08 de julho de 2026
Geral

Partido político

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 3 min

PT convocará novo diretório para compor executiva dentro de 15 dias

Texto: Josefa Cunha

A nova direção do Partido dos Trabalhadores de Bauru, eleita no último domingo, pretende convocar seus membros dentro de 15 dias para a formação da comissão executiva. A presidente recém-empossada, Estela Almagro, anunciou que também proporá a composição de uma comissão específica para dar início

às conversações políticas visando as eleições municipais de outubro. "O processo de renovação do diretório foi tão demorado que estamos atrasados na discussão eleitoral. Temos que iniciá-la imediatamente", apressa, recordando os consecutivos adiamentos da eleição motivados pelas contendas internas.

A votação de domingo confirmou 60% da preferência dos militantes petistas à chapa encabeçada por Almagro e respaldada pelo grupo que apóia o vereador José Carlos Batata. O índice obtido coloca o núcleo do parlamentar em total vantagem sobre os demais na representação do diretório. Das 19 cadeiras, eles terão direito a 13 (já incluindo a presidência e a liderança da bancada, que são cargos natos), contra cinco que serão nomeadas pelo grupo dos sindicalistas (2.º colocado na eleição) e três indicadas pelo núcleo ligado a Roque Ferreira. As três vertentes terão, conforme exigência do estatuto petista, que indicar 30% de representantes mulheres.

Na composição da executiva, a proporção se mantém: o grupo de Batata fica com cinco membros, ao passo que o dos sindicalistas e o de Roque Ferreira terão um cada qual. Na comissão executiva, a proporcionalidade reservada à representação feminina também terá de ser respeitada. O núcleo de Estela Almagro deverá indicar duas das três mulheres que estarão

à frente da comissão. O do sindicalistas, em virtude do 2.º lugar na eleição, deverá obrigatoriamente

- salvo por negociações internas - nomear uma mulher para a vaga que detém na executiva. Nos bastidores, especula-se que essa obrigatoriedade minou os planos do sindicalista Jesus Garcia, que estaria contemplando o cargo de secretário-geral na executiva.

Na opinião da nova presidente petista, o resultado do encontro de domingo antecipa as deliberações que serão tomadas na convenção municipal que o partido realizará no próximo mês de abril. Na ocasião, a legenda decidirá oficialmente as estratégias para as eleições de outubro, ou seja, definirá se vai e com vai estabelecer alianças. Estela Almagro admite que "flerta" com o PSB de Tuga Angerami e com o PDT de Pedro Tobias, mas ressalta que tudo ainda depende de muito diálogo político. Ainda que as discussões estejam começando tardiamente, o PT vale-se de nove minutos na propaganda de televisão e com a preferência de 19% dos eleitores de Bauru - percentual ratificado nas eleições de 1998. Nada desprezível para um potencial aliado.

O grupo segundo colocado no encontro interno de domingo, apesar de divergir da conduta de Batata como líder da bancada, também é favorável às coligações, principalmente se for para respaldar uma candidatura do PSB - leia-se de Tuga Angerami. O sindicalista Jesus Garcia diz que o núcleo por ele representado apóia alianças com partidos de esquerda, mas faz uma única exigência: a de poder vetar o nome do eventual vice na chapa. O cuidado, comenta-se, é porque Batata estaria pleiteando a vaga.

Num balanço geral sobre a nova direção, Garcia extrai um resultado positivo. A meta do grupo era conquistar 100 votos, mas os 85 obtidos deixaram a ala satisfeita. No diretório, o núcleo indicará dois membros representantes de associações de moradores e amigos de bairros, dois do movimento sindical e outro da Apeoesp.