Campanha antidrogas da Ansef e Sindpolf continua
Texto: Adriana Rota
A Associação Nacional dos Servidores da Polícia Federal (Ansef) e o Sindicato dos Servidores do Departamento de Polícia Federal (Sindpolf) comunicam à comunidade que a campanha antidrogas, iniciada em setembro do ano passado com o lançamento da cartilha "Drogas não - uma questão de inteligência", continua, apesar de desativada a parceria com a Editora Educativa de Bauru.
A campanha, que atinge 100 cidades da região com palestras em escolas, apresentação de peça teatral e distribuição de cartilhas educativas, foi desvinculada da editora de propriedade de Márcio Júnior da Silveira e de seu colaborador Arnaldo Guelpa Júnior em 1 de dezembro de 1999, por "falta de cumprimento de acordos" (referente a valores em dinheiro) e "divergências de princípios"
(há notícias de que Silveira teria se apresentado como agente da PF para obter patrocínio).
O dono da editora admite estar pendente com a Ansef e o Sindpolf, situação que deve regularizar até o próximo dia 17, entregando os 16 mil panfletos da campanha e fotolitos que estão em sua posse, além de saldar o restante das dívidas contraídas referente aos 15% de participação na arrecadação que cabem à Ansef e ao Sindpolf, mas nega ter-se utilizado do nome da PF para conseguir apoio junto aos empresários.
Silveira disse ter tomado a iniciativa de afastar-se por estar se sentindo lesado. "Como é que eu sou contratado para fazer um trabalho e tenho de pagar com ele?", questionou. Afirmou, ainda, ter concordado a princípio porque parecia que seria bom para todos. "A partir de certo momento quiseram me limitar, não deixaram colocar pessoas para trabalhar. Então, eu fiquei com todos os custos e, para garantir que o serviço seria feito, vendi um espaço da revista referente a 14 páginas de inserção publicitária para uma pessoa que trabalhava comigo e ela passou a ter direitos. Eles queriam tomar total controle da situação, então propus a venda dos direitos", defendeu-se.
Questionado se pretende acionar a Justiça, uma vez que se sente lesado, Silveira disse preferir não entrar em disputa judicial, por temer represálias. A Ansef e o Sindpolf também não devem fazê-lo, a menos que as pendências não sejam resolvidas.
Bispo
Na última quinta-feira o bispo de Bauru, Dom Aloysio Leal Penna, procurou o JC para informar à população que teria sido vítima de uma pessoa de "má-fé" que estaria utilizando seu nome para obter dinheiro junto à população mediante uma carta de apresentação assinada por ele próprio. "Era simplesmente para apoiar a campanha contra a maconha nas escolas", esclareceu durante a entrevista.
Silveira rebateu as informações de Dom Aloysio dizendo que jamais falou a respeito de "maconha", mas sobre a feitura de uma segunda cartilha destinada aos pais dos jovens, que trataria de sexo, drogas e violência, sem participação das duas entidades ligadas à PF. "Até onde eu sei, o bispo me autorizou verbalmente a utilizar o nome dele, mas nega no jornal. Como ele é religioso e pelo estatuto da religião é proibido mentir... ele tem conhecimento, pessoas de influência na cidade e eu sou apenas um rapaz latino-americano, pobre, sem parentes importantes e sem dinheiro no bolso".
Silveira disse ter procurado Dom Aloysio na semana passada, mas ele não teria podido falar. Deixou o número do telefone e não obteve resposta. "Ele não tem cara de olhar nos meus olhos e assumir que mentiu. Se não posso acreditar na palavra dele, não posso acreditar em mais ninguém", lamentou.
Ainda com a carta assinada em mãos, afirmou que vai inutilizá-la e registrar em cartório a anulação. Sobre a segunda cartilha, disse já estar com dez páginas prontas (a previsão é de 24 páginas) e que vai arcar com os compromissos assumidos junto aos colaboradores. O trabalho de orientação sobre drogas, informou, surgiu por motivos pessoais: dois irmãos seus morreram em decorrência do envolvimento com drogas (a dedicatória consta do editorial da cartilha). Quanto à sociedade, disse ter sido viabilizada após algumas conversas. Na Ansef, a informação foi que o acordo ocorreu na base da confiança, sem que houvesse preocupação em obter referências.