08 de julho de 2026
Geral

Epidemias

Erika de Lima
| Tempo de leitura: 6 min

Chuvas provocam doenças tropicais

Texto: Erika de Lima

Não

é só o sol que pode trazer problemas à saúde. As águas das chuvas também são responsáveis pelo surgimento de doenças tropicais. Salmonellas, hepatite A, rotavírus, cólera e leptospirose são algumas dessas doenças que infectam as pessoas nessa época. A leptospirose é a mais perigosa de todas e pode até matar, caso não seja detectada rapidamente.

As inundações são as grandes responsáveis pela contaminação da

água e de alimentos. Em geral, as doenças tropicais são transmitidas através da água e alimentos contaminados por vírus, bactérias ou micróbios. Pode-se ser infectado através do contato da pele ou por via oral.

Segundo a infectologista Denise Arakaki, devido a um maior contato com a água de lagoas, rios e minas, nessa época, o risco de contaminação

é muito maior. "Corre-se o risco de contrair um vírus como o da hepatite A, por exemplo, quando toma-se a água contaminada", explica.

As doenças mais comuns no verão são as que provocam diarréias. Embora a leptospirose não faça parte desse grupo, também está relacionada com as águas das chuvas e é uma das doenças que mais preocupam os departamentos de Saúde.

A contaminação se dá por vários fatores. Um deles é a transmitissão do vírus pela forma fecal-oral. Isso ocorre quando alguém elimina o germe pelas fezes e o vírus que estava nas fezes contamina o alimento ou água que outra pessoa irá ingerir.

O tratamento para essas doenças é feito à base de antiobióticos. Não há vacinas para esses tipos de doenças e quem tiver sintomas semelhantes aos dessas doenças deve procurar um médico

(leia quadro). Contudo, é imprescindível tomar cuidados para evitar o contágio. A higiene é fundamental para uma vida saudável.

Muitas vezes, as enchentes contaminam as redes públicas de abastecimento de água e chegam a levar à interrupção temporária das atividades das estações de tratamento. Como a água

é um bem imprescindível ao ser humano, algumas famílias acabam utilizando o produto contaminado, seja para lavar louças, roupas, tomar banho e até para beber. Expõe-se aos riscos de diarréias, cólera, e hepatite A. O período de incubação da cólera e doenças diarréicas

é de horas a até cinco dias, no máximo. Já, a hepatite A tem período mais longo, de 30 dias (em média).

A FNS, adverte que a prevenção, nesses casos, é fundamental e que deve ter distribuição de hipoclorito de sódio (água sanitária) no município, assim como educação sobre saúde, para evitar o consumo de água inadequada pela população.

Comidas perigosas

Além da água, há os alimentos que também tem grande probabilidade de serem contaminadas no verão. Maioneses, cremes e até mousses são comidas que devem ser evitadas nessa época, caso não se saiba a data em que foi feita, porque podem conter salmonelas. Segundo Denise, o tempo quente permite a contaminação do alimento, a proliferação e a permanência das bactérias na comida. "Essas doenças são muito comuns no verão e tendem a ficar contaminadas quando ultrapassam mais de 24 horas do seu preparo", explica.

Mais uma vez, a infectologista alerta para a questão da prevenção. Ela salienta que a higiene é fundamental para que se fique longe das doenças do verão. E frisa: "Deve-se evitar comer alimentos cuja procedência é duvidosa. Outro item importante

é não esquecer de lavar as mãos antes de ingeri-los".

Algumas doenças do verão

Leptospirose

A leptospirose é transmitida através da água contaminada pela urina de animais portadores da leptospira, especialmente, os roedores domésticos. O contato com essa água ocorre com freqüência durante e após as enxurradas. A infectologista Denise Arakaki ressalta que seu diagnóstico é muito difícil, por não ser visível. Em Bauru não houve nenhum caso neste ano, nem ano passado e, em 98, apenas um.

Mas, o risco de se contrair a leptospirose

é muito grande. Não são contaminadas, necessariamente, só pessoas que nadam em rios poluídos ou em enxurradas, mas também em pessoas que tenham contato com a água que tem urina de rato. Como os bueiros não dão conta da água da chuva acabam transbordando, trazendo à tona sujeiras e até doenças. "Se a água que corre pela sarjeta tem a bactéria da leptospirose, a leptospira, e alguém pisa já fica contaminado", frisa Denise.

O rato, antes de morrer afogado, explica Denise, fica num período agônico (de agonia, sofrimento) e, por isso, acaba eliminando fezes e urina no esgoto ou bocas de lobo, onde vivem. "Não são todos os ratos que possuem a leptospira, mas como vivem em comunidade é muito comum um passar o vírus ao outro".

Não são só as águas das chuvas que provocam essa doença. Um exemplo dado pela infectologista foi a de que se pode ser contaminado pelo vírus em qualquer local que não tenha limpeza. Um celeiro, por exemplo, onde guarda-se milho, palha, é um lugar onde os ratos costumam ir à noite e urinar. Se uma pessoa vai até o local descalça pode ser contaminada devido ao contato direto com a urina. O período de incubação da doença é de três a 13 dias, após o contato com o vírus, mas se não for logo diagnosticado, o infectado pode morrer. As chances de recuperação são pequenas se a doença estiver num estágio avançado.

Devido a isso, a infectologista recomenda alguns cuidados, e o primeiro é procurar um médico assim que sentir os sintomas, para fazer os devidos exames. "É importante procurar um serviço de saúde o quanto antes e informar o médico se esteve na chuva, porque não são todos profissionais que estão sensibilizados com as doenças do verão", adverte.

É necessária precaução para evitar essas doenças. Em municípios que possuem um número de ratos pequeno se prevê uma ocorrência de leptospirose também pequena. De acordo com a Fundação Nacional de Saúde (FNS) os município que têm uma programação rotineira de controle de roedores têm poucas ocorrências de leptospirose após enchentes. A principal medida para evitar esse acontecimento é o controle da população de ratos, através da antirratização. Além disso, deve-se manejar adequadamente o lixo (acondicionando e coletando todos os dias), e armazenar corretamente os alimentos.

Sintomas: Febre, vômitos, dores de cabeça, no corpo (principalmente na panturrilha), olho amarelado, a pele fica amarela-avermelhada, falta de ar e alteração da coagulação sangüínea.

Hepatite A

Doença causada por um vírus que é transmitido via oral-fecal, provoca inflação no fígado, mas não deixa sequelas. Infecta-se através da ingestão de líquidos ou alimentos contaminados. Normalmente, o infectado passa por um período de duas a seis semanas sem saber que tem o vírus. E, só então, começa a apresentar os sintomas.

Sintomas: mal-estar, cansaço, sintomas semelhantes à gripe, icterícia (cor amarelada nos olhos e ou na pele), eliminação de urina escura (como chá preto), dor na região logo abaixo das costelas do lado direito do abdômen e náusea ou vômito. A icterícia só aparece em 50% dos casos.

Rotavírus

Também é um vírus encontrado em fezes de crianças infectadas e são transmitidos pela via fecal-oral e por contato com pessoas infectadas. O período de incubação do vírus varia de um a três dias. A diarréia dura de quatro a oito dias. É necessário evitar a desidratação causada pelo rotavírus, através da ingestão de soro caseiro. Não se recomenda uso de remédios antimicrobianos e antidiarreicos

Sintomas: diarréia aquosa, febre e vômitos, podendo causar morte

Cólera

Doença infecciosa intestinal aguda, transmitida por via oral. Em casos graves não tratados, a pessoa pode morrer em horas. A transmissão pode se dar através da ingestão de água, alimentos contaminados ou atravé de ambientes infectados como o banheiro.

Sintomas: diarréia, febre. Pode levar

à morte.