Alamedas irregulares : características do P. Vista Alegre
Texto: Andréia Alevato
O Parque Vista Alegre é um dos bairros mais antigos de Bauru. Sua urbanização é anterior à década de 50. As casas têm traços arquitetônicos antigos e muitas ainda são de madeira. É um bairro de classe média e habitado por várias famílias originárias da ferrovia. É o único bairro da cidade que é conhecido por sigla (PVA). Está localizado numa das regiões mais acidentadas da cidade. É formado por poucas ruas e várias alamedas, que recebem nomes de flores. As ruas, ou melhor, as alamedas, são bastante irregulares e truncadas, que confundem os não-moradores do bairro.
"O bairro tem alamedas irregulares porque quando o loteamento foi feito não se pensou na necessidade de um planejamento de estrutura viária que definisse a entrada e saída do bairro de forma clara. Quem não mora no bairro não consegue localizar as vias principais", afirmou José Xaides de Sampaio Alves, professor de Urbanismo na Unesp e doutorando em Gestão Urbana sobre Bauru.
As duas ruas mais regulares do PVA, a rua Floresta e a Alameda Cônego Aníbal Di Frância, se desenvolveram mais que as outras. A Cônego Aníbal Difrância não faz nenhuma ligação com o resto da cidade, mas, por ser mais regular que as outras alamedas, todo comércio do bairro se concentrou nela.
"A largura da Cônego Anibal Defrância também não é muito adequada para o movimento que tem, assim como a Floresta, que também não foi planejada para ter a importância que tem, mas ela é a única via que sustenta uma ligação com toda aquela região, incluindo o Parque São Geraldo, com o centro da cidade, e por isso, toda circulação viária se concentrou na Floresta. Daí a importância de novas avenidas, para resolver essa situação de estrutura urbana, que favorecesse uma melhor qualificação para esse bairro e os bairros vizinhos em termos de desenvolvimento cultural, de pequenas indústrias, entre outros", completou Xaides.
O Parque Vista Alegre foi projetado antes da lei 6.766, de 1979, chamada Lei de Parcelamento do Solo. Por isso, no planejamento original, não foi deixado espaço para áreas públicas, como escolas, postos de saúde e área de lazer.
Xaides explicou que a região do PVA tem dois vazios urbanos consideráveis, que podem gerar um desenvolvimento futuro do bairro. Um deles é ao lado da avenida Jânio Quadros (av. do Oeste, divisa do PVA com o Parque São Geraldo), que ainda está em fase de construção. O outro vazio urbano é próximo ao Jardim Araruna e ao Parque Madureira, vizinhos do PVA.
"Mas para que haja desenvolvimento maior e valorização dessa região, é necessário o término da avenida Jânio Quadros e o prolongamento da avenida Nuno de Assis. Isso acontecendo, a parte alta vai ser melhor explorada. Essas duas áreas são potencialmente importantes para a região, porque são os únicos locais para correção desse desenvolvimento que não previu as áreas públicas, as áreas de lazer e áreas institucionais para uso coletivo da região. São estrategicamente áreas importantes", disse.
As referências
O Parque Vista Alegre tem duas importantes referências sociais e arquitetônicas na cidade. Uma
é a Casa do Garoto, instituição atuante há 50 anos naquela região. A segunda é a igreja Nossa Senhora das Graças, que tem um projeto moderno e reconhecido na paisagem urbana de Bauru, já que em vários pontos da cidade é possível ver a igreja, que tem a forma de uma asa-delta.
O exemplo
A comunidade do Parque Vista Alegre, principalmente a região mais baixa, próxima à rua Floresta, passou por uma experiência há alguns anos atrás e deu o exemplo para o resto da cidade. Acreditando numa proposta pública para o desenvolvimento do bairro, os moradores e proprietários de terrenos da região da avenida Jânio Quadros doaram parte de seus lotes para construção daquela avenida, desde a região mais alta (da rotatória) até a parte baixa (córrego das Flores).
A construção dessa avenida, sem a participação da comunidade da região, não seria viável, porque na época, só a desapropriação de terrenos ficaria mais cara que a obra toda. A comunidade do PVA tem a característica de participar e formar parcerias com o poder público visando o desenvolvimento do próprio bairro.
"Essa experiência mostra que não
é preciso seguir os padrões convencionais para se conseguir o desenvolvimento de uma cidade", afirmou Xaides.
A Zona Norte
Toda a Zona Norte da cidade, que inclui a região do Parque Vista Alegre, a do Parque São Geraldo e a da Bela Vista, não recebeu investimentos do poder público e da iniciativa privada, ao contrário da Zona Sul da cidade, que sempre recebeu os melhores investimentos. Tanto que a Zona Norte não tem a característca da verticalização, ao contrário da Zona Sul, nem grandes instituições, clubes ou áreas de lazer coletivas. No entanto, a região Norte é a mais populosa de Bauru e utiliza os equipamentos colocados na Zona Sul, como Shopping, hipermercado, entre outros.
"Com isso, há prejuízo social, porque o morador da região Norte tem que se deslocar para um ponto oposto da cidade quando busca esses serviços. A região Norte tem espaço para a construção de grandes estabelecimentos que ajudarão mais ainda no desenvolvimento da cidade", concluiu Xaides.