Igreja, Educação e Justiça encampam 2.º turno
Texto: Josefa Cunha
O movimento pela conquista do segundo turno em Bauru ganhou ontem o apoio oficial da Igreja Católica, da Delegacia de Ensino e da Justiça Eleitoral de Bauru, além da adesão de diversos outros importantes organismos que se dispuseram a colaborar diretamente com a campanha. Do primeiro encontro realizado na semana passada para a reunião de ontem, igualmente sediada no auditório da OAB, o número de participantes triplicou. Partidos políticos, entidades não governamentais e associações de moradores já abraçaram a causa.
A organização da campanha, cujo lançamento oficial já está marcado para o dia 4 de fevereiro, avançou em vários pontos. Foram eleitas duas comissões: uma para coordenar as ações operacionais (OAB, Delegacia de Ensino, Cartórios Eleitorais e Imprensa) e outra para ficar à frente dos eventos. Esta última está representada por Gérson Moraes Filho (OAB), Jorge Maskalenka
(PT), Olegário de Almeida (PSL), Edinéa Sita Cucci
(Delegacia de Ensino), Roberto Domingos (Umesb), Natan Chaves
(PSDB), Alceu Rodrigues (94 FM) e Renato Zaiden (Jornal da Cidade).
As ações do movimento ainda não estão totalmente fechadas, bem como ainda não há um cronograma definido para as atividades. Mesmo assim, os colaboradores que já abraçaram a causa têm a intenção de iniciar imediatamente o trabalho junto às suas bases de atuação.
O bispo dom Aloysio Leal Penna, por exemplo, numa iniciativa que foi apoiada unanimemente, se propôs a divulgar a campanha nas missas, pois acredita que os cristãos, antes de tudo, devem ser cidadãos. A União dos Centros Espíritas, representada na reunião de ontem por José Humberto de Santana, também centrará esforços no sentido de estimular a transferência de títulos entre a sua comunidade.
A Delegacia de Ensino e a Justiça Eleitoral atenderam os chamamentos para a participação e encamparam formalmente a campanha. A titular do Ensino Estadual em Bauru, Edinéa Sita Cucci, já marcou para o dia 27 próximo uma reunião com as diretoras das 17 escolas que oferecem o ensino médio no município, locais onde está concentrada a grande maioria dos estudantes maiores de 16 anos. Hoje, Bauru possui cerca de 11 mil estudantes cursando o 2.º grau nas unidades do Estado.
O trabalho nas escolas será encabeçado pelas respectivas diretoras, que receberão orientação para percorrer as classes em busca dos potenciais eleitores. Um cronograma de visita deverá ser montado, de forma a possibilitar a ação conjunta com os cartórios eleitorais.
"Estamos integral e diretamente envolvidos nessa campanha, porque entendemos que a escola deve investir na cidadania dos jovens. Vamos levar aos nossos alunos a idéia de que eles podem e devem participar do processo eleitoral, da escolha dos governantes da cidade em que moram. Depois que percorrermos o ensino médio, pretendemos também realizar um levantamento e incentivar o alistamento eleitoral dos alunos maiores de 16 anos matriculados no ensino fundamental", adiantou Cucci.
A Justiça Eleitoral, através dos cartórios da 23.ª e 300.ª Zonas, contribuirá com pessoal e apoio operacional. Tão logo as escolas definam o cronograma de visitas, os cartorários deverão iniciar uma verdadeira peregrinação pelas salas de aula para recolher requerimentos de alistamento eleitoral dos interessados. A princípio, os alunos terão apenas que assinar a requisição do título. A entrega dos documentos ocorrerá depois, possivelmente pelas mãos dos diretores. A Justiça Eleitoral deverá credenciá-los para a distribuição dos títulos, numa forma de evitar o deslocamento dos alunos até os cartórios.
A chefe do cartório da 300.ª Zona, Maria Magali Costa Konomi, que participou da reunião em nome do juiz Benedito Okuno, explica que não há mais possibilidades de pôr em prática o sistema do cartório itinerante. Segundo ela, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) exige hoje uma pesquisa informatizada de dados de todos os requerentes de títulos, fato que obriga a execução das operações diretamente nos computadores dos cartórios. "O procedimento
é para que não ocorram dualidades e nem expedição irregular de documentos. Muita gente requere o título como se fosse a primeira vez, mas trata-se de segunda via. Outros, eventualmente condenados pela Justiça, o requerem mas não podem tê-lo. Para evitar que isso aconteça, realizamos o levantamento para nos certificarmos da regularidade da expedição", esclareceu a cartorária.
Para obter o direito ao segundo turno, o colégio eleitoral de Bauru tem que alcançar 200 mil votantes. Nas eleições de 1998, o município registrou pouco mais de 187 mil, ou seja, o instituto dependeria da conquista de 13 mil novos alistamentos. Por conta do cancelamento de títulos de pessoas que não compareceram às urnas e nem justificaram o voto nos últimos três pleitos, a Justiça Eleitoral de Bauru não sabe ao certo o número exato de votantes atualmente. Preliminarmente, estima-se que o município teria perdido em torno de 8 mil votantes, mas os cartórios acreditam que a quantidade seja menor. O contingente preciso de eleitores na cidade só deverá ser conhecido no início do mês que vem, quando o Tribunal Regional enviará a listagem atualizada. Além dos maiores de 16 anos, o movimento pelo segundo turno concentrará seus esforços para que residentes do município com domicílio eleitoral em outras cidades façam a transferência de seus títulos.