08 de julho de 2026
Geral

Investigação policial

Fábio Grellet
| Tempo de leitura: 3 min

Orpinelle, o "andarilho" foi a Piratininga duas vezes

Texto: Fábio Grellet

Relatório onde o andarilho pernoitou diz: "... Não está abatido com sua situação, está até acomodado. É trecheiro convicto"

O andarilho Laerte Orpinelle, que está preso em Rio Claro e confessou ter assassinado crianças em cidades do interior de São Paulo, esteve em Piratininga, por duas ocasiões

- em abril do ano passado permaneceu na cidade durante três dias (entre os dias 10 e 12) e voltou em dezembro, quando ficou por quatro dias (entre os dias 3 e 6). Ele permaneceu hospedado no Albergue Noturno "José Comini", uma entidade particular mantida pelo Centro Espírita Antoninho Marmo. Durante esse período, a polícia não registrou nenhum crime que pudesse ser atribuído ao andarilho.

A assistente social Alcione Domingues Caetano, que atua no Albergue, conta que o andarilho nunca causou problemas nem demonstrou alterações de humor, durante o período em que permaneceu na entidade. Segundo ela, Laerte só demonstrou nervosismo no dia em que foi embora de Piratininga pela última vez. Era 6 de dezembro e ele queria ir até Ourinhos. Uma funcionária do Albergue foi até um posto de combustíveis onde o ônibus faz uma parada, mas soube que, naquele dia, os veículos que seguiriam para Ourinhos já haviam passado. Então, ela avisou Laerte, e este disse que iria até Bauru. Alcione informou ao andarilho qual era o lugar onde ele poderia tomar um ônibus para lá e Laerte foi embora

- sem pedir dinheiro para a passagem, como a maioria faz. A assistente social nunca mais voltou a vê-lo pessoalmente - mas descobriu que se tratava de um acusado de assassinatos, quando o caso foi divulgado pela imprensa.

A cada dia em que dormia no albergue durante a segunda passagem por Piratininga, Laerte preenchia um relatório. A única curiosidade em relação a eles é que o andarilho alterou, a cada ficha, parte das informações que deveriam ser fixas - local de onde tinha vindo, para onde pretendia ir e profissão.

No dia 3 de dezembro, ele disse que vinha de Ourinhos. No dia seguinte, falou que vinha de Marília e no outro dia, por fim, voltou a informar que vinha de Ourinhos. No dia 3, disse que pretendia ficar em Piratininga, trabalhando. Nos dias seguintes, informou que iria para Araras, onde seus irmãos moravam, segundo ele. Na ficha do dia 3, disse que trabalhava como engraxate de portas de estabelecimentos comerciais. No dia seguinte, disse que era lavrador e, finalmente, voltou à versão anterior ao oferecer dados para a última ficha.

Durante a permanência em Piratininga, Laerte ofereceu seus serviços de engraxate a alguns comerciantes mas, entre as pessoas visitadas por ele e consultadas pela assistente social, nenhuma contratou o andarilho.

No albergue, ele acordava pela manhã, tomava café e saía, permanecendo fora durante todo o dia - embora a entidade oferecesse almoço e café da tarde, ele nunca usufruiu dessas refeições. Almoçava na rua e voltava ao albergue às 19h30, aproximadamente. Então preenchia novo relatório, jantava, recebia pijama e toalha cedidos pela entidade, tomava banho e dormia. Durante as pernoites no albergue, sempre dividiu o quarto com pelo menos mais uma pessoa, mas nunca foi registrada qualquer reclamação a respeito dele. Também nunca precisou do tratamento médico, de roupas ou remédios oferecidos pelo albergue.

As únicas observações feitas sobre o andarilho constam do relatório preenchido no dia 5 de dezembro, que diz o seguinte: "Não se apresenta alcoolizado. Parece estar acostumado a perambular pelas cidades. Não está abatido com sua situação, está até acomodado. É 'trecheiro convicto'".