07 de julho de 2026
Geral

Bingos

Adriana Rota
| Tempo de leitura: 4 min

Polícia Federal fecha bingos de Bauru

Texto: Adriana Rota

Três dos quatro bingos da cidade foram fechados por tempo indeterminado pela Polícia Federal, ontem, seguindo um requerimento de instauração de inquérito policial feito pelo vereador Roberto Medina. O motivo do ação foi a falta de autorização do órgão competente, o Instituto Nacional de Desenvolvimento do Desporto

(Indesp), que regulamenta a atividade.

O delegado-chefe da PF, Antonio Vaz de Oliveira, explicou que a atuação deste ramo de atividade está vinculada a um credenciamento e uma autorização para exploração do bingo permanente. Uma vez lacrado pela PF, a entidade tem de pleitear novo credenciamento e autorização.

O prazo de vigência do documento é de um ano. Como o Indesp está impossibilitado pelo Governo Federal de emitir autorizações temporariamente, os empresários que estão prestes a chegar na data-limite serão obrigados a fechar as portas até que novas autorizações sejam permitidas.

Os bingos Cidade (avenida Rodrigues Alves), Royal (localizado na rua 13 de Maio) e Plaza (rua Raposo Tavares) - os dois últimos administrados pela mesma empresa -, estariam atuando com autorização vencida. Numa diligência preliminar, feita no início deste mês, no entanto, os proprietários teriam sido alertados pela PF sobre a irregularidade da situação.

A contravenção, prevista em lei, engloba uma pena de prisão de seis meses a dois anos. Aos proprietários cabe, porém, recorrer da decisão da Justiça e manifestar-se caso acreditem em omissão do Poder Público. Podem, ainda, tentar obter autorização para funcionamento até que seja julgada a questão.

A participação da PF deve-se ao fato de o controle da atividade ser feito pela União através do Indesp, que determina o repasse de uma parte dos lucros das casas de bingo

à entidades desportivas. Mas, como a Justiça Federal não julga contravenção, a instauração de inquérito será remetida à Justiça Estadual.

Por enquanto, as portas permanecerão baixadas, os equipamentos, lacrados e formalmente apreendidos e os CPUs em poder da PF, por concentrarem todas as informações do uso das máquinas. A atuação da PF deveu-se a um pedido do vereador Roberto Medina, que primeiramente informou-se junto ao Indesp sobre a situação dos bingos da cidade.

Protestos

O dono do Bingo Cidade preferiu não se manifestar por enquanto. No Royal (que administra, também, o Plaza), ninguém atendia ao telefone na noite de ontem. Os clientes, ao contrário, fizeram questão de expressar o descontentamento com o fechamento das casas. Eles alegam a existência de poucas opções de lazer na cidade, além da impossibilidade de obter um dinheiro razoável com pequeno investimento.

"Ninguém coloca um 'trezoitão' na minha cabeça e fala 'vai jogar'. Eu gosto. Às vezes não tenho o que fazer e venho aqui. Esse povo está mexendo onde não precisa, com quem está trabalhando. Estou desempregada há um ano e o que me mantém é o bingo. Posso apostar R$ 1,00 e ganhar R$ 80,00", disse Ana Maria da Silva, balconista desempregada, que fez questão de exibir as notas dos prêmios que já recebeu.

Outra cliente, que preferiu não ser identificada, classificou o bingo como "adrenalina pura" e questionou a situação dos funcionários. Aliás, os burburinhos todos diziam respeito a isso. Apenas uma mulher aventurou-se a aprovar a atuação policial, entendendo que o bingo vicia, mas foi logo pressionada pelos demais.

Empregados dos bingos Royal e Cidade mostraram-se desgovernados. Vendedores, locutores, caixas, atendentes, garçons, muitos pais de família, não sabem a quem recorrer. "Ano passado foi feito um abaixo-assinado pelo não-fechamento dos bingos no País, com exceção do Rio de Janeiro, que tem legislação estadual própria. O ramo gera 120 mil empregos diretos", disseram Hélio Márcio Ferreira da Silva e Carlos Eduardo Amaral Rocha, do Bingo Royal.

O delegado da PF ressaltou que não tem intenção alguma de prejudicar a diversão do povo, tampouco o emprego destes funcionários. Para estes, alerta que os contratos formais com a empresa permitem eventuais indenizações.

"As autorizações são uma forma de controle que estimula o desenvolvimento do desporto, uma espécie de prestação de contas, que propicia maior controle e impede que o estabelecimento seja usado como fachada acobertando ilícitos. Veja bem, não estou dizendo que seja o caso destas casas", disse.

União

Os proprietários de bingos de Bauru manifestaram-se recentemente contra as notícias vindas de Brasília da possível extinção da atividade no País, através de uma medida provisória. Eles acreditam que esteja havendo uma generalização e que seria uma medida arbitrária proibir a atividade, que mantém pelo menos 40 mil empregos diretos e 25 mil indiretos só no Estado de São Paulo.