cidades mais ricas, mas nós queremos definir os municípios que tiveram o maior crescimento no período, não só econômico, mas de qualidade de vida, de qualidade política", explica Florenzano.
O crescimento apontado pela pesquisa engloba desde o setor público até o privado, já que envolve a política de arrecadação municipal, o investimento e crescimento da própria cidade. Bauru figura como uma cidade de pouco mais de 313 mil habitantes, com investimento previsto para US$ 132,2 milhões entre 1998 e 2005.
Somados, os 100 municípios classificados como os mais dinâmicos representam 41% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. Segundo Florenzano, até a colocação de Maringá, em 50.º lugar, são as cidades que estão acima da média nacional em termos de crescimento e desempenho.
O delegado de Bauru do Conselho e Regional Economistas (Corecon), Reinaldo César Cafeo, afirma que apesar de Bauru não estar entre as 20 cidades mais dinâmicas, destacadas pela pesquisa como pólos de investimentos, ocupa uma posição privilegiada na classificação nacional.
O economista afirma que os dados sobre Bauru ainda são mais positivos quando se leva em conta que têm como base os últimos sete anos, um período em que a cidade teve pouca atenção do governo. "Porque quem puxa investimentos é mesmo o setor público", diz.
Para os próximos anos, Cafeo estima que a situação deve melhor ainda mais, e Bauru pode subir na classificação desta pesquisa. O economista diz que os setores que devem ter mais investimento na cidade são o de transporte, armazenagem, telecomunicações e construção civil.
"A medida em que a cidade tem planejamento, ela só tende a crescer. Porque o que aconteceu em Bauru nestes anos, que mostra nesta pesquisa, foi um movimento espontâneo, sem investimento planejado", analisa Cafeo.
IPC
A mesma publicação divulgou, pelo terceiro ano consecutivo, o Índice de Potencial de Consumo (IPC), medido de acordo com 40 aspectos e produtos da economia privada brasileira, deixando de lado todo o consumo de pessoa jurídica.
Cafeo explica que a pesquisa deflacionou o PIB e acrescentou uma previsão de crescimento do consumo. Na calculadora, Cafeo calculou o consumo de Bauru em R$ 2,16 bilhões usando o PIB real de R$ 959,5 bilhões. A estimativa é que a população consuma 63% do PIB, já que os outros 27% são gastos em impostos e investimentos.
Além do índice em relação ao País todo, a publicação também mostra quanto em reais a população das cidades gastou com estes itens no ano de 1999.
Cafeo analisa que o setor de consumo em Bauru que mais chama a atenção são o de alimentação. Em refeições fora de casa, Bauru gastou R$ 84 milhões, ou seja, R$ 7 milhões por mês - quase 5% de todo o consumo na cidade. Isso mostra que o setor de restaurantes e alimentação em geral está em crescimento. Com refeições preparadas, os moradores da cidade gastaram mais R$ 10 milhões no ano passado.
Como foi feita a pesquisa
A pesquisa sobre os municípios mais dinâmicos do Brasil é feita com base no número de residências entre 1991 e 1999, na população da cidade, no depósito bancário per capita, na arrecadação municipal per capita e na arrecadação do Imposto sobre Operação Financeira (IOF) per capita, todos com dados dos últimos sete anos.
Para se chegar a estas informações, além da pesquisa de campo, a empresa Florenzano Marketing leva em conta os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas
(IBGE) de 91 a 98, através de sua Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios (PNAD), trabalhando estes dados.
No próximo ano, a Florenzano Marketing deve analisar as cidades mais dinâmicas novamente, depois de concluir uma nova pesquisa do IBGE. "Esse tipo de comparação não é suficiente, tem que ter uma série", explica Florenzano.
Os índices de consumo são desenvolvidos para que as empresas possam definir focos de potencial de vendas. A Florenzano Marketing faz este cálculo para todas as cidades do Brasil, fornecendo assim dados para o investimento das empresas. Para a publicação da Gazeta Mercantil, são elencados apenas os municípios de maior porte.